sábado, 30 de julho de 2016

“Atualmente, vemos muitas igrejas e muitos ensinos desequilibrados”, alerta pastor da Igreja Evangélica Verbo da Vida em Caruaru


Por Jénerson Alves

Com 26 anos de atuação na mídia, passando por várias emissoras de rádio e fazendo incursões pela televisão, Cid Henrique tornou-se um nome bastante conhecido em Caruaru e na região. Porém, após realizar o curso bíblico Rhema, em 2000, sentiu um chamado de Deus e passou a dedicar-se exclusivamente à pregação da Palavra da Fé. Em 2008, foi consagrado pastor da sede da Igreja Evangélica Verbo da Vida em Caruaru. A denominação, fundada pelos norte-americanos Bud e Jan Wrigth, administra o Centro de Treinamento Bíblico Rhema, que tem o objetivo de treinar obreiros para propagar o Evangelho. Nesta entrevista a Presentia, Cid Henrique discorre acercada diferença entre Teologia da Prosperidade e Vida com Prosperidade. Além disso, ele fala sobre a importância de se conhecer mais profundamente a Palavra de Deus. “Não basta conhecer a Bíblia, o cristão tem de compreender e praticar. A vida cristã tem que ser um reflexo da Palavra”, diz o pastor.


Segundo os críticos, a Teologia da Prosperidade ensina que o cristão deve ser rico a qualquer custo, inclusive deixando de lado certas normas morais. O conceito da Teologia da Prosperidade é, realmente, enriquecer?
Não, não! A Bíblia não fala, em lugar nenhum, que o crente tem de enriquecer. Na verdade, a Bíblia fala que nós já somos ricos. Quando Jesus foi à cruz do Calvário, Ele tomou para Si toda enfermidade, toda pobreza e toda miséria, como diz em Isaías 53:4. Quando o ser humano não compreende isso, acha que precisa ser rico materialmente, mas a Bíblia traz que é necessário haver equilíbrio. A riqueza tem de ser de dentro para fora. Uma pessoa rica é quem não tem problemas com dinheiro, é quem é abençoadora. A palavra ‘riqueza’ tem muitos conceitos. Pode-se ser rico de paz, de alegria, de saúde e também de dinheiro. Alguns são ricos de dinheiro, outros não. Porém, Jesus disse que veio trazer vida e vida em abundância. A vida em abundância é uma vida suprida. O próprio Jesus falou, conforme está escrito em Mateus 6:33: “Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas”. Ou seja, quem pratica a Palavra se torna um ímã de bênçãos, pois está priorizando a coisa certa. A gente não ensina a Teologia da Prosperidade, mas uma vida com prosperidade.

E qual é a diferença entre ‘Teologia da Prosperidade’ e ‘vida com prosperidade’?
Quando a gente observa a Teologia da Prosperidade, verifica-se alguns desequilíbrios. Porém ter uma vida próspera não é correr atrás de dinheiro, fazer campanhas ou barganhas com Deus. Não se faz barganhas com Deus. Os apóstolos e a Igreja Primitiva sempre prezavam por uma vida espiritual. Tanto é que Paulo enfatizava muito temas como a volta de Cristo e a ressurreição. Ele cria piamente que Jesus voltaria naquela época. As pessoas, como está escrito em Atos dos Apóstolos, repartiam as coisas entre si, doavam entre si. Não havia essa correria nem essa ganância por dinheiro. Atualmente, vemos muitas igrejas e muitos ensinos desequilibrados.
No Reino de Deus, entende-se que Deus não ‘vai abençoar’ quem cumpre a Palavra, pois este já é abençoado. Em Filipenses 4:19, diz que o Senhor supre todas as nossas necessidades, segundo a riqueza dEle – que é espiritual, mas que transmite aqui na Terra o lado material, pois nós precisamos de dinheiro para viver. Porém, quem sai do desequilíbrio coloca o dinheiro como deus. Não pode ser assim. Você tem que usar o dinheiro e não o dinheiro usar você.
O Ministério Verbo da Vida não trabalha com campanhas, nem com barganhas. Não dizemos que o fiel precisa dar uma certa quantia para ser abençoado. O irmão [Kenneth] Haggin (considerado o ‘pai’ do movimento Palavra da Fé) tem um livro muito equilibrado, com o título ‘O Toque de Midas’, no qual ele traz a reflexão de que as pessoas estão indo às igrejas simplesmente em busca de bens materiais e, por isso, estão totalmente equivocadas. As bênçãos chegam se a pessoa trabalhar muito, tiver uma vida equilibrada e praticar a Palavra. É bem simples compreender isso.

