segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A HISTÓRIA DE PEDRO CASSEMIRO DA SILVA - Um Homem Valoroso!

No dia 10 de dezembro deste, Cassimiro completou 90 anos de vida. Presentia é grata à Deus por sua vida exemplar de dedicação à Deus e a sua obra. Em versos, ele escreveu sua autobiografia, que publicamos nesta postagem:


Nasceu no Brejo da Pitombeira, 
lá tinha uma fonte de água contínua, 
só não tinha cachoeira, 
era um lugar muito alto, 
lugar de muita ladeira, 
era Município de Caruaru, 
tinha muita mangueira, 
caju e bananeira, 
só não tinha o nome do Brejo 
que se chamava Pitombeira. 

Nasci em uma época de crise, 
e minha mãe não tinha leite para eu mamar, 
nem cabra leiteira, 
naquele tempo um quilo de bacalhau 
custava quatro reis, 
papai comprava bacalhau, 
minha mãe fazia mingau, 
era do que me alimentava. 

Meu pai se mudou para Caruaru, 
com toda familiação, 
fomos morar em uma casa de taipa, 
e ele foi trabalhar no Curtume Souza Irmão, 
nessa casa morreu meu irmão Antonio, 
com sete anos, de que doença eu não sei não, 
só sei que meu pai não 
tinha dinheiro pra comprar o caixão, 
foi pedir emprestado ao patrão, 
ele disse: leve em uma telha, 
dinheiro eu não lhe dou não. 

Depois alugou uma casa isolada, 
quase na beira do rio, era de taipa também, 
a nós não fazia bem, 
deu uma peste de percevejo na minha cama, 
que eu dormia também, 
nesta mesma casa eu tive sarampo e catapora, 
vivíamos em crise, só não pedíamos esmola, 
houve uma época que ouve uma crise geral na Nação, 
comemos feijão bebido, veja que situação, 
isso porque não tinha xerém, nem fubá, 
farinha não tinha também. 

Depois fomos morar em uma casa 
que ficava perto do Sesi, 
em frente do Curtume Souza Irmão, 
isto é muito ruim, quando não se tem 
uma casa própria pra morar meus irmãos. 
Eu já estava estudando no primeiro ano primário, 
veja o que aconteceu: 
isto é tudo provação, 
eu tive uma doença que chamava de Maleita, 
outros chamavam de Sezão, 
só que o nome Científico eu ainda não tive instrução,
 foi isto que impediu de eu não ter 
desenvolvido, nesse tema que chamam de Educação,
 foi o que atrasou, 
pois só atingi o segundo ano primário, 
isto pra mim é dissabor, 
ainda morava nesta casa, 
e veja o que aconteceu: 

minha mãe foi lavar roupa no Rio Ipojuca, 
e disse para eu cuidar da panela, 
para o feijão não se queimar, 
pra quando teu pai chegar não 
tenha o alimento na hora para se alimentar, 
e não fique com raiva, 
e queira te surrar, 
mas o que aconteceu,
 é que eu não obedeci  
e fui brincar, quando levantei a cabeça, 

a hora estava a chegar, 
então corri, o fogo estava apagado, 
e eu logo acendi, quando começou a ferver 
com a quenga eu espremi, 
e o fundo da panela se quebrou, 
e toda a água da panela a minha barriga queimou,
e comecei a chorar, 
isto é, com muita dor. 

Quando meu pai chegou para almoçar, 
não tinha feijão cozido, eu não sei com que comida, 
ele conseguiu se alimentar, 
ou se voltou para o trabalho sem almoçar, 
isto porque a minha mãe não tinha chegado, 
as roupas eram muitas, 
e ainda não tinha terminado de lavar, 
nesta mesma casa, 
eu e outros amigos estávamos 
brincando de nos esconder, 
e eu para eles não me encontrar, e dissesse: é você!  

