segunda-feira, 11 de abril de 2016

“Não se pode deixar os jovens cristãos com um cordão umbilical na igreja”, declara educador cristão

Valter Fábio Bezerra é um educador bastante conhecido em Caruaru e região. Com cerca de 30 anos de atuação educacional, o pedagogo – que é evangélico, mas já foi católico – participou ativamente da formação de várias famílias caruaruenses. Uma marca do seu trabalho é a educação baseada no afeto e no respeito, priorizando o ser humano como um sujeito capaz de transformar a realidade social. Em entrevista a 'Presentia', ele comenta sobre a relação entre escola, família e igreja e conclama: “esses três pilares devem andar juntos”. Confira:



A relação e o evangélico e os estudos seculares é, por vezes, conflituosa. Embora isso tenha diminuído nos últimos anos, ainda se vê cristãos dizendo que certas formações educacionais não são convenientes. Qual sua opinião sobre isso? O Evangelho de Jesus inviabiliza o pensar?
O Evangelho de Cristo é supremo e transformador, ultrapassa todas as barreiras. A Educação, através dos ensinamentos de Cristo, vai muito além dos sistemas de ensino. Atualmente, há uma turbulência quanto aos conceitos da Educação. A sociedade atual é muito difusa. No caso das igrejas evangélicas, porém, há pastores que têm um sentimento de formar redomas diante dos seus membros. Em meu entender, é necessário formar conceitos, para que eles consigam ser aplicados nas situações atuais. Não se pode deixar os jovens cristãos com um cordão umbilical na igreja.



Há alguns críticos do sistema educacional construtivista, proposto pelo teórico Jean Piaget, dizendo que ele pode causar males para os fundamentos cristãos, pois supostamente relativiza os conceitos de certo e errado. O que o senhor pensa acerca dessas críticas?
Eu não vejo essa perspectiva nas ideias de Piaget. O construtivismo é necessário para o mundo atual. A perspectiva construtivista é muito extensa. É necessário, sim, buscar novas alternativas e possibilidades, mas pode-se tomar as referências de Piaget.



A ideologia de gênero é um tema que gera polêmica entre a escola, a família e a igreja. Pelo seu ponto de vista, orientar a criança sobre a sexualidade é um papel da família ou da escola?
Essa é uma proposta que deve ser amadurecida. É preciso avaliar os contextos. Uma metrópole apresenta uma realidade distinta de uma cidade do interior, por exemplo. Essa questão do gênero está crescente nas famílias. Entendo que a família e a escola devem andar juntas. As duas têm que estar em consonância uma com a outra. Elas têm ligações muito profundas entre si. A educação não pode deixar de acontecer na família, que é a base, nem na escola, que é resposta.



Então, neste cenário, a igreja precisaria se inserir buscando pautas que entrem em harmonia com os objetivos das demais instâncias – família e escola?
Esses três pilares – família, escola e igreja – são fundamentais na formação do ser humano. Creio que uma família edificada em valores religiosos tem mais condições para lidar com as demandas da existência. A Bíblia diz que é preciso ensinar a criança no caminho em que deve andar, que depois que envelhecer não se desviará dele. No entanto, em nossa sociedade, há famílias com parâmetros diferenciados. O que a Educação busca construir é um ser humano melhor. E essa é uma tarefa de todos.



A má relação entre a Educação e a Igreja na sociedade poderia ser resultado do esvaziamento de ensino bíblico nas próprias comunidades religiosas?
Os cultos ditos avivados, com muita música, muitas vezes retira o espaço para a fala, para o ensino. O 'gospel' é muito bom para os jovens, mas silencia as famílias e os conceitos. Isso gera um certo isolamento. As famílias se isolam, as igrejas cantam e a escola tenta fazer o papel de educar. Posso parecer redundante, mas acredito que os três pilares – família, escola e igreja – devem andar juntos. O ser humano precisa ser melhor lapidado, o mundo precisa de pessoas melhores. Cada um é muito importante na educação – que, assim como a vida, é um processo. Devemos valorizar o ser humano, que é autor desse processo. Conheço tantos ex-alunos que deram ouvidos a nossas palavras e ações e hoje são pais e mães de famílias que engrandecem a nossa sociedade. Muitos dizem que, atualmente, nada presta no mundo, mas eu digo que o resultado vai aparecer a partir da semente da educação plantada nas novas gerações. Só se transforma a sociedade e se vive melhor com a Educação.

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