ESPECIAL JANIRES
Foi das mãos do meu irmão Jobson que eu recebi um LP (Long Play, era assim mesmo que chamavam anteriormente o que hoje conhecemos por CD, Compact Disc) chamado “Mais doce que o Mel”. O nome do grupo era Rebanhão, isso em 1984.
Ele havia adquirido em Recife e me disse que era algo diferente de tudo o que já havia ouvido antes. No final dos anos 60 a revolução musical já havia começado no sul do país com os “Vencedores Por Cristo” e no nordeste com Embaixadores de Sião, início de 70.
Agora ninguém pode negar que o surgimento do REBANHÃO foi algo ímpar na história da música cristã no Brasil.
Olhei a capa do disco e vi um sujeito magrelo, cabelo parecido com o do palhaço Bozo, blusa aberta e um sorriso largo no rosto. Tudo naquele momento era muito ousado: letras, ritmos, visual, arte, e eu coloquei na cabeça de conhecer aquele tal de Janires.
Em 1985, morando em Aracaju, lá vem “Jobão” com o novo disco: “Luz do Mundo”, tão inovador quanto o anterior. Esse seria o terceiro trabalho do Janires com o Rebanhão, levando em conta que já havia gravado um compacto com as canções (Natal, Paz pra Cidade e Menino Passarinho).
O “Luz do Mundo” foi o último trabalho do Janires no Rebanhão.
Janires ainda gravou neste período um compacto com o Quarteto Vida (Mamãe) e lançado o primeiro CD evangélico “ao vivo”, trazia na capa uma parede murada de tijolos (lembrando o acampamento MPC).
Minha maior curiosidade era saber mesmo se a imagem que eu fazia do tal cantor era verdadeira, como alguém roqueiro se dizia de Cristo? Como alguém com identificação (trajes, linguagem, aparência, etc...) tão forte com a juventude permanecia crente? Como era de fato o testemunho daquele que já era considerado por muitos líderes eclesiásticos um agente de Satanás (e olha que falo sério).
Fui até o apartamento do pastor, onde vi de cara os Lps do Rebanhão, me recebeu de modo amável e atencioso e ele me surpreendeu com um convite: por que você não vai pessoalmente conhecer o Janires?




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