sábado, 3 de setembro de 2016

Pr. Ary Queiroz Jr - 161 anos de Congregacionalismo Brasileiro e 118 anos da Primeira Igreja Congregacional de Caruaru

A 1ª IEC é pioneira e completou
este ano 161 anos de atividade.
As igrejas do Novo Testamento possuíam duas características facilmente distinguíveis, no que concernia ao modo de governo: eram independentes e congregacionais.
A primeira marca (independência ou autonomia) percebe-se na forma como as igrejas se relacionavam entre si. Vale dizer, as comunidades cristãs do primeiro século eram independentes umas das outras, ou administrativamente autônomas, não havendo uma espécie de superioridade hierárquica de uma sobre as demais, embora unidas fossem por laços fraternais. Cada comunidade local geria seus assuntos e elegia seus pastores sem quaisquer interferências de caráter vinculativo de uma sobre outra coirmã.
Estas comunidades primitivas eram também congregacionais, isto é, caracterizadas pela participação democrática de todos os membros em todos os assuntos relevantes, a exceção, por óbvio, da doutrina, ministrada de modo autoritativo pelos apóstolos do Novo Testamento. Esse modelo democrático de governo tem sido denominado “congregacional”, vez que os assuntos de máxima relevância são decididos pela “congregação”.
Sobre as igrejas cristãs do primeiro século, o Prof. Linsday, do Colégio Presbiteriano de Glasgow, escreveu: “vemos uma pequena república que se governa a si mesma – uma ilhazinha, no meio do paganismo, com uma vida própria, ativa e entusiática”.
Após o período apostólico, já no segundo século da era cristã, uma forma crescente de episcopalismo foi se instalando gradativamente. Fez-se distinção entre bispos e pastores, entendendo-se aqueles como lideres sobre as igrejas de uma determinada região e, estes, como os líderes de uma igreja local pertencente à “jurisdição” de uma “igreja-mãe”.
Pois bem, os séculos seguintes assistiram acirrada disputa, na qual igrejas de cidades romanas mais influentes (Antioquia, Alexandria, Roma e Constantinopla), e seus bispos, desejavam uma posição sobrepujante em relação às demais. Como resultado, nasceu um governo episcopal-monárquico, centrado em Roma e na figura do “Papa”, palavra que assumiu o significado de “bispo sobre os bispos”.
No início da idade moderna, após o longo hiato denominado ‘idade media’, em meados do século XVI, em Londres, começaram a ressurgir as primeiras comunidades cristãs de governo congregacional, devendo, entretanto, ficar consignado que essa estrutura é a resultante prática de princípios fundamentais, redescobertos pela Reforma Protestante, acerca do Sacerdócio Universal dos Crentes, na experiência evangélica da aceitação da doutrina da justificação pela fé e do seguro e constante acesso a Deus através da exclusiva mediação de Cristo.
No Brasil, o modelo congregacional de protestantismo foi o movimento evangélico pioneiro a plantar comunidades cristãs brasileiras, voltadas para a evangelização de brasileiros e em língua portuguesa, pela operosidade dos missionários Robert e Sarah Kalley.
O casal Kalley aportou na Baía da Guanabara, Rio de Janeiro, em 10 de maio de 1855, e permaneceu no Brasil por vinte e um anos. No dia 19 de agosto, D. Sarah inaugurou a primeira escola dominical em português nas Américas, pelo que se tem notícia. De seu labor em terras brasileiras, resultou a fundação da Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro, em 1858, e da Igreja Evangélica Pernambucana, no Recife, em 1873.
No início da última década do século XIX, o Rev. James Fanstone, então pastor da Igreja Pernambucana, imbuído de intenso fervor missionário, trouxe ao Brasil Charles W. e Ida Batchelar Kingston, obreiros que viriam a se comover com o estado espiritual do então distante povoado de Caruaru.
O relatório do casal Kingston, de julho de 1897, enviado à missão logo que conheceu Caruaru, informava que “não há nenhum membro de nenhuma igreja evangélica aqui; numa população de umas 2.000 pessoas não há, no meu entender, ninguém que cuide de suas almas” .
A partir destas primeiras incursões evangelísticas nasceu a Primeira Igreja Evangélica Congregacional em Caruaru, comunidade que permanece contribuindo para a evangelização da cidade, através da pregação expositiva e sem misturas do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e que, nos últimos dias 27 e 28 de agosto, ofereceu a Deus ações de graças por 118 anos de existência dinâmica.

“Obrigado, Senhor Jesus! 

O nosso coração transborda de júbilo”.

Ary Queiroz Jr.
é pastor da 1ª Igreja Evangélica Congregacional de Caruaru

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