sexta-feira, 23 de junho de 2017

Kim e Júlio, do Catedral, lançam EP

Os irmãos Kim e Júlio Cezar, integrantes da banda de pop rock Catedral, lançaram nesta sexta-feira (16) o álbum 2 Ímãs, projeto digital em EP que conta com distribuição independente. O disco está disponível nas plataformas digitais de música e seus respectivos canais de streaming.
“O título do EP 2 Ímãs é em alusão à eu e meu irmão. Um nome que mostra nossa relação de compositores, amigos e de companheiros na Catedral, e nossa interação como artistas. Lançamos essas duas faixas bem rapidamente para colocarmos nesses shows iniciais”, disse Kim, em entrevista ao jornal A Crítica, se referindo a duas canções liberadas antes do lançamento.
Os músicos estão viajando pelo país apresentando o show Clube da Boa Música, que tem a intenção de trazer repertório novo, além de músicas da banda Catedral e da carreira solo de Kim. Apesar do anúncio de término, o grupo volta à ativa no ano que vem, decisão que foi aceita com alegria por parte do público e com desconfiança por outros.
“São trabalhos distintos. A proposta do KJ está explícita no próprio nome do show que é ‘Clube da boa música’. Um show plural, um show de boa música, onde a gente mostra as nossas influências musicais e o que ouvíamos quando éramos pequenos, adolescentes, crianças”, afirmou o vocalista.
Enfim, o músico disse que não tem a pretensão de alcançar popularidade com o formato do show. “Não estamos pensando em sucesso, em arrebentar, em nada disso, estamos pensando em levar música de qualidade, que é o que a gente sempre fez, só que de uma forma diferente, para um público pensante que gosta da boa música”.
Faixas do EP

1. Plataforma
2. Meu Céu
3. Quando se Perde É que se Dá Valor
4. Dois Ímas
5. De Manhã

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Os Arrais lança “Deserto”, single de Rastros e Trilha

O duo de indie folk Os Arrais liberou, nos canais digitais de streaming musical, uma das prévias do futuro extended play (EP) do grupo, Rastros e Trilha. A canção “Deserto”, já divulgada anteriormente em apresentações ao vivo, é o single do disco, que será lançado neste mês pela Sony Music Brasil.
A composição, assinada pelo cantor e compositor Tiago Arrais, versa a solidão que sentiu após voltar o Brasil. Tiago, que morou por oito anos nos Estados Unidos, é professor universitário, PhD em Antigo Testamento e Filosofia e, como letrista, assinou canções que foram gravadas por artistas do cenário evangélico como Leonardo Gonçalves.
Desde “Fogo”, liberada como carro-chefe do projeto As Paisagens Conhecidas, de 2015, é a primeira vez que o duo libera um novo single como artistas principais. Porém, este ano, a banda chegou a participar na canção “Pulmões“, de Marcos Almeida e Paulo Nazareth.
Rastros e Trilha será o terceiro trabalho d’os Arrais pela Sony Music Brasil e o quarto de toda a carreira. André e Tiago estão entre as contratações mais bem sucedidas do selo evangélico da multinacional. Desde que lançou o disco Mais, em 2013, o duo se tornou um fenômeno cult e chamou a atenção da imprensa não-religiosa.
No Spotify, um dos canais de streaming mais populares do mercado, a banda somou quase 30 mil execuções em cerca de dois dias. No canal da VEVO, somente com a versão em áudio, André e Tiago foram ouvidos cerca de 80 mil vezes.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Machado de Assis, o profeta e o amor - por Jénerson Alves

