Brasil perde um grande teólogo, humanista, defensor dos direitos humanos e da justiça social

Por Cassia Brechara,  Recife, jornal Brasil de Fato


Neste domingo (26/2/2012) o bispo anglicano Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti foi barbaramente assassinado em sua casa, no bairro dos Bultrins, município de Olinda, Pernambuco, por seu filho adotivo, Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. A esposa de Dom Robinson, Miriam Nunes Machado Cotias Cavalcanti, ainda foi levada com vida ao hospital, mas não resistiu.
Após os assassinatos, Eduardo tentou se matar, tomando veneno e se esfaqueando. Ele morava nos Estados Unidos desde os 17 anos de idade e tinha chegado há três dias. Ainda não se sabe o que motivou o assassinato.
Dom Robinson, era bispo diocesano da Igreja Episcopal Anglicana,) Amigo do MST, que por vários ocasiões colaborou com analise de conjuntura, um grande defensor das causas sociais, Dom Robinson Cavalcanti foi o criador da Comissão de Direitos Humanos da Diocese do Recife, que foi o embrião da atual Secretaria Diocesana de Defesa dos Direitos Humanos, que organiza ações de apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no qual foi um dos que apoiaram a fundação do MTST em Pernambuco, as comunidades carentes e a sociedade civil. Foi um dos idealizadores e fundadores do Movimento Evangélico Progressista – MEP.
Nascido no Recife, Pernambuco, passou a infância na cidade alagoana de União dos Palmares. Cursou Ciências Sociais na Universidade Católica de Pernambuco e Direito na Universidade Federal de Pernambuco, onde participou ativamente do movimento estudantil.
Foi candidato a Deputado Estadual, em 1982, pela oposição ao Regime Militar (e membro do Diretório Municipal do PMDB do Recife), e participou das campanhas pela Anistia e pelas ‘Diretas Já’. Coordenou, entre as igrejas evangélicas, a nível nacional, as campanhas presidenciais de Lula, de 1989 e 1994. Militou no Partido dos Trabalhadores, onde foi membro do Diretório Municipal e candidato a vice-prefeito de Olinda (1996). Filiado a duas Seções Sindicais da ANDES – Sindicato Nacional (dos Professores Universitários) foi candidato a uma das vice-presidências da entidade, na chapa encabeçada pela professora e ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenelle.
Dom Robinson definia-se defensor de uma Sociedade Solidária e de uma Economia pós-Capitalista, inspirada nos valores judaico-cristãos. Participou de um sem número de movimentos em defesa da Justiça Social, sempre encarando tal participação como expressão de um ministério profético.
É Membro da Academia Pernambucana de Educação e Cultura, Academia Pernambucana de Ciências Jurídicas e Morais e Cidadão Honorário da Cidade de Olinda-PE. Participou da fundação (1970) da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL), onde integrou, por sete anos, a sua Comissão Executiva. Integrou, também, a Comissão de Convocação do Congresso de Lausanne (1974), e a Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (LCWE), por quatro anos, bem como a Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (LCWE), na Unidade “Ética e Sociedade”. Filiou-se aos Gideões Internacionais e ao Rotary Club. Passou a colaborar como articulista na imprensa escrita. Por 10 anos escreveu a coluna dominical “Evangelismo” no Jornal do Commércio, e, por dois anos a coluna “Panorama Evangélico”, do Diário da Noite. Escreveu, por cinco anos, para a revista Kerygma (São Paulo), e é o mais antigo colaborador da revista Ultimato (Viçosa-MG.) Ao todo são mais de 1.000 artigos sobre Teologia e Ciência Política, publicados no Brasil e no Exterior. Atuou, também, na rádio e na televisão, em programas religiosos e políticos, passando a dar conferências no país e no exterior, principalmente na área de Ética Social. Como convidado do Governo, pregou no Culto Semanal dos Deputados, na Capela do Parlamento da Suécia..
Entre outras obras deixa como herança: Cristo na Universidade Brasileira, O Cristão, Esse Chato, Uma Benção Chamada Sexo, As Origens do Coronelismo, Igreja – Agência de Transformação Histórica, Igreja – Comunidade da Liberdade, Libertação e Sexualidade, Cristianismo e Política, A Utopia Possível, A Igreja, o País e o Mundo, Igreja – Multidão Madura. Alem de toda uma vida dedicada a causa da justiça social e a luta de classe. Morreu, tragicamente, mas com o dever de Cristão e cidadão político cumprido.

Cássia Brechara

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