Eu tentei subir na parede, e tinha um prego, 
e nele eu pisei e me estripei, 
não podia subir e me esconder, 
e também não podia descer, 
veio alguém com uma escada para me socorrer.
Eu não era respondão, 
mas era desobediente, veja bem, 

o Rio Ipojuca estava com enchente, 
minha mãe disse: 
não tome banho hoje não, 
para não se afogar, 
eu insisti e fui tomar, 
no primeiro mergulho, 

veja o que aconteceu: 
eu fiquei enganchado 
em uns caibros com arame farpado, 
gritava mas ninguém me ouvia, 
estava desesperado, 
pensava que minha hora de morrer 
tinha chegado, 
porém eu fiz muita força, 
e me soltei, só que quando saí do Rio, 
observei  um grande corte no joelho, 
e com a dor, o sangue descendo eu chorei, 
e fui chorando para casa, 
e minha mãe falou: 
isso só acontece, 

quando o filho não obedece 
ao pai, a  sua mãe, e ao Nosso Senhor, 
era para eu ir para o hospital, 
usar remédio e pontear, 
porém, minha mãe tratou de mim 
e o corte sarou, mas a cicatriz 
ficou a te hoje, isto foi um horror! 

Quando eu estava com dezesseis anos 
eu tomei uma decisão 
de ir embora de casa, a fim de mudar a situação, 
e disse pra minha mãe: 
se eu não mudar essa vida de crise, 
para casa eu não volto não, 
fui para Recife, trabalhei 
em uma construção, 
como era de menor, 
o trabalho era pesado e eu não agüentei não, 
trabalhei em uma padaria e também 
em uma carvoaria, porém nada 
arremediaria. 

Um dia, fui assistir a uma partida de futebol, 
quando terminou, não tinha mais condução, que horror! 
Dormi na bilheteria e quando acordei, 
verifiquei que alguém tinha me roubado, e a situação agora? 
Como eu enfrentaria? 
E agora minha cabeça doía, 
estava desempregado, sem casa pra morar, 
algumas vezes dormi nos matos, embaixo de um Pé de Trapiá, 
vendo a hora de uma cobra me picar, 
e eu não quero mentir não, 

minha barriga de fome estava a roncar, 
e eu nunca tive o costume de pedir ou de roubar, 
era ruim a situação, a fome era de não poder suportar, 
logo eu tomei uma decisão, 
fui para a estação ferroviária, e comecei a andar, 
encontrei um cidadão que era empreiteiro 
de um trem que transportava lenha, 
de Albuquerque até a estação central, 

ele me arrumou trabalho, 
e me adiantou dinheiro pra eu lanchar, 
logo eu entendi que ele era uma pessoa especial, 
trabalhei até quarenta e cinco, 
data que a segunda guerra terminou, 
graças a Deus, pois aquela guerra foi um horror! 

Viajei ainda até  São Caetano, nesta cidade eu parei, 
isto porque adoeci, só que de qual enfermidade
eu não sei, fiquei em um vagão de descanso, 
só que o descanso eu não experimentei, 
doente não tem descanso, estava na expectativa de partir 
desse mundo e descansar de uma vez.

Eu tinha dito a minha mãe, que para Caruaru, 
só voltaria se fosse em boa situação, 
como a situação estava pior, 
eu morreria em São Caetano, 
pra Caruaru jamais regressaria,  porém, 
alguém disse a minha mãe 
que eu estava doente em São Caetano, 
dentro de um vagão de trem, 
esse alguém eu não sei, 

só sei que o que ele fez, fez muito bem, 
quando eu menos esperava, 
mamãe me surpreendeu,  
e na porta do vagão ela logo apareceu, 
e disse: meu filho, aqui estou eu, 
vamos para casa, Eu Te Amo, com o amor 
que Deus me deu, porém eu retruquei e disse: 
lembra o que eu lhe falei?  

Que não voltaria para casa pior do 
que quando a casa eu deixei? 
Ela disse: vou levar você para o Salgado, 
pra casa dos meus pais, eles são bons demais, 
O Nosso Deus é cheio de compaixão, 
você vai ficar curado de todas as enfermidades, 
mesmo que seja dos pulmões. 

