segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Jénerson Alves - Educar: obrigação política e obra santa


Paulo Freire já afirmava: “A gente se forma como educador permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática”. Engana-se quem pensa que ser educador é sinônimo de ser professor. Educador é todo aquele que anseia colaborar com a formação de indivíduos capazes de atuar de maneira positiva na sociedade em que estão inseridos. Evoco a filósofa Marilene Chauí: “Ser educador é no mínimo uma obrigação política. Não podemos aceitar uma população de excluídos da educação e cultura”. Assim sendo, qualquer sujeito que entende e promove a razão como mecanismo emancipador do ser humano é educador.
Quando fala-se isso, é comum surgir críticas baseadas no velho discurso que os políticos não possuem interesse pela Educação do povo, pois “é mais fácil manipular uma população desinformada”. Todavia, nem sempre essa análise corresponde à realidade. Afinal de contas, desde os anos 90 o conhecimento tem sido a moeda de valor cada vez mais crescente no mundo. Ao invés do capital ou dos recursos naturais, o saber tem sido a mais importante fonte de riqueza. Os países que querem se desenvolver necessitam investir urgentemente em Educação. As políticas públicas visando a esta finalidade precisam ser implementadas. Os políticos com visão de futuro já apontam os caminhos que devem ser traçados.
Por incrível que pareça, o caráter de contribuição na expansão de consciências ganhou notoriedade durante a entrega do Título de Cidadão Bonitense ao senador Douglas Cintra (PTB-PE), em solenidade ocorrida na sexta-feira (23/10), na Câmara de Vereadores daquele município. Isso porque dois estudantes de Bonito se fizeram presentes no evento. Eles se destacaram no concurso Ler Bem – idealizado e iniciado por Douglas Cintra quando presidente da Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (Aspa). A aluna Maria Edilane e o aluno Jônatas Mateus ficaram, respectivamente, em primeiro e segundo lugar no certame. Por isso, receberam voto de aplauso da Câmara de Vereadores de Bonito.
Visivelmente sensibilizado com a presença das crianças e o depoimento da professora, Cintra parabenizou os educadores pelo trabalho na construção de um novo país. Ele ressaltou que os professores são fonte de inspiração para os alunos desenvolvam o gosto pela leitura.
Eles foram acompanhados pela professora Márcia Trajano. Com tom de profetiza, ela destacou a importância de concursos como esse para a educação. “O empenho de cada aluno ficou nítido a todo instante. É um exemplo de como uma educação democrática gera bons frutos para toda a sociedade”, disse. Voltando-se para o senador, a professora foi enfática: “Antes de nascer no seu coração, esse projeto nasceu no coração de Deus. Por isso é tão grandioso”.
É pertinente frisar que a ligação entre o petebista e a Educação é forte. Além das ações que promoveu enquanto empresário, desde quando tomou posse Cintra utiliza a tribuna da Câmara Alta para declarar que a Educação deve estar no topo da agenda nacional. Essa preocupação se converte em ações. Recentemente, o senador aprovou, como relator do projeto de lei do orçamento da União de 2016 na Comissão de Educação (CE), emendas no valor de R$ 2,3 bilhões para os setores de educação, cultura e esporte.
Será com esse espírito que o senador participará de uma mesa redonda sobre 'Política, ética e Desenvolvimento Social no Brasil', no dia 13 de novembro. O programa faz parte do XIV Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão da Fafica, em Caruaru (XIV EEPE). Além de Cintra, o debate contará com a presença do presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Paulo Rubem Santiago. Quem quiser se inscrever ou ficar ciente de outras informações sobre o EEPE, pode acessar o sítio https://eepe.fafica-pe.edu.br/.

É tempo de conciliar a ótica do conhecimento como potencialidade econômica com a formação ética e cidadã promovida pela Educação. Não são as emendas do senador, tampouco os concursos promovidos pelos empresários que salvaguardarão uma prática educativa de qualidade no Brasil. Essa é uma construção de todos, partindo da família e indo até os mais elevados ambientes sociais. É no hoje que semearemos o amanhã desejado. Isso só será possível com reflexão, trabalho e cooperação.
Para concluir, quero deixar um trecho do reformador Martinho Lutero, que ecoa desde o século XVII e chega aos nossos ouvidos como um conselho inspirado pela Divindade: “[...] será da competência do conselho e das autoridades dedicar o maior cuidado e o máximo empenho à juventude [...] o melhor e o mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados”. Como cristão, apenas oro para que isso aconteça, apresentando o meu ser como instrumento nesta santa obra.

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