Então, os ensinos de algumas igrejas neopentecostais ditas ‘da Teologia da Prosperidade’ são dissonantes dos próprios ensinos de Kenneth Haggin?
O Kenneth Haggin nunca foi desequilibrado quanto à questão da prosperidade. Ele despertou as pessoas para elas serem supridas aqui na terra. Muitos tradicionais acharam que isso era diabólico, entendiam que o crente precisa ser pobre, miserável, nu, andar com roupa de saco ou fazer voto de pobreza. Muitos fazem uma leitura alegórica e simbólica da Bíblia, o que as leva a uma compreensão equivocada de qual é a vontade de Deus. A Palavra, principalmente depois de Atos dos Apóstolos, quando há a revelação, fala de uma vida suprida, equilibrada, envolvendo alma, corpo e espírito. Quem pensa nas coisas do Alto e renovando a mente está andando na Palavra. O ápice da vida próspera é a pessoa ser generosa. Por isso, práticas como doar dízimos e ofertas permanecem na Igreja, mesmo na nova aliança, para trazer equilíbrio às pessoas. Igreja não é para dizer que o fiel deve doar um carro que receberá dez carros em troca. Isso não é bíblico. Isso é brincar com a fé das pessoas.

As igrejas de linha neopentecostal costumam pregar que é possível as pessoas serem curadas através de orações em nome de Jesus. Se é assim, por que há tantos hospitais? Não seria mais fácil os crentes visitarem esses locais e ‘determinarem espiritualmente’ a cura de todos os doentes?
Não funciona dessa forma. A Bíblia fala que sem fé é impossível agradar a Deus. Há muitas lacunas nas quais podemos entrar agora. A Palavra revelada traz que Jesus já tomou sobre Si nossas dores e enfermidades. Quando Ele andou na Terra, todas as pessoas que se aproximavam dEle eram curadas. Havia uma unção específica na vida dEle, para que as pessoas recebessem cura. É necessário que as pessoas entendam que, na Terra, nosso corpo está suscetível às enfermidades, mas há uma cura disponível que é possível ser alcançada através da fé, ou da unção específica na vida de alguém. Porém, isso depende muito da vida da pessoa. Quem anda em uma vida desregrada, no pecado, não atrai uma vida de saúde. Por exemplo, a falta de perdão, segundo a Bíblia, provoca muitas sequelas no coração. Isso atrai doenças. Isso é falado biblicamente, mas os médicos, os psicólogos também falam. Quem está assim, precisa pedir perdão e mudar de vida, sendo alcançado por Deus.
Eu gosto de citar um exemplo de uma pessoa que tem uma herança, mas não sabe, por isso não usufrui dela. Em outras palavras, a falta de conhecimento impede que a pessoa desfrute de algumas bênçãos. Jesus nos dá o direito de recebermos as bênçãos que estão disponíveis em Deus para nós. Para que haja fé, é necessário haver entendimento – a Bíblia diz que “a fé vem pelo ouvir e ouvir a pregação”. Quem tem a fé edificada recebe as bênçãos que Deus tem.

A ideia de ‘fé Rhema’, aparente, está ligada à espiritualidade da Nova Era,acreditando-se ser desnecessário perguntar qual é a vontade de Deus, mas que deve-se declarar a sua vontade... O senhor concorda que isso parece muito com a New Age ou com o Pensamento Positivo?