Se estivesse vivo, o maior escritor brasileiro completaria 178 anos. Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro – que, na época, contava com cerca de 300 mil habitantes. Mais do que um hábil autor, Machado de Assis é exemplo de uma pessoa que deu a volta por cima. Filho de um pintor mulato e de uma lavadeira portuguesa, não realizou seus estudos regulares. Além das condições sociais, ele precisou enfrentar adversidades de ordem fisiológica, tendo em vista que era mulato, gago e epilético.
Porém, um dos fatos que mais chama a atenção em sua biografia é o amor vivenciado em seu matrimônio. Em 1869, casou-se com Carolina Xavier de Novais, com quem passou a vida inteira. Ela era portuguesa e quatro anos mais velha do que ele. O casal não teve filhos. Carolina faleceu em 1904, com 69 anos de idade. Devido à morte da esposa, Machado foi tomado por uma grande tristeza e saudade. Conta-se que ele manteve a casa do mesmo jeito que era quando ela estava viva. E fazia as refeições sempre com dois pratos à mesa. O escritor morreu em 1908, curiosamente também com 69 anos.
Do ponto de vista literário, Machado de Assis é a mais proeminente figura do Realismo – escola literária caracterizada pelo racionalismo e por uma análise descritiva dos problemas da vida. Uma das marcas do estilo de Machado é a ironia, entrecortada por um humor velado, como pode ser conferido em ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, publicado inicialmente em 1881. Ele consegue perscrutar a hipocrisia da elite carioca e, assim, adentra nos porões da existência humana, abordando assuntos intrínsecos a todos os homens.
Observando a vida e o legado do escritor, é possível fazer uma relação com um dos profetas menores do Antigo Testamento. No oitavo século antes de Cristo, o profeta Oseias apontava a hipocrisia do povo de Israel, que estava em declínio moral e espiritual. Ao contrário da sutileza dos textos machadianos, o livro bíblico apresenta um tom objetivo, em consonância com o fator profético da obra.
Assim como Machado de Assis amou Carolina intensamente, o profeta Oseias amou sua esposa, Gômer, de forma extraordinária. Tanto é que teólogos como Eugene Peterson chamam-no de “profeta do amor”. Como é de amplo conhecimento, Oseias tomou sua esposa de um ambiente de imoralidade e tornou-a a mãe de seus filhos. A relação de ambos é considerada uma metáfora da relação de Deus com Israel. Da mesma forma que Gômer traiu o profeta, o povo de Deus traiu o Senhor.
É impressionante, ainda, como esta situação pode ser aplicada aos dias atuais, sobretudo no contexto brasileiro. A máscara da hipocrisia esconde a face machucada de uma sociedade doente. As chagas de um povo massacrado pelo pecado – manifestado em suas mais variadas vertentes – gera nódoas irreversíveis, mas ocultadas por falsas liberdades. Envolvida em uma redoma de aparente prosperidade, a Igreja envereda pela infidelidade.
Diferentemente do que houve nos tempos do Velho Testamento, carecemos de vozes proféticas que se levantem, denunciando o pecado pelo seu nome, mas também ressaltando que o anseio do Senhor é salvar, não condenar. Afinal de contas, como Oseias não se envergonhou de mostrar seu amor pela esposa, não podemos esquecer que Deus amou o mundo e deu Seu único filho para que, ao crer nEle, todos tenham vida plena e eterna.
Para que aconteça uma verdadeira transformação no Brasil atual, talvez seja necessário que surjam “Oseias modernos”, emoldurando com amor divino a narrativa do tempo presente. Convém, então, orarmos com o mesmo sentimento de Machado de Assis, ao escrever o poema ‘Fé’:

“No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra.”

