O silêncio dos bons

"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." Luther King

Vejo com freqüência as pessoas reclamando de como o mundo está piorando a cada dia, mas, lamentavelmente não encontro em quase nenhuma delas disposição para atuar numa mudança.
Em 2007 uma pesquisa de opinião pública brasileira, encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias, 55% dos interrogados afirmaram que o Brasil precisava de uma revolução socialista. Ao serem perguntados o que entendiam por socialismo, responderam citando alguns valores: “amizade”, “comunhão”, “partilha”, ”respeito”, “justiça” e “solidariedade”. Então quero desde já esclarecer que é pensando nestes valores que escrevo.
Ainda há muita gente que pensa que fé não convive bem com política.
Tive um encontro pessoal com Jesus Cristo e isso aconteceu ainda na minha infância. Tive uma doutrina que considero saudável o que me levou a cada ano de minha vida a não mudar de rumo, ir amadurecendo a cada oportunidade de Deus falar comigo.
O Cristo que conheci sofreu um processo político movido pelas autoridades judaicas e, outro, movido pelas autoridades romanas. Morreu, nos substituindo e por causa de nossos pecados, mas houve uma dimensão humana também política no fato.
Ao ser transformado pelo Evangelho de Jesus deveríamos servi-lo, enquanto no mundo, em ações práticas de transformações no mundo, pensando em resgatar o projeto original de Deus.
Enquanto cristãos e militante em movimentos sociais, é isso que tenho aprendido e vivenciado.
Há quem me pergunte se eu não temo, por causa do ambiente que vivo, "possíveis problemas" com minha pessoa.
Primeiro, quem entra na militância, tem que entrar com o coração; não basta entrar com a cabeça. Quem entra com a cabeça tem medo. Quem entra com o coração, ama tanto a causa que defende, que enfrenta situações de risco sem medo. E a segunda coisa: o contrário do medo não é a coragem, é a fé. Quanto mais a gente tem fé, quanto mais confia naquele caminho que a gente está levando, certo de que a luta que Deus quer para a gente; quanto mais se sente irmão do companheiro Jesus, que deu a vida por essa causa de esperança e de libertação, menos medo a gente sente.
Já vi alguém comentar isso: "Medo nos sentimos quando pensamos primeiro em nós. Quando pensamos na causa, no movimento, no Brasil sem miséria, sem mortalidade infantil, vale a pena correr riscos."
Então a "metanóia" não é nascer de novo? Não é "mudança de rumo"? O velho Che Guevara ja falava sobre o "novo homem" e a "nova mulher". A Palavra de Deus, há mais tempo ainda também.

Como superar os vícios egocêntricos que moldam em nós o homem e a mulher velhos?
Só Cristo! Como criar relações sociais e estruturas sociais solidárias e cuja emulação tenha a sua fonte em nossa própria subjetividade, lá onde habita Aquele que é mais íntimo a nós do que nós a nós mesmos? Só transformando pelo anúncio do Evangelho.
Você já parou para pensar e analisar a sociedade em que Jesus viveu? O contexto sócio-político, as estruturas vividas por ele.
O Brasil é um dos últimos países do mundo onde ainda não aconteceu a Reforma Agrária.
Se fosse no tempo de Cristo?
É difícil ser rico, latifundiário, no tempo de Jesus e ao mesmo tempo ser discípulo ser Cristão. A riqueza recebe uma das considerações mais fortes da sua boca, quando diz: ”É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Mesmo diante do espanto dos apóstolos Jesus a repetiu sem pestanejar. E qual é a sua proposta positiva?
A proposta positiva do Cristo é a partilha. Cristo não é contra a como tal. Também não é contra a terra. É contra a concentração da terra nas mãos de poucos. Então sua proposta é a partilha.
Todos os discípulos de Jesus têm de partilhar os bens, têm de entrar numa economia de partilha, de socialização, para poder seguir Cristo. Ou seja, é impossível ser rico e ser seguidos de Cristo. Na perspectiva de Jesus isto aparece muito claro. Nós é que, muitas vêzes, obscurecemos o fato por causa da ideologia do dinheiro que esta em nossas cabeças.
Talvez um de nossos maiores conflitos seja "como articular a minha fé com a militância política?"
Que tal nos inquietarmos mais nesta questão?

Paulo Nailson

Comentários

  1. Maravilhosa Graça!!!
    Aqui estou passando mais uma vez.
    Parabens pelo comentário, você deveria escrever mais.
    Não concordo com a frase:"é impossível ser rico e ser seguidor de Cristo".
    Creio que esta é a tua dificuldade.
    Quanto mais você tem, se és discípulo de Cristo
    mais terás para ajudar ao necessitado.
    Lembre "necessitado", pois existe muito picaretas por aí.
    Um forte abraço.

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