terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O Deus da Cruz

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda”(Lc 23.33).
A cruz é o evento central do Cristianismo. Foi ali que Jesus, o Deus-Homem, se entregou em favor de toda a humanidade. Assim, Cristianismo sem cruz é qualquer coisa, exceto o Cristianismo autêntico. Paulo é um bom exemplo disto. Ele garantiu aos irmãos de Corinto que sua pregação se consistia no anúncio do Cristo crucificado e nele somente (I Cor 2.2). Deste modo, é oportuno entendermos um pouco mais sobre este assunto tão central da fé cristã: a cruz de Cristo, o nosso Senhor.  Para tanto,gostaria de compartilhar com vocês um insight que me ocorreu enquanto refletia neste tema.  Percebi que a cruz de Cristo revela um Deus que se identifica com os que sofrem. Esta verdade é gloriosa. Vivemos num mundo de dor e tristeza. Por isso, um Deus de amor parece não caber na mente dos que sofrem. Não conseguimos entender bem como Deus lida com sofrimento humano. Por vezes, somos tentados a achar que ele pouco se importa conosco. Que nossos gritos de dor e angústia não alcançam seus ouvidos; que nossas dores e aflições não são vistas pelos seus olhos frios e distantes. Isso não é verdade!
Olhe só para a morte de Jesus. Veja a brutalidade e a dor descomunal de sua execução. Ele foi crucificado! A crucificação era a pior execução da época, a mais horrenda e dolorosa forma de se matar alguém, destinada apenas aos mais infames criminosos. A crucificação era tão cruel e dolorosa que os soldados romanos tinham um costume – um tanto misericordioso, diríamos – de darem às vítimas um tipo de anestesia que os evangelhos descrevem como sendo uma mistura de vinho com mirra ou fel, que servia para aliviar as dores do criminoso ao ser pregado na cruz. Em Mt 27.34, o evangelista nos conta que Jesus se nega a beber esta mistura. Ele rejeita anestesia. Recusa-se a qualquer tipo de alívio. Ele não quer ser poupado da dor. Mas, por quê? A única resposta é a seguinte: Ele quis sofrer.

Ele, sendo Deus, poderia muito bem ter escolhido qualquer outro tipo de morte ou execução. Alguma que fosse mais rápida e menos cruel. No entanto, Ele se decide pela cruz. Ao morrer de maneira tão cruel e sofrida, Jesus se identifica com aqueles que sofrem. Você acha que Deus não sabe o que você sente quando sofre? Você acredita mesmo que ele sequer sabe o que é sentir a dor dilacerando em seu corpo? Ah, acredite, ele sabe! Você chora de angústia? Ele também chorou! Seu corpo sofre por causa de uma doença degenerativa? Pois o dele foi açoitado, perfurado por pregos e torturado até a morte. Ele não é insensível à dor humana. Não é indiferente ao sofrimento das pessoas. Ele se compadece e se move de íntima compaixão diante do seu sofrer. É como se ele te dissesse, em cada momento de dor e sofrimento: “Eu te entendo… Eu sei o que você está passando… Eu também já passei por isso!”.

Jesus decidiu sofrer para que você não mais sofresse, pois com a sua morte na cruz adquiriu o poder de nos salvar e nos conceder a vida eterna. Uma vida sem morte e sem dor (Ap 21-22). Milhares de pessoas morrem diariamente sem o mínimo de dignidade, mas elas não podem acusá-lo de ser um Deus impassível, pois ele mesmo, na pessoa do seu Filho, ao se identificar conosco, também morreu sem o mínimo de dignidade naquela cruz vulgar. As centenas de mães que perdem seus filhos de maneira tão cruel e violenta nos morros e favelas não podem acusá-lo de ser indiferente à dor humana, pois ao se identificar conosco, Ele, o Pai Eterno, também viu seu filho Jesus morrendo de forma desumana e atroz no Calvário. A Identificação de Deus conosco revela seu caráter de amor ao decidir sofrer o mesmo que sofremos. Deus não é indiferente ou apático à dor humana. Ele é solidário e, é tanto, que se identifica morrendo como um de nós. A cruz é aprova de que Deus se identifica com os que sofrem!


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