Minha mãe foi a um médico conhecido dela, 
e contou a situação, o médico mandou dar uns 
comprimidos para qualquer inflamação, 
e também vitaminas para minha perfeita restauração, 
minha mãe foi falar depois com 
um compadre dela, chamado Sebastião, 

pediu para fazer um terno completo, 
com perfeição, ele era um alfaiate 
que tinha um bom coração, 
fez do tecido de Raiom, hoje esse tecido não existe mais não, 
depois comprou um par de sapatos, 
levou o terno e o par de sapatos 
e colocou em minhas mãos e disse: 

agora calce o sapato, e vista o terno, 
vamos para a nossa casa, 
Na Vila São João, então eu fiz o que ela pediu, 
e fui rever o meu papai e todos os 
meus irmãos, e quando lá cheguei, 
pedi a bênção a meu pai, o beijei e o abracei, 
e abracei a todos os meus irmãos, 
e os beijei, e não suportei 
a emoção e chorei, 

os vizinhos vieram cada um 
de suas casas, 
dar as boas vindas e me abraçar, 
e sorri de alegria, 
porque tanto a minha família, 
como os vizinhos, pensavam que eu já não existiria. 

Fiquei ainda em recuperação, 
minha mãe me dava as vitaminas e boa alimentação, 
eu estava já em condição de trabalhar, 
ganhar dinheiro, para comprar algumas coisas 
que estava a precisar, 
e também para as despesas do lar 
eu ajudar, minha mãe foi falar 
com os meus padrinhos, 

Adelaide e Pedro de Souza, 
que eram ricos bonzinhos, 
ele era Prefeito de Caruaru, 
era um homem de ação, 
e também era sócio principal do Curtume 
chamado Souza Irmão, 
ela disse: arrume um emprego 
para seu afilhado, Pedro, 
que está sem trabalhar, 

na Prefeitura ou no Curtume, 
ou em qualquer outro lugar, 
ele arrumou no Curtume, 
o trabalho era pesado, 
e eu não consegui suportar, 
ela voltou, foi com meu Padrinho falar, 

e disse que eu era muito raquítico, 
não podia aquele trabalho enfrentar, 
ele me mudou de trabalho, 
era bem maneiro, em uma seção especial, 
era em uma máquina que media as vaquetas, 
para depois embalar. 
Eu já estava treinando e jogando no 
Time Leão Dourado, 
da segunda divisão,
 porém, era respeitado em Caruaru, 

Agreste e também em todo o Sertão, 
um dia eu estava jogando, 
e tinha um olheiro prestando bem atenção, 
só que eu não sabia quem era o olheiro não, 
quando foi um dia eu estava a trabalhar, 
e chegou um sócio da firma e 
mandou eu a máquina parar, 
e eu fiquei esperando o que ele 
queria falar, ele logo me disse: 

Ó rapaz, você trabalha em secção especial, 
ganhando um bom salário, 
porque não vai nos ajudar e jogar em nosso time, 
e muitas alegrias nos dar? 
E marcar muitos gols, 
e ter aplausos da torcida, 
que nos braços vão te carregar, 
então eu disse: meu patrão,

eu não tenho futebol para jogar em 
seu time não, o seu time é primeira divisão, 
e o meu é uma pelada da segunda divisão, 
ele disse: eu não aceito a sua 
resposta não, o meu olheiro 
foi ver você jogar, e lhe causou admiração, 
ele trabalha aqui conosco, 
junto com seus irmãos,

vá sexta-feira treinar, 
e no domingo jogar, se você for aprovado, 
eu vou o seu salário aumentar. 
Foi isto que aconteceu, 
então eu joguei cinco anos, e em todos  fui campeão, 
eu já era noivo, com a idéia de me casar, 
pedi pra sair, e fui em São Vicente 
trabalhar em um Curtume que tinha um time 
de segunda divisão, 

que chamava-se Industrial, cheguei em um sábado 
de setembro, e já no domingo eu fui jogar,
 joguei três anos como titular, 
no fim de outubro eu saí de férias, 
e fui pra Caruaru me casar, 
cheguei lá, fui a Indústria visitar, 
o dono do Vera Cruz disse: 

seu emprego está seguro, e o time para jogar, 
eu disse pra ele: eu vim de férias, 
somente pra casar e voltar, em vinte e seis de novembro, 
eu me casei, e de lua-de-mel pra São Vicente 
eu voltei, só que não deu mais certo não, 
eu saí e fui em Utinga trabalhar, e jogar em um time chamado 
Corintinha, também não era profissional, 
eu trabalhava na Ultralar, 