Sonhei com o Chico Ricardo Gondim

Já sonhei com tudo. Meus sonhos se embolam em categorias distintas: espiritual, erótico, bobo, doido, megalomaníaco, zen budista, feliz e angustiado. Grudo os olhos e logo a mente monta um palco para mim. Às vezes, produz ópera-bufa. Também escreve drama e faz comédia. Enquanto sonho, me visto de palhaço, guerreiro, artista e santo. Já fui até de jogador de futebol. No sono profundo, a cortina do meu teatro sobe e entram em cena os muitos Ricardos que se escondem no inconsciente.
Noite passada, sonhei numa tertúlia ao lado Chico Buarque de Holanda. Eu o tratava de Chico. Estávamos em um barzinho. Ele me convidou para compor uma música em parceria. Ficamos horas. Acordei ansioso por lembrar os versos. Não consegui.
Sou assim. Devido a esses sonhos malucos, acabo me achando amigo das pessoas que admiro. Elas me parecem íntimas. Já me senti colega do Nelson Mandela. Me vejo em saraus literários. Leio e ouço poesia perto da Cecília Meireles, do Vinicius de Moraes. Tem dias que acordo com a sensação de que acabei de conversar com Mia Couto.
Meus sonhos têm um quê de narcisismo, admito. Todos nos sentimos um talento perdido ou uma jóia de rara beleza. Não admitimos ficar no fundo de uma gaveta. Inconscientemente, guardamos a saudade do tempo em que fomos o centro do universo. Na vida intra-uterina, no mundo líquido da gestação, éramos o foco. Quem nos gerou sabia da nossa importância. Após o parto, nos primeiros dias de vida, continuamos a precisar do cuidado especial de quem nos recebeu. A questão era sobreviver ou morrer. Só depois, com o passar do tempo, nos autonomizamos. Descobrimos que nosso umbigo não é o centro do universo. Envelhecemos e (espero que sim) aprendemos: existem inúmeras outras pessoas com mais talento, mais riqueza e mais beleza física do que nós.
Adoecemos se mantemos  a incapacidade de lidar com a realidade: o mundo não gravita em torno dos nossos interesses. Apesar de únicos, ninguém é mais preferido que ninguém. Talento e potencialidade não garantem privilégios que todos os outros também não mereçam. Entre homens e mulheres não existem titãs, anjos, deuses, super-homens, ídolos, messias ou predestinados.
O neurótico não aceita tal realidade. Por isso parece mais cômodo mudar-se para o mundo dos sonhos. Em nossas idealizações somos os melhores. Camuflamos em uma boba onipotência o fato de sermos precários. Na recusa de enfrentar o dia-a-dia, alguns se valem da religião. Outros se entregam ao sucesso profissional. Muitos se perdem no consumismo. Mas todos adoecem.
Aprendi a rir dos meus sonhos. Pouco a pouco, consigo me divertir quando embarco em meus devaneios narcisistas. Só tomo o cuidado de dizer para mim mesmo que não posso me iludir com essas viagens. Elas são maluquices do meu inconsciente. Moro em uma cidade violenta. Enfrento um trânsito caótico. As pessoas que me rodeiam são complexas e complicadas, iguais a mim. Também sei: o Chico jamais se interessaria em musicar um poema meu.
Soli Deo Gloria

