Ambientalista Morto Falou Sobre Sua Fé Antes de Morrer, ‘Deus Tem Um Propósito em Minha Vida’

O extrativistas mortos José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, deram entrevista ao Terra meses antes de serem assassinados, em que falaram sobre as ameaças, Deus, e o medo da morte.
“Deus tem um propósito na minha vida,” disse José Cláudio em um dos vídeos, “porque eu já passei por cada coisa... Minha companheira tem problema psicológico por causa das ameaças. é barra!”
O casal foi sepultado nesta quinta-feira, no cemitério de Marabá, próximo ao assentamento onde moravam, na zona rual de Nova Ipixuna.
Na entrevista, Silva falou de alguns de seus companheiros que foram assassinados, mas afirmou que não fica calado diante de injustiça, nem que isso lhe custe a morte.
“A gente tem uma bandeira de luta, tem uma obrigação como cidadão e eu jamais vou ver uma injustiça e ficar de boca calada. Nem que para isso custe a minha vida. Mas eu não fico calado,” declarou.
Perguntado se ele tinha medo, Silva disse, “eu tenho medo. Se eu falar que não, eu to mentindo porque se ‘o todo poderoso’ - que ia morrer mas ele ia voltar no terceiro dia - teve medo, por quê eu não vou ter medo?” declarou Silva.
Maria do Espírito Santo afirmou na época que todos haviam abandonado o projeto, com exceção da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
“O projeto está sendo saqueado a cada momento, a biodiversidade está desaparecendo, ninguém aqui ajudou a criar, ninguém entre aspas, sem se falar da CPT que sempre nos apoiou.”
“Quero deixar alguma coisa para as futuras gerações,” foram as palavras comoventes de Maria do Espírito Santo.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), que é uma organização ligada à Igreja Católica e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), desenvolve um serviço pastoral junto às comunidades trabalhadoras da região.
A CNBB, Regional Norte 2, afirmou em nota que recebe denúncias de pessoas ameaçadas por morte, entre elas: missionários, bispos, irmãs e leigos que atuam no Pará.
O corpos do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram enterrados no final da manhã desta quinta-feira (24), assassinado a tiros na terça-feira (24) em Nova Ipixuna, no Pará.
Segundo a irmã de José Cláudio, Claudelice, o enterro foi acompanhado por cerca de 3 mil pessoas, entre eles integrantes de movimentos agrários e ambientais.
O delegado Silvio Maués, diretor de Polícia Judiciária do Interior no estado do Pará afirmou, segundo o G1 que “não dá para dizer ainda quem são os executores.”

Comentários