que era uma firma muito boa, de um salário especial, 
também disputava o campeonato do Sesi, em campo profissional,
 foi então que fraturei o dedão, 
e eu pendurei a chuteira, também a idade para o 
futebol já estava um pouco avançada. 
Em mil novecentos e sessenta, eu adoeci e 
para Caruaru eu voltei, 
eu tinha quatro filhos, só que o mais novo em São Paulo faleceu, 
só cheguei com Marinalva, Maurício e Marilene, 
porém tudo é consentimento de Deus, 

em Caruaru eu estava tratando da saúde, 
não podia trabalhar, porém minha esposa era uma heroína, 
e foi o trabalho enfrentar, 
e as despesas da casa nunca chegou a faltar, 
ela não gostava de crente não, 
mas com conselho de uma irmã, 
ela foi para o Caiucá, onde tinha uma Congregação, 
somente com interesse de receber alimentação, 
e roupas que os dirigentes faziam a distribuição. 

Eu era católico praticante, na Congregação 
eu não ia não, eu todos os domingos assistia a missa, 
me confessava com os padres, e acompanhava procissão, 
só que minha esposa que havia ido para a Congregação, 
para receber alimento e roupa, 
mas para ouvir a Palavra não. Olha o que aconteceu: 
lá em São Paulo, eu só trabalhava e jogava, 
tempo para ir a igreja me confessar, 
eu não tinha não, quando em Caruaru 
eu fui me confessar com Frei Tito, ele perguntou: 

quantos anos fazem que você se confessou? 
Eu disse: seis anos,  ele ficou com raiva e levantou a mão 
e disse: vá embora, pois você eu não confesso não,  
eu saí dali chorando e disse: 
isto é um horror! Isto é uma tentação! 

Naqueles mesmos dias, minha esposa 
que não gostava de crente, 
que tinha ido para a Congregação, mas não sorridente, 
me surpreendeu e disse: Nêgo, você é meu marido, 
e um grande amigo meu, vamos para a 
Igreja com os nossos filhos? 
Se você me ama, pois eu não gostava de crente, 
mas agora entendi, tudo o que eles 
pregam é a Palavra de Deus, 
Nêgo você sabe que eu era quase um ateu. 

Ela muitos meses insistiu, com muito amor, 
sobre esse assunto ninguém nunca discutiu, 
por ela muito insistir, quando em um domingo, 
com ela e nossos filhos eu estava querendo ir, 
veja, todos os sábados ela já deixava o feijão cozinhado, 
e a carne guisada também, para no domingo não haver atraso, 
e não chegar na Escola Dominical atrasados, 
ela ainda não sabia da minha decisão, 
no domingo eu acordei mais cedo do que ela, 
e acendi o fogão, fiz o café, preparei o arroz 
e o macarrão, quando

ela acordou, na hora Agar,de preparar o café, 
e dar banho nos meninos, e para a Escola Dominical marchar, 
ela gritou! Nêgo, você perdeu o sono? Ou adoeceu? 
Eu disse: não Isabel, nada disso aconteceu, 
eu tenho uma surpresa para você, assim disse eu, ela perguntou, 
a surpresa é boa ou ruim? Por favor, 
diga a eu, eu disse: hoje eu vou com você e nossos filhos a 
Escola Dominical, ela de emoção começou a chorar, 
e depressa deu banho nos meninos, deu café, 
trocou de roupa, para eu não me arrepender, e
 me arrancar, e ir para o bilhar, não,

não foi isto que aconteceu, eu fui com ela e os filhos para a Igreja, 
isso era plano de Deus, era a primeira iniciação, 
a noite fui outra vez com ela e as crianças, 
para o Culto Solene, assistir a pregação, 
com os ouvidos  atentos, com toda atenção. 
Quem ia dar a Mensagem era Silas Alexandrino, 
Pastor que amava, e pelas almas ele tinha compaixão, 
ele leu Mateus onze, de vinte e oito a trinta, 
e fez a explanação, na hora que estava a ouvir, 
eu me lembrei então, que o padre havia me expulsado, 
não me confessou não, aquilo foi um horror! 

Porém na hora da pregação, o Pastor falou: 
Jesus está chamando todo o pecador, 
do jeito que está, porque Ele é amor, e quer a todos salvar, 
e escrever os nomes no livro da vida, 
onde ninguém pode mais tirar, 
e disse: quem quer a sua vida mudar? 
Confessar os seus pecados e a Jesus aceitar? 