terça-feira, 20 de junho de 2017

O sofrimento e o consolo

Quando menos esperamos, o sofrimento bate à nossa porta, entra sem pedir licença e se instala em nossa casa. É uma visita incômoda, inoportuna e dolorosa. E ele se manifesta de muitas maneiras: na perda de um ente querido; no conflito que gera ruptura na família; na violência gratuita que nos vitima na rua; no filho que faz escolhas erradas; no diagnóstico da moléstia incurável; no acidente grava; no desemprego; na experiência de traição ou humilhação… Muitas são as formas, mas o sentimento comum a todas é: sofrimento
Lamentavelmente, a Igreja contemporânea, com seu exagerado triunfalismo, prega que o mal já está vencido. Por isso, o crente precisa ter uma vida próspera, vitoriosa e sem sofrimento. Uma das abordagens pós-modernas da fé cristã ensina que quem está sofrendo fez algo errado. Ou encontra-se em pecado e sob o domínio de Satanás, ou não crê nem confia em Deus a ponto de contribuir financeiramente ou, então, está na igreja errada. É um Evangelho de ofertas, que nega a dor e a perda. Um Evangelho que que desconhece que a Igreja de Jesus Cristo foi gerada, no primeiro século, com perseguição e sofrimento – e que esta Igreja continua sofrendo em várias regiões do mundo por causa do nome do Senhor.
Diante do sofrimento, perguntamo-nos, perplexos: “Como pode um justo sofrer nas mãos de um Deus que diz que é bom?” O sofrimento é um mistério. Não podemos explicar como pode um justo sofrer diante de um Senhor que é bom e que tem tudo sob seu controle. Sabemos, no entanto, que o Deus das Escrituras é pai de Jesus Cristo – o Deus encarnado que sofreu conosco e sofreu por nós. Por isso, ele nos compreende e caminha conosco nas nossas dores e angústias, consolando-nos e enxugando as nossas lágrimas. Um dia, nos encontraremos com ele e, como Tomé, tocaremos nas cicatrizes de seu amor por nós. Só mesmo um Deus ferido pela tragédia humana poderia nos curar e nos salvar.
Acompanhamos José na sua biografia relatada no Gênesis e nos compadecemos de todos seus infortúnios: primeiro, o ódio de seus irmãos, que o lançaram em um poço e, para livrarem-se dele, venderam-no como escravo. Depois, foi vitima da armação de uma mulher casada que, inconformada por ser rejeitada pelo rapaz hebreu, fez o marido jogá-lo no cárcere. Mesmo assim, a Bíblia não registra reclamações ou atos de rebeldia por parte de José. Do abandono e humilhação, tornou-se um ministro poderoso do Egito. Quando uma grande fome assola Israel e seus irmãos vêm ao Egito buscar comida, é José que os recebe no palácio real. Ele os tem em suas mãos para julgá-los ou despedi-los de mãos vazias; em vez disso, ele chora e se dá a conhecer a eles. Os irmãos temem uma vingança, mas José os perdoa, dizendo que não foram eles que lhe fizeram tudo aquilo, mas Deus que, em sua providência, transformou o aparente mal em sofrera em bem para todos.
 No livro de Jó, Satanás se apresenta perante Deus e diz que ninguém o ama desinteressadamente. Na ótica diabólica, se o Senhor fizesse cessar as bênçãos sobre a vida de Jó, este se voltaria contra ele. Deus, então, dá permissão para o diabo oprimir a Jó, que perde tudo que tinha, vê a morte dos filhos e, por fim, adoece gravemente. Mesmo diante da incompreensão da própria mulher e do consolo ineficiente de seus amigos, Jó diz: “Eu sei que o meu Redentor vive, por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, não outros; de saudade me desfalece o coração dentro em mim”. Em meio à suas dores, sem entender o que lhe acontecia, Jó se entrega ao seu Senhor, expressa seu desejo e amor por ele e, cheio de esperança, sabe que o mal vai passar. Depois de tudo, quando o sofrimento cessa, ele conclui: “Eu te conhecia só de ouvir; agora meus olhos te veem.”
Em meio à humanidade que sofre, descobrimos que não somos os únicos, e que o sofrimento é parte integrante da nossa experiência existencial. Sabemos, no entanto, que o sofrimento, a maldade, a violência, a mentira, o ódio e a morte têm prazo de validade; eles são efêmeros e passageiros. A ressurreição de Jesus Cristo é o registro, no meio da História, de como será o final dessa mesma História. Ele nos assegura que somos parte de um projeto eterno, e que viveremos nossa humanidade de forma plena, sem sofrimento ou morte. Assim, para aqueles que buscam e praticam o bem, a eternidade já começou, pois o bem é eterno e o mal, passageiro.
O sofrimento nos mobiliza de tal maneira que não percebemos que ele sempre vem acompanhado. Uma companhia discreta, mas presente. A santa, bendita e doce presença do Espírito Santo, também chamado de Consolador.
Osmar Ludovico
Cristianismo Hoje

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