domingo, 14 de fevereiro de 2016

Morre o artesão Manuel Eudócio

Manuel Eudócio está sendo velado no Alto do Moura
De acordo com informações dos familiares, o sepultamento de Manuel Eudócio será às 16h, no Cemitério Parque dos Arcos. O velório acontece na Igreja Vale da Benção, no Alto do Moura.

Cantarei o barro, porque nele esteve a vida
e este sangue que ferve em nosso corpo.
Meus olhos de barro pressentem o repouso
e o clarão imortal de uma outra vida.

Cantarei o barro porque foi amassada
a nossa carne do barro inconsistente
e na argila curtida e inanimada
o sopro de Deus entrou como a semente.
Louvação do Barro de Mariano Manent Tradução: João Cabral de Melo Neto


A cultura de Caruaru perdeu na noite deste sábado, 13 de fevereiro, mais um de seus mestres. Nos deixa aos 84 anos, Manuel Eudócio Rodrigues, possivelmente mais uma vitima Chicungunya.
Aquele que é considerado último remanescente vivo da geração de Vitalino. Era 22 anos mais moço que Vitalino.
Mestre Eudócio, nasceu no Alto do Moura, em dia 28 de janeiro de 1931, sua família era de ceramistas que trabalhavam na produção de peças utilitárias, como panelas, jarros, potes, etc. Seu primeiro contato com o barro foi então desde criança, inclusive com seus próprios brinquedos.
Em 1948 Manuel Eudócio conheceu Vitalino, quando este se mudou de Sítio Campos para o Alto do Moura e torna-se então discípulo do mestre, e com seu cunhando Zé Caboclo passa a produzir esculturas em barro natural.
Dos nove filhos de Manuel Eudócio, dois deles – Carlos e José Ademildo trabalham na arte de moldar o barro. Seu trabalho alcançou um grande reconhecimento nacional, especialmente nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, além de Pernambuco. No exterior, conquistou clientes alemães, franceses, portugueses e norte-americanos. Foi uma peça sua, Família de retirantes, que o presidente Lula escolheu como presente para o Papa Bento XVI em uma visita sua ao Vaticano.
Em 2002 Manuel Eudócio foi um contemplado com o título de “Patrimônio Vivo de Pernambuco”, através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.
Em agosto de 2005, o artista foi homenageado com uma exposição individual – Manuel Eudócio: Patrimônio Vivo, realizada na Sala do Artista Popular do Museu do Folclore do Rio de Janeiro e neste mesmo ano foi homenageado na FEBRARTE (Feira Brasileira de Artesanato) no Recife com uma exposição intitulada – Manuel Eudócio, um cronista do seu tempo.
No ano passado, foi um dos homenageados do São João de Caruaru, ao lado do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e Heleno dos 8 baixos (ambos in memorian).
Obras do mestre Eudócio fazem parte de acervos permanentes de museus como:
    1. Museu do Homem do Nordeste – Recife
    2. Museu do Barro – Caruaru
    3. Museu Casa do Pontal – Rio de Janeiro
    4. Museu do Folclore do Rio de Janeiro
    5. Museu de Arte Popular – Recife
    6. Museus Castro Maya – Rio de Janeiro

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