Desde o início...

Gente iludida pensa que é livre quando está sendo manipulada. A liberdade e a responsabilidade nas decisões humanas têm muito a ver com a maior ou menor consciência dos mecanismos sociais, econômicos e políticos destinados a fazer a nossa cabeça.
O condicionamento é poderoso mas não é absoluto.
DESDE O INÍCIO...
...os dominadores do povo criam preconceitos para, pretensamente, justificar a dominação. Sendo assim, desde quando éramos colônia de Portugal que a sociedade foi dividida em senhores e escravos. Desde esta época consideramos favor ou benefícios o que na verdade é um direito.
Os condicionadores do poder econômico e do poder político estão cada vez mais dominando os meios de comunicação de massa. Na idolatria do mercado tudo é sacrificado para servir ao deus lucro. E achamos isso tão natural que aos poucos vamos reproduzindo isso na nossa vida eclesial.
Para Rubem Martins Amorese em seu livro Icabode o principal agente normalizador da sociedade moderna é a mídia de massa. As igrejas não estão isentas das influências niveladoras da comunicação de massa. Assim, é possível tanto quanto assustador um único homem, ou um pequeno grupo, apresentar sua proposta redefinidora da realidade a toda uma população, a todo um país, a todo o planeta, ao mesmo tempo.
CIDADÃO KANE
Toda uma estrutura de exploração, toda uma estrutura econômica, toda uma nação em seus aspectos econômicos, políticos e sociais acabam sendo montados sobre essas definições de realidade que só beneficiam a quem as criam e por isso mesmo, se tornam inquestionáveis. Veja no filme Cidadão Kane, considerado melhor filme desde que o cinema foi inventado. Talvez o maior exemplo no Brasil do que dizemos é o caso daquele que voltou ao pó, recentemente e era tido como deus, dono do império que construiu tornando essas ideologias em verdades absoluta as custas de pessoas que as adotam ou de estruturas que lhes dão estabilidade.
“FAZEDORES DE CABEÇA”
Assim surgem os “fazedores de cabeça” que sujeitam as consciências. Descobriram a melhor forma de fazer alguém obedecê-los: convencendo que lhe devem obediência.
Pense em todos os programas, propagandas, novelas, teatro, jornal, cinema, rádio, tendo por trás o caráter de poder que estou citando?
Bem aventurado são aqueles que não se expõem ingenuamente a esses meios de comunicações. Inclusive, ou principalmente, os que estão sob direção de religiosos (evangélicos, cristãos, protestantes, católicos, seja lá o que for).
Você costuma assistir (ouvir ou ler) o jornal e engolir tudo que é dito? Você acha que num noticiário de 30 minutos cabe tudo o que num dia inteiro acontece numa nação? Com que critérios foram selecionadas as informações que vão para sua mente? Quem decide o que é e o que não é notícia?
Vivemos num país onde 90% dos lares tem TV. Há mais televisão que geladeiras. Você já percebeu que até a temática de nossas conversas da igreja são determinadas pela TV?
HÁ SAIDA?
Comece a partir de você, selecionando melhor o que lê, assiste, ouve e opções de lazer. Nada de isolamento. “Melhor que viver numa bolha antibacteriana, é ajudar a criar os anti-corpos adequados.” Faça o mesmo em diálogo com sua família.
Na igreja as ações conscientizadoras tanto devem ser com os de fora quanto com os de dentro. Doutrinando na Palavra, desenvolvendo senso crítico, politizando, preparando cidadãos para uma vida futura com Cristo e para uma vida presente enquanto no mundo.
Em vez de retirar-se de cena que tal organizar a comunidade para participar do processo, de conselhos comunitários e ação política?

Publicado na edição de setembro de 2003.

Comentários