quarta-feira, 25 de maio de 2016

Catador de lixo reciclável montou templo em que prega como pastor


Aos domingos, Ezequiel Gomes acorda às 6h, veste seu terno e exerce a vocação de pastor em sua igreja. Durante a semana, ele enfrenta uma jornada de 15 horas diárias de trabalho como catador de lixo para reciclagem, nas ruas da zona norte de São Paulo.

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Ezequiel, de 49 anos, vive numa casa simples do bairro Jardim Brasil, e percorre as ladeiras da Vila Guilherme Alta coletando lixo — mesmo sem ter o braço direito há 11 anos.

Mesmo com sua deficiência, Ezequiel diz carregar até meia tonelada de material, dividida em três carrinhos. "Aprendi a usar cada músculo de meu corpo e a força das coxas e do peito", disse ele ao jornal Folha de São Paulo. "Faço o serviço que ninguém quer, acho que já acabei com muito foco de dengue".

Após um acidente com um carrinho de entulho, em 2005, os médicos amputaram o braço do catador. Para ele, o procedimento foi desnecessária e, há nove anos, move ação judicial contra um hospital público da capital.

Ezequiel relata que após idas e vindas às unidades hospitalares, sentindo fortes dores, finalmente recebeu o diagnóstico de que não haveria recuperação. "Fiquei triste, mas logo esqueci a depressão e voltei a trabalhar, com alegria", afirma.

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Há quinze anos na profissão, hoje Ezequiel tem a renda mais alta da família, de nove pessoas. "Não tenho diversão maior do que encher a geladeira de casa", disse ele, que antes teve carteira assinada como segurança e ajudante de pedreiro.

Ezequiel abraçou a fé em Jesus Cristo após uma juventude marcada por delitos que o levaram à prisão. "Foram drogas e outras bobagens, mas foi preso que conheci a palavra de Deus, a minha missão."

Com uma renda de cerca de R$ 1.000, ele mobiliou a igreja em que prega, a Assembleia de Deus do Parque Edu Chaves. O catador conseguiu comprar bancos, filtro d'água e até uma bateria para acompanhar o ritmo dos cultos.

Aos domingos, cerca de 40 fiéis ouvem suas mensagens. "Cresci num bairro em que muita gente se desgarrou, mas não podemos ceder à tristeza", diz o pastor.

Fonte: Guia-me

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