sábado, 4 de junho de 2016

Rede cristã se manifesta sobre o escândalo “Panama Papers”


“O cheiro nojento do dinheiro sujo, que todos os dias é depositado em contas bancárias secretas, contamina a sociedade”, afirma o documento divulgado pela Rede Miqueias, uma organização cristã internacional que trabalha em prol da diminuição da pobreza e injustiça no mundo.

A manifestação de Rede se deu por ocasião do escândalo que ficou conhecido como “Panama Papers”, uma investigação feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) sobre a indústria de empresas offshore. Esse tipo de empresa pode ser usada para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento de seus verdadeiros donos.

A Rede faz um apelo aos governantes em favor da integridade e lembra do exemplo de Zaqueu, o coletor de imposto corrupto:

"Apelamos aos nossos líderes, seja em nível do governo federal, estadual e municipal, de empresários, bem como de líderes das comunidades de fé, que deem o exemplo e assegurem que todos os cidadãos sejam tratados da mesma forma perante a lei, não permitindo que a carga tributária sejar transferida dos mais ricos para os mais pobres.

Esta posição visa à promoção da justiça e da transparência, da igualdade e da equidade. Quando Zaqueu, o cobrador de impostos, foi confrontado por Jesus, mudou a sua atitude e devolveu em quadruplicado o que tinha roubado aos seus concidadãos (Lucas 19:1-10). Apelamos a todas as pessoas e empresas que detêm recursos em paraísos fiscais a agirem da mesma forma. Assim, poderá ocorrer uma verdadeira mudança na sociedade em que vivemos."

O documento da Rede Miqueias ainda critica a postura dos Estados Unidos e da União Europeia, que estariam fazendo “vista grossa a um sistema financeiro que, muitas vezes, funciona à margem de qualquer enquadramento legal e do conhecimento e fiscalização das entidades reguladoras”. Diz também que “por cada vida desnecessariamente perdida, por cada dólar roubado, por cada ser humano explorado através do pagamento de salários injustos, Deus vai exigir que as nações e os indivíduos prestem contas pelas suas atitudes”.

A investigação
Segundo matéria da Agência Brasil, o ICIJ, com apoio do jornal alemão Süddeutsche Zeitung, teve acesso a 11,5 milhões de documentos ligados ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Os documentos mostraram que a Mossack Fonseca, é uma das maiores criadoras de empresas de fachada do mundo. A documentação analisada apontou a criação de 214 mil empresas offshore ligadas a pessoas em mais de 200 países e territórios.

As descobertas das investigações, que a Rede Miqueias chamou de “um mundo de injustiça que nos causa um sentimento de profunda indignação”, envolvem 140 políticos de mais de 50 países, ligados a empresas offshore em 21 paraísos fiscais. 

De acordo com o portal UOL, um dos grupos de comunicação que participou da investigação dos documentos relacionados ao Brasil, os papéis do "Panama Papers" mostram 107 empresas offshore vinculadas a pessoas ou empresas envolvidas nas investigações da operação Lava Jato e mostram também que o escritório de advocacia panamenha Mossack Fonseca criou ou vendeu empresas offshore a políticos de sete partidos brasileiros ou parentes deles.

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