Estadistas, alienados ou carreiristas?
Os evangélicos e o projeto histórico
O povo de Deus deveria ser um povo de estadistas: capaz de uma compreensão correta e de uma participação ética e competente no tratamento da coisa pública. Deveria ter um envolvimento ativo na vida em sociedade, na promoção do bem comum. As desinformações, os preconceitos, os medos, o ódio, a corrupção, a maledicência e os interesses subalternos não deveriam se fazer presentes no meio do povo de Deus, deformando o exercício da sua cidadania, como sinais e evidências sociais do pecado.
Cidadania e Projeto A crise da cidadania entre os evangélicos — apontam os analistas — decorre da falta de, entre eles, um projeto histórico: de que modo a sua presença alteraria os rumos da nação e do Estado no Brasil? Não está em discussão o projeto espiritual, metafísico ou escatológico — o além e o futuro — mas o aquém e o presente. Não está em discussão a conversão pessoal e o projeto subjetivo e individual de cada crente, mas o obje-tivo e o coletivo. Somos um povo ou apenas uma colagem de indivíduos?
As eleições, especialmente as presidenciais, se constituem num im-portante momento para uma sincera auto-avaliação, caso queiramos crescer.
Tivemos projetos coletivos no Brasil no passado? Sim.
...
A agressividade e a falta de ética marcaram nossa participação nas eleições presidenciais de 1989, quando fomos co-responsáveis pela vitória de um desequilibrado e aético, apresentado nos púlpitos como “um homem de Deus”. Caímos no messianismo da nossa cultura e nas promessas de “um lugar no teu reino...”
Já o trauma da mancada e o impeachment nos permitiram, em 1994, uma eleição mais moderada e civilizada entre os evangélicos, com a maioria das denominações (ao menos formalmente) respeitando o pluralismo no seu interior, embora um setor ainda insistisse no clima da “guerra santa”. Segmentos expressivos, contudo, se encantaram com o charme do príncipe-intelectual (ex-ateu confesso, “convertido” a uma fitinha do Senhor do Bonfim).
Luzes da Pátria? Esperamos que, para as eleições presidenciais deste ano, tenhamos amadurecido em cultura política e em ética, em conhecimento do nosso legado histórico e em leitura abrangente das Sagradas Escrituras. Que haja um clima de respeito no interior das igrejas e um sentido de crítica e independência fora delas.
...
Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife, PE.
leia na íntegra no www.ultimato.com.br
O povo de Deus deveria ser um povo de estadistas: capaz de uma compreensão correta e de uma participação ética e competente no tratamento da coisa pública. Deveria ter um envolvimento ativo na vida em sociedade, na promoção do bem comum. As desinformações, os preconceitos, os medos, o ódio, a corrupção, a maledicência e os interesses subalternos não deveriam se fazer presentes no meio do povo de Deus, deformando o exercício da sua cidadania, como sinais e evidências sociais do pecado.
Cidadania e Projeto A crise da cidadania entre os evangélicos — apontam os analistas — decorre da falta de, entre eles, um projeto histórico: de que modo a sua presença alteraria os rumos da nação e do Estado no Brasil? Não está em discussão o projeto espiritual, metafísico ou escatológico — o além e o futuro — mas o aquém e o presente. Não está em discussão a conversão pessoal e o projeto subjetivo e individual de cada crente, mas o obje-tivo e o coletivo. Somos um povo ou apenas uma colagem de indivíduos?
As eleições, especialmente as presidenciais, se constituem num im-portante momento para uma sincera auto-avaliação, caso queiramos crescer.
Tivemos projetos coletivos no Brasil no passado? Sim.
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A agressividade e a falta de ética marcaram nossa participação nas eleições presidenciais de 1989, quando fomos co-responsáveis pela vitória de um desequilibrado e aético, apresentado nos púlpitos como “um homem de Deus”. Caímos no messianismo da nossa cultura e nas promessas de “um lugar no teu reino...”
Já o trauma da mancada e o impeachment nos permitiram, em 1994, uma eleição mais moderada e civilizada entre os evangélicos, com a maioria das denominações (ao menos formalmente) respeitando o pluralismo no seu interior, embora um setor ainda insistisse no clima da “guerra santa”. Segmentos expressivos, contudo, se encantaram com o charme do príncipe-intelectual (ex-ateu confesso, “convertido” a uma fitinha do Senhor do Bonfim).
Luzes da Pátria? Esperamos que, para as eleições presidenciais deste ano, tenhamos amadurecido em cultura política e em ética, em conhecimento do nosso legado histórico e em leitura abrangente das Sagradas Escrituras. Que haja um clima de respeito no interior das igrejas e um sentido de crítica e independência fora delas.
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Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife, PE.
leia na íntegra no www.ultimato.com.br


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