E a certeza de quando partir daqui, eternamente 
lá no céu vai morar, e junto com os anjos e todos os salvos, 
formar um Grande Coral Celestial, 
e por toda a eternidade, só Ao 
Senhor louvar, ali agora é gozo eterno, 
naquela Cidade Celestial, onde não há 
doença, nem dor, nem ingratidão, 
morte já não existe mais não, 

é só alegria ao lado do Senhor, e todos os anjos 
por toda a eternidade, e somente louvor, 
e todos receberão a coroa, pelo trabalho que fez pelo Senhor. 
Quando o Pastor fez o apelo, eu fui me entregar, e disse: 
o padre me recusou, porém Jesus Cristo 
já me perdoou, quando na cruz com seu sangue me lavou, 
agora eu quero lhe servir na causa do Senhor, 
me batizei junto com minha esposa, agora iniciei, 
comecei no meu lar, a orar por eles e com eles, 
a ler a Palavra e com eles me edificar, 

todos os dias fazia o Culto no meu lar, e levamos a Palavra 
para meu pai e minha mãe, meu pai chegou a se batizar, 
minha mãe creu na igreja católica, não fui mais, 
veio uma comissão para lhe confessar, ela disse: só com Deus 
Nosso Pai Celestial, é que eu conto os meus pecados com convicção, 
mas a confissão  auricular, nos pés dos padres, 
eu não faço mais não. Depois eu e minha esposa 
fomos para São Caetano, o Sítio Oró, Pau Ferro e Boqueirão, 

evangelizar toda família, com sede das suas almas, 
com amor no coração, o pai de Isabel creu, e a mãe dela também, 
não chegaram a se batizar, porque adoeceram e logo Deus os quis levar, 
porém eu sei que no Paraíso os dois já estão, toda a 
família da Isabel se converteu, pai, mãe, filhos, filhas e netos, 
para que não dizer, até alguns bisnetos chegaram 
a crer, é grande a familiação, já tem seis Pastores, 
e duas Missionárias espalhados por toda esta Nação. 

Abrimos uma Congregação em Boqueirão, minha esposa Isabel  
e todos os filhos davam aquela colaboração, 
os trabalhos nas tardes de domingo eram externos, 
porque no salão não cabiam, porque crianças, 
jovens e adultos para lá corriam, duas filhas minhas: 
Marilene e Marineide, ficavam com as crianças, 
que eram a maioria, quase cem crianças lá se reuniam. 

Por motivo especial entreguei o trabalho, o trabalho digo:  
a Congregação, a  Segunda Igreja Congregacional, do 
Bairro Kennedy, com muito amor, para um desafio maior. 
Quem era o Pastor naquele momento era Armando Filho, 
depois eu fui evangelizar a Zona Rural de Caruaru, 
porque era a vontade de Deus que 
eu estivesse lá, ás vezes eu encontrava 
um irmão para me acompanhar, 
naquela tarefa que eu tinha a executar, 
ás vezes eu ia sozinho evangelizar, 

de Xique-Xique, até Lageiro do Cedro, de casa em  casa, 
de lar em lar, entregando literatura, e ás vezes precisava orar, 
e deste trabalho surgiu a primeira Congregação, 
em um lar em Serrote dos Bois de Baixo, 
ali muitas almas a Graça de Deus quis alcançar, 
depois foi construída a Igreja de Deus em 
Serrote dos Bois de Baixo, a qual muitas almas tem aderido, 
e o trabalho tem crescido e desenvolvido, já tem mais 
de oito pontos de trabalho na Zona Rural, 
Deus tem abençoado e Jesus tem salvado muitos cristãos, 
com o Poder do Espírito santo testemunhando. 

O Pastor da Igreja naquela época era o Pastor Ilton, 
Pastor de poder, destemido. 
Em Janeiro de 1993, eu fiz o Curso  de Evangelista Nacional, 
no Seminário de Ouro Preto em Olinda, 
para aprender mais almas ganhar, não posso dizer como o 
Apóstolo Paulo,  que trabalhava mais do que os demais, 
só posso dizer que Deus tem me usado, 
para não voltar atrás. Ainda em 1993, eu fui consagrado 
e ungido como Pastor, pelo Supervisor Willames, 
Supervisor do Nordeste, Pastor do Seminário, 
que era humilde, com o dom do amor, 
pastoreei a Igreja de Serrote dos Bois, 
até o fim de 1999, data em que entreguei o trabalho, não por 
discórdia, porque essa Igreja eu sempre amei, 
pois o que fiz, não fui eu, mas 
Cristo em mim, isto afirmo eu. 

