Arautos 7.5: aquela ‘boa e velha’ novidade


Jénerson Alves

Sem dúvida, uma das maiores referências da música sacra no Brasil é o quarteto Arautos do Rei. O grupo foi criado em 1962 e, inicialmente, vinculava-se apenas ao programa ‘A Voz da Profecia’ – o primeiro radiofônico evangélico transmitido em terras tupiniquins, cuja veiculação acontece até os dias de hoje. Entre as diversas formações que o quarteto apresentou dos anos 60 até agora, uma merece atenção especial: a que permaneceu entre 1972 e 1979. Responsável por gravações como ‘O filho pródigo’, ‘Del Delker’ e ‘Aqui chegamos pela fé’, o grupo percorreu diversos estados do Brasil, apresentando-se em ginásios e auditórios lotados, levando a mensagem de fé esperança que anuncia a volta do Senhor Jesus Cristo. Após um hiato de 42 anos sem cantarem juntos, os músicos decidiram retomar os trabalhos em 2012.

Basicamente, a formação atual é a mesma dos anos 70, com exceção de Vilson Santos (1º tenor), que substitui Eclair da Cruz (de saudosa memória). O 2º tenor é Melchiades Soares; o barítono é Wilson Almeida e o baixo, Roberto Conrad Filho; todos acompanhados pelo tecladista Roger dos Reis Oliveira.


Atualmente chamados carinhosamente de ‘Arautos 7.5’, o grupo está trazendo de volta a ‘harmonia fechada’ para o ambiente musical da cristandade. Isso porque, tecnicamente, este quarteto é formado por 1º e 2º tenor, um barítono e um baixo. “Há muitos quartetos recentes apenas com três tenores e um baixo, provocando um ‘abismo’ entre baixo e tenores e tornando as músicas muito agudas. Nosso estilo apresenta quatro vozes fechadas”, explana Wilson Almeida, barítono do Arautos 7.5, salientando que respeita as diferenças entre estilos e épocas.             

Almeida ressalta que, após a retomada dos trabalhos do grupo, o que tem chamado a atenção é a receptividade da juventude para com a música sacra. “Pensávamos que os jovens gostavam somente das músicas modernas e dinâmicas, mas o que vemos é que parece que eles também gostam do nosso estilo”, pondera. Ele cita que o quarteto já se apresentou em escolas de ensino fundamental, onde a aceitação foi praticamente unânime. “Muitos alunos pediram autógrafos e tiramos muitas selfies com eles”, lembra, sorridente.

O aprofundamento teológico nas composições é outra preocupação do grupo, de modo que as letras interpretadas possuem mensagens cristocêntricas, desta forma direcionando a mente e o coração do público para o Senhor Jesus Cristo. Esta característica pode ser verificada no CD ‘Integrados na Missão’, gravado recentemente, que tem faixas como ‘Hei de Estar na Alvorada’, ‘Cristo Jesus Voltará’, ‘Música Celeste’ e ‘Teu Grande Amor’. Outra marca do grupo é a Cantata do Filho Pródigo, que já fora gravada em LP nos anos 1970. Eles projetam gravá-la em DVD, mas para isso carecem de recursos.


O cuidado teológico nas músicas entra em consonância com o que apregoava a educadora cristã Ellen White, no século XIX: “Corretamente empregada, porém, [a música] é um dom precioso de Deus, destinado a erguer os pensamentos a coisas altas e nobres, a inspirar e elevar a alma.” Para alcançar esta finalidade, todavia, a música precisa conter elementos peculiares, cujas notas traduzam, simultaneamente, alegria e solenidade, imprimindo as verdades bíblicas no coração dos ouvintes.

Mesmo mantendo as raízes, o grupo não abre mão de interagir com as ferramentas da modernidade. Um exemplo é o uso do Facebook, tanto para a divulgação de músicas e vídeos quanto para o agendamento de apresentações. Um destaque é o vídeo da canção ‘Música Celeste’, interpretada a cappella na Catedral de Brasília. “Estávamos por lá e decidimos cantar na catedral. Fomos com a cara e a coragem. Ninguém nos convidou nem pedimos permissão”, rememora o barítono, ressaltando que a acústica do local auxiliou a interpretação. Em menos de uma semana, a postagem alcançou 36 mil visualizações e 917 compartilhamentos.

Os Arautos 7.5 estiveram em Caruaru no final de outubro. No sábado (28/10), apresentaram-se no Espaço Novo Tempo, e no domingo (29), na Seletto Recepções. Os eventos foram promovidos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.


Fotos: Andreza Ferreira

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