Um recado aos que lidam com programas religiosos no rádio
Para quem sabe usar, o rádio assume uma importância no meio social muito grande, principalmente se for usado com a intenção de evangelizar ou edificar.
Mas quem produz ou apresenta programas de caráter religioso no rádio nem sempre leva em conta que precisa considerar a sua linguagem e cativar os seus ouvintes com qualidade e profissionalismo.
O rádio fala e, para receber a mensagem, é apenas necessário ouvir.
O rádio acaba levando uma vantagem sobre os veículos impressos, pois para receber as informações não é preciso que o ouvinte seja alfabetizado.
Os irmãos em Cristo, mesmo bem intencionados, acabam levando a formula litúrgica do culto para aqueles 30 ou 60 minutos, além de usar a mesma linguagem própria para convívio entre "os seus" na fé.
O processo de produção em rádio (da pauta à locução) compreende o uso de linguagem escrita e a construção de textos. Isso eu já descobri no antigo livro de Maria Elisa Porchat, “Manual de Jornalismo da Jovem Pan”, esse livro ajudou muito na elaboração e produção de programas como UM TOQUE DE AMOR, Ligação Direta e Espaço Livre feitos com Jaelcio Tenório.
Há um compromisso cultural de valorização da língua pois no rádio, a linguagem é coloquial, pois o radialista está falando para alguém. Uma vez que a fala supõe uma linguagem mais leve e informal, há de se esperar que o comunicador não carregue o seu vocabulário com palavras complicadas de difícil entendimento para a média do seu público.
Embora o radialista se prepare antes de apresentar o programa, ele deve demonstrar espontaneidade e improviso ao falar, imprimindo emoção à sua voz em face do que está sendo noticiado/relatado.
Surge o script. Que orienta que entonação a voz deverá ter para passar a ideia de tensão e distensão. O script é um guia seguro que possibilita ao radialista saber o que irá dizer e como irá fazê-lo (nem todos os scripts indicam o como).
• dizer de modo direto (objetividade)
• com a maior nitidez possível (clareza)
• curto espaço de tempo (brevidade)
• com a maior nitidez possível (clareza)
• curto espaço de tempo (brevidade)
O rádio está sempre no presente e é imediatista.
Envolve emoção.
Cria intimidade.
Termos religiosos deviam ser evitados. Isso não significa que não podemos comunicar nossa fé, só que deveria se observar na grade da emissora critérios para colocar no ar determinados tipos de programas, mesmo que pagos, na pior das hipóteses ao menos ver melhor o horário de exibição.
Um outro fato, muito importante é entender que a emissora é uma concessão pública, que o governo ao conceder a mesma, impõe uma série de regras para serem cumpridas. É um acordo e, em muitos casos, a emissora é de caráter EDUCATIVO ou COMUNITÁRIO. Entendo que a maioria não se presta a esse serviço.
Em tempos em que os evangélicos estão tendo tanto acesso a mídia é bom pensar um pouco nessas coisas, pois no rádio, como em tudo na vida, devemos fazer de modo que honre e glorifique a Deus e não de modo que envergonhe e mostre despreparo.
Esse assunto é muito amplo, e ainda tem muitas variações como a responsabilidade diante de Deus com aquilo que veiculamos, qualidade das musicas, etc. Em outro momento abordaremos.
Paulo Nailson



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