Depois fui a São Paulo, depois de muita oração, 
para tratar da saúde da minha esposa, que estava com depressão, 
em São Paulo os médicos disseram que  a doença  era nervo, 
e que calmante era a solução, e que o tratamento era demorado, 
porque foi originado por muita perturbação, então continuamos
 o tratamento conforme a orientação, em São Paulo no primeiro dia de dois mil, 
ela já havia dito que estava com um nódulo no seio, isso era ruim, 
a notícia não era boa, nem para  ela, nem para mim, fomos para 
o hospital fazer uma mamografia, e o resultado confirmaria, 
confirmado então, fez novos exames e marcaram a operação,
 era maligno, teve que extrair  todo o seio, 
para todo mal sumir, foi isto, 
em doze de janeiro de dois mil, 
deste mal ficou completamente curada, porque as orações dos santos, 
Deus as ouviu, voltamos para Caruaru em setembro, 
e fomos a um médico Psiquiatra, ele descobriu que ela 
tinha Mal de Alzaimer, e não tinha cura, era progressiva, 

só uma cura divina, pelo seu amor, pois Ele tudo pode, 
tudo está em baixo, mas Ele está por cima, o médico deu três anos de vida, 
mas Deus deu oito anos, não é o homem, e sim Deus quem determina. 
Em trinta de Setembro de dois mil e sete, ela piorou, 
telefonamos para o médico, ele chegou, colocou logo na ambulância , 
e os aparelhos ligou, levou para o hospital, 
e levou logo para a UTI, em uma cama colocou, 
e disse para nós, ás vezes que ela esteve aqui, 
para casa regressou, porém agora é impossível,
 a pressão dela desabou, quando foi ás oito horas da noite, 
Papai do Céu a levou, saiu da Terra dos viventes, 
o Ministério dela terminou, quando foi no primeiro de outubro, 
a família a sepultou, eu e toda a família aqui ainda estamos,

 pois tudo é determinação do Criador, estamos a esperar os nossos dias, 
ou a segunda  vinda do Senhor, para transformar os cristãos vivos, 
e ressuscitar os que dormiram no Senhor, e levar para um lugar 
de gozo eterno, e deixar este mundo de horror. 
Eu já estou a completar oitenta e sete anos, 
isto tudo é bênção do Deus de amor, esperando quando 
Ele me levar, eu me encontrar com Deus e todos os anjos, 
com a Isabel e todos os irmãos que lá estão, 
para a todos os abraçar, porém eu sempre peço a Deus, 
enquanto Ele  com vida me conservar, eu seja um dos ramos 
ligado a Ele que é a Videira Verdadeira, que não deixe de 

 frutos a Ele dar. Não estou sozinho, Ele comigo sempre está, 
e tenho comigo os meus filhos, que Deus nos deu, que a Isabel deixou, 
que estão cuidando de mim, até o tempo que Deus determinar, 
enquanto eu aqui estiver, nesse caminho estreito andar, 
não quero me acomodar, que Deus me dê mais disposição, 
fé e amor, para eu terminar o Ministério que Ele me quis outorgar, 
até quando Ele me vier buscar, eu sei que Ele sempre quis o 
melhor para mim, e o melhor de todos ainda está para vir, 
e eu estou esperando, e na obra ocupado aguardando, 
pois a Palavra diz que Ele vem como um ladrão, 
e Ele não quer nos encontrar sem a unção, quer me encontrar 
com a lamparina acesa, clareando alguns que ainda estão na escuridão. 

Eu agradeço a Deus pela minha vida física, eu agradeço a 
Deus pela minha vida espiritual, eu agradeço a 
Deus porque pela Tua Graça Jesus, 
O Messias na cruz, veio me salvar, 
eu Pedro Cassemiro quero sempre te amar.

Presbítero Pedro Cassemiro da Silva.
6ª IEC Vale da Bênção Boa Vista II

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