segunda-feira, 2 de junho de 2014

Leon Neto - Xuxa e a Lei da Palmada


Mesmo afastada da TV temporariamente, Xuxa não consegue ficar fora dos noticiários. Sua recente aparição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara durante a votação da proposta de lei PL 7672/10, a chamada “Lei da palmada” causou bastante estardalhaço. E olha que Xuxa nem falou nada; apenas se fez presente à convite de Ideli Salvatti, ministra dos direitos humanos (e precisa um ministério só pra isso?)

Na verdade a notícia maior não foi sua presença na votação, mas sim a reação do deputado Pastor Eurico (PSB-PE), que vociferou palavras ofensivas à apresentadora infantil. Pastor Eurico acusou Xuxa de querer destruir as famílias brasileiras de ter provocado “a maior violência contra as crianças em um filme pornô”, numa referência ao filme de 1982 “Amor , Estranho Amor”, no qual Xuxa faz uma cena de sexo com um menino de 12 anos. Pr. Eurico foi tão enfático e agressivo, que terminou sendo sumariamente destituído da vaga na CCJ. 

Durante o episódio, Xuxa , que não tinha permissão para responder ao deputado, apenas se limitou a sorrir e a fazer aquele infame sinalzinho de coração com a s duas mãos, em direção ao deputado. Não dá pra saber se Xuxa estava sendo sincera no seu gesto ou apenas ironizando o deputado. 

Os que acompanham a coluna sabem muito bem que eu não nutro nenhuma simpatia pela apresentadora Xuxa; muito pelo contrário, não canso de me admirar em como uma pessoa tão sem talento e conteúdo conseguiu fazer esse sucesso todo. Mas é preciso dizer que o Pr. Eurico além de deselegante foi grosseiro e até mesmo anticristão. Eu até entendo o Pr. Eurico por questionar a presença de Xuxa na votação; de fato ela não deveria ser padrão de conduta para família nenhuma. Claramente foi convidada com fins políticos e eleitoreiros. Também entendo o questionamento da própria “lei da palmada”; Basta ler o texto rapidamente para ver que ela é subjetiva e não acrescenta nada às leis em vigência. Castigo físico com lesão corporal é contra a lei para qualquer indivíduo, de qualquer idade. Além disso, é uma tremenda invasão à privacidade das famílias de bem, que devem ter o direito de educar seus filhos da maneira que acharem melhor. O que vai ser depois disso, fazer uma lei dizendo a que horas temos que botar os filhos na cama, o tipo de cereal que podemos dar a eles? 

Voltando à reação do Pr. Eurico, claro que a participação de Xuxa no filme é indefensável, mas ela tem todo o direito de mudar de ideia e se arrepender de atos passados. Na época do filme ela não tinha nem completado 20 anos. Quantos de nós também não fizemos atos condenáveis com essa idade? Eu certamente me arrependo muito de bobagens que fiz quando era mais jovem. O que não compreendo bem é por que Xuxa continua tentando negar os fatos, apagar a história. Para quem não sabe, Xuxa conseguiu uma liminar há alguns anos, e tentou tirar de circulação todas as cópias do filme do mercado brasileiro. 

Não existe nada mais Cristão do que o principio da metanóia, da mudança de vida. A Bilia diz que “todos pecaram e destituídos estão da Graça de Deus”(Romanos 3:23). Mas, nós não precisamos mais ter nenhum vinculo com o passado, com os erros cometidos, desde que haja arrependimento autêntico, desde que haja conversão genuína; o sangue de Cristo nos justifica de todo o mal, de todos os pecados, qualquer um. Mas negá-los é um absurdo. Parte do processo de conversão se dá justamente em RECONHECER os pecados; só depois disso é que se pode conseguir o perdão de Deus e experimentar um novo nascimento, uma nova vida.

Quem passa por esse processo não tem vergonha, nem tenta esconder os maus passos dados; eles fazem parte da nossa trajetória, nossa história. Vejo muito ex-drogado, ex-prostituta, ex-criminoso, que todos os dias compartilham seus testemunhos de transformação sem esconder nada. Muito pelo contrário, se orgulham de dizer quem eram, o que faziam e quem são hoje, como foram transformados. Dia desses li uma nota sobre um ex-ator pornô que hoje é pastor e vive dando seu testemunho pelo Brasil.

Se Xuxa teve um arrependimento autêntico por sua participação no filme “Amor, Estranho Amor”, não deveria se preocupar com criticas ou ressentimentos e não deveria estar nem um pouco preocupada em esconder o seu passado. Xuxa deveria pensar menos no passado e mais no que vai fazer com o seu presente. Ainda há tempo para conhecer o perdão e a graça de Deus através de Jesus Cristo. 

Um abraço, 

Leon Neto 

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