Não. A Bíblia diz, lá em Romanos, que “a fé opera pelo amor”. Não adianta declarar a Palavra, crer, chamar à existência e não andar em amor. O ser humano é formado por três esferas – espírito, alma e corpo. Quem aprende o texto de Marcos 11:23 – que fala que se alguém disser a determinado monte que saia do lugar, crendo com o coração, ocorrerá – mas não anda em amor, não perdoa as pessoas nem é generosa, não possui legalidade para receber o que está disponível diante de Deus. O Pensamento Positivo, a Nova Era, trazem uma meia verdade, que parece uma verdade, mas não é. Isso é a fé da mente. Mas a fé que vem de Deus é do espírito. A mente precisa ser renovada. O amor não opera pela mente, mas pelo espírito. Todo ser humano possui a fé da mente. Quem acredita em uma coisa e a declara, essa coisa acontece. Porém, isso ocorre em um nível bem menor do que o nível de Deus. Nós temos muitos exemplos de pessoas que fizeram isso. Eles trabalharam duas esferas – a alma e o corpo –, mas faltou uma esfera, que é a espiritual. O Rhema ensina que é necessário estar, primeiro, sadio espiritualmente – conhecendo e vivendo a Palavra. Assim, as demais coisas serão acrescentadas.

De que forma a Palavra da Fé pode surtir efeito nas pessoas das camadas mais populares. Essa teologia funciona também na África, por exemplo?

Funciona até melhor. Nós nunca ensinamos as pessoas a ganhar dinheiro. Existe o Rhema na África, onde mais de 10 mil pessoas foram formadas, mais propriamente em Angola. As pessoas são muito carentes lá. Essa Palavra ensina as pessoas a saírem daquela dimensão de vida. Nós não ensinamos as pessoas a ganhar dinheiro, mas a andar na fé. Então, as coisas começam a acontecer. As pessoas que chegam às igrejas que ensinam a Palavra de Fé aprendem a andar em amor e desfrutar da harmonia conjugal, da cura divina e também do suprimento financeiro. Assim, as pessoas menos abastecidas saem de um nível de vida para outro. Jesus veio para abençoar as pessoas, trazer vida e vida em abundância. Hoje, há muitos cristãos na África que têm uma vida abençoada.

Então, o senhor acredita que há um certo desconhecimento acerca dos ensinos da Palavra da Fé?

Acho que as pessoas não podem ficar com a primeira ideia que têm na cabeça. Na Bíblia, no livro de Oseias, diz que o povo perece porque falta conhecimento. O profeta Isaías fala que o povo perece por falta de entendimento. Então, ‘conhecimento’ e ‘entendimento’ são coisas distintas. Há quem conheça, mas não entenda. Muitos fizeram vários cursos de Teologia, conhecem a Bíblia, mas não têm entendimento da revelação da Palavra. Ficam com a letra. A letra é um grande empecilho para as pessoas andarem no poder de Deus. Não basta conhecer, tem de compreender e praticar. A vida cristã tem que ser um reflexo da Palavra.
O Centro de Treinamento Bíblico Rhema traz esse equilíbrio. A oração de Paulo era que as pessoas abrissem os olhos espirituais para entender a viver neste mundo. Ele ainda diz, em Romanos 12, que é necessário não se conformar com esse mundo, mas experimentar a agradável, boa e perfeita vontade de Deus. Então, há três níveis. Há quem conheça a agradável, há quem conheça a boa e há quem conheça a perfeita vontade de Deus, com a renovação da mente.

Quem quiser conhecer melhor o Rhema, o que deve fazer?


É possível conhecer por meio do site www.rhema.org.br. É o site da sede Rhema. As matrículas já estão abertas em Caruaru. Existe uma mensalidade. O curso é formado por 24 matérias, com muitos professores de outras cidades e estados, que vêm trazer o ensino da Palavra. Acho bom destacar que o Rhema não é uma igreja, é uma escola. Fazer parte do Rhema não substitui a frequência à igreja. Porém, o Rhema é uma escola do espírito. 

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