quarta-feira, 23 de abril de 2014

Os melhores filmes, segundo o Oscar

Em todos os anos procuro assistir aos filmes indicados para o Oscar de Melhor Filme. Não porque acredito que a Motion Picture Association of America possui os maiores padrões de excelência, mas porque suas indicações acabam elevando as obras para o corpo de produção artística que compõe parte importante da consciência coletiva da nossa geração. 

Me expor à cultura faz parte do meu trabalho. Como editor de livros, não posso me dar ao luxo de viver enclausurado atrás dos condomínios fechados da ideologia consensual. Tudo que contribui para um amplo conhecimento histórico e cultural dos nossos dias pode nos preparar a afinar nosso discurso como cristãos, ou pelo menos nos proteger contra a irrelevância. 

Mas meu interesse não é apenas acadêmico. Estou sempre atrás de novas manifestações de beleza e verdade que possam dar maior significado e dimensão à vida. Há tempos percebo que qualquer novo “insight” apenas abre o apetite cada vez mais. Nosso universo é rico, e eu ainda sou muito pobre.

Os filmes do Oscar já passaram pelos cinemas do Brasil. Já foram premiados, e já dão lugar para o novo “cânone” que vai se desenhando para o ano em curso. Mas vale a pena considerá-los sob o ponto de vista de sua contribuição para aquilo que valorizamos como cristãos.

A seguir, minha lista dos nove filmes do Oscar, por ordem do proveito pessoal que arrebatei deles, em termos de temas de redenção, “insights” sobre as verdades da vida e expressividade artística.

Philomena
Após engravidar durante a adolescência, a pequena Philomena Lee (Judi Dench) é levada pelos pais consternados para ser criada num convento irlandês. O filho nasce, e certo dia Philomena descobre que as freiras haviam permitido que o menino fosse adotado. Décadas mais tarde ela decide procurar o filho, com a ajuda de um jornalista desempregado. O itinerário da procura desnuda as suas emoções reprimidas, e transforma até o cinismo do jornalista. Uma história de desencanto, perdão e redenção.

12 Anos de Escravidão 
Ser escravo, pelo ponto de vista de um negro afro-americano que já havia conhecido a liberdade, é conhecer o que de mais degradante existe no ser humano. A história de Solomon Northup nos lembra por que a escravidão — em todas as suas formas — é incompatível com o cristianismo. 

Ela
Neste filme de ficção científica, o sempre enigmático Joaquin Phoenix desenvolve um relacionamento emocional com um sistema operacional com voz de mulher (Scarlett Johansson). A inteligência artificial do sistema passa a simular emoções humanas, e logo ele se apaixona. Um ensaio provocante sobre a dispensabilidade do ser humano num novo mundo de máquinas.

Nebraska
Um velhinho (Bruce Dern) recebe no correio uma propaganda de sorteio, e pensa que a correspondência é um aviso de que já foi contemplado. Sua família logo descobre ser impossível dissuadi-lo de viajar para Nebraska para retirar o prêmio. Seu filho conclui que o único jeito é acompanhá-lo nesta viagem fútil, e o percurso acaba se transformando na história de como os dois reatam os laços entre pai e filho. 

Gravidade
A grande estrela deste filme é a cinematografia deslumbrante de Emmanuel Lubezki. O que resta do ser humano quando todo o contexto que lhe dá sentido desaparece? A astronauta Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) perde todas as referências quando sua nave é destruída por lixo espacial. Ela reluta para encontrar razões para tentar sobreviver num drama cheio de humor e desgraça.

Clube de Compras Dallas
A história meio biográfica de Ron Woodroof, um vaqueiro de rodeio heterosexual diagnosticado com AIDS em 1985, numa época em que a doença significava morte certa. Sua luta para sobreviver o leva a importar drogas experimentais, que passa a vender ilegalmente a outros que sofrem com a doença. Seus preconceitos dão espaço à tolerância à medida em que se fragiliza.

Trapaça
Dois pequenos vigaristas (Christian Bale e Amy Adams) são forçados pela FBI a participarem de uma série de ações para enquadrar diversos políticos corruptos. Repleto de humor e atuações desmedidas, o filme trata da insatisfação corrosiva de quem tem menos que ambiciona ter. Até onde somos capazes de ir para obter o que queremos?

O Lobo de Wall Street
Leonardo DiCaprio interpreta a vida de Jordan Belfort, um corretor de ações inescrupuloso e toxicodependente que vive nas margens sombrias da lei. Ele se enriquece vendendo ações de baixo valor e recompensa seu batalhão de vendedores com orgias extravagantes de sexo e drogas. O exagero de suas transgressões atrai a atenção das autoridades, e a história de seu declínio é ilustração perfeita do “salário do pecado”.

Capitão Phillips
O capitão norte-americano de um cargueiro batalha em alto mar contra um pequeno grupo de piratas somalis. Uma narrativa fascinante sobre o que nos motiva em situações de crise extrema. Qual a história de vida que resulta em heroísmo e qual leva à crueldade?

• Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.
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