terça-feira, 11 de março de 2014

Longa metragem “evangélico”


Estrelado por Tuca Andrada, Oscar Magrini e Luciano Szafir, famosos por suas participações em novelas Globais, deve estrear no segundo semestre de 2014, o filme “A Palavra”. Trata-se de uma produção da Anjoluz Filmes, empresa ligada à Assembleia de Deus, e liderada por Zitah Oliveira.

Zitah tem um currículo impressionante, com formação em direito com mestrado em economia e doutorado em engenharia de produção pela Universidade Federal de Pernambuco (UPFE). Além disso, é especialista em projetos culturais pela Universidade de Brasília (UnB). A julgar pelo currículo, me parece uma pessoa bastante preparada. 

No filme, a narrativa bíblica é transportada para o sertão nordestino nos dias atuais, onde o profeta Elias vira um pregador no sertão e Eliseu , um engenheiro trabalhando na transposição do rio São Francisco. 

A ideia de fazer uma transposição de histórias bíblicas para os tempos modernos não é nova. Alguns cineastas já fizeram trabalhos na mesma linha. Basta lembrar de Godard com “Je Vous Salue Marie”, do musical “Godspel” ou mesmo da comedia pastelão “Evan Almighty”. No final dos anos 90, a Juratel lançou vídeos dos musicais Jesus Sertanejo I e II, ambos filmados na cidade pernambucana de Gravatá. Os musicais contam a história do Evangelho pela ótica de um repentista e usam elementos nordestinos para desenvolver a trama. Coincidentemente, as filmagens de “A Palavra”, também ocorreram em Gravatá. O filme está orçado em 2,3 milhões de reais, verba que não veio diretamente de igreja ou instituição evangélica nenhuma. 

Para dirigir o filme, Zitah contratou Guilherme de Almeida Prado, bastante conhecido no Brasil através de filmes como “Perfume de Gardênia” (1992), “A Hora Mágica” (1998), e “A Dama do Cine Shangai” (1987), premiado no Festival de Gramado. Mas, o diretor tem um passado obscuro; nos anos 70 em São Paulo, trabalhou como assistente de direção na chamada “Boca do Lixo”, que produziu centenas de filmes eróticos e as famosas pornochanchadas. O site da Anjoluz não faz nenhuma questão de esconder esse passado não muito honroso do diretor de “A Palavra”. 

Até entendo a ideia de se trazer para o projeto, gente do ramo, atores e diretores com experiência e rodagem. Mas, me incomoda um pouco saber que Guilherme de Almeida Prado é o diretor do filme. Não estou aqui querendo crucifica-lo pelo seu passado na “Boca do Lixo”, mas o que me incomoda é ter um diretor que não tem compromisso nenhum com o Evangelho. Acho diferente de contratar um músico que não seja cristão para participar de uma gravação ou mesmo atores para participar da produção. O diretor é que define toda a trama, dá o enfoque temático e entrega a mensagem principal do filme. Deixar que a finalização de uma obra fique à cargo de alguém que não comunga da mesma fé que os idealizadores do projeto pode comprometer seriamente o objetivo principal. É no mínimo, questionável. Claro que é possível controlar o trabalho do diretor para garantir que a mensagem seja veiculada de forma intacta. Mas, direção de cinema é um trabalho criativo, pessoal; poucos diretores se sujeitariam a um controle tão rígido assim. Além do mais, o próprio Guilerme afirmou: “me deram total liberdade. Só pediram para que fosse sobre os profetas do Velho Testamento”. Preocupante…

Em entrevista recente, Guilherme de Almeida Prado respondeu ao ser questionado sobre sua motivação para dirigir “A Palavra”: “Meu último projeto tinha sido um fiasco de bilheteria. Não estava fazendo nada, aceitei o convite”. Certamente não é o que se espera ouvir de um diretor de filme evangélico.

Existem alguns clips disponíveis na internet e um teaser no site da produtora. Se o nível do filme seguir a mesma linha, não parece que vai ser grande coisa. As atuações no clipe, mesmo a do bom ator Tuca Andrada, são absolutamente sofríveis, a trilha sonora é piegas e a direção, preguiçosa. A fotografia é até razoável, mas de forma geral parece um episódio de minissérie da Record.

De toda forma, estarei aguardando com curiosidade o lançamento de “A Palavra”. Existe muito potencial no Brasil para o desenvolvimento de uma indústria de filmes evangélicos. Aqui nos Estados Unidos a indústria de filmes cristãos tem crescido de forma constante; “Son of God” filme dos produtores de “American Idol” e da minissérie “A Bíblia” já está há quase três semanas no topo da lista dos filmes mais assistidos. Recentemente eles estiveram aqui na Liberty para promover o filme e já acenaram para a possibilidade de outros projetos no futuro. 

Por conta de seu elenco e direção, resta saber se “A Palavra” vai ser um filme realmente evangélico ou um filme apenas direcionado para o público evangélico. Há uma diferença fundamental entre as duas coisas. Só o tempo irá dizer. 

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis.”
Mateus 7:15-16

Um abraço, 

Leon Neto 

Folhagospel

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