quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Russell Shedd - Pregue a Palavra

“Pregue a palavra”
Uma pequena pesquisa realizada por um professor do Seminário Batista de Brasília ressaltou a necessidade de exposição bíblica na pregação. A questão que os alunos deveriam responder foi: qual era a opinião que os membros das igrejas faziam das mensagens que seus pastores pregavam? As opiniões foram as seguintes: 

1) eles lêem, mas não explicam a Bíblia; 
2) não aplicam os ensinamentos bíblicos às vidas dos membros; 
3) dão mais atenção aos negócios da igreja do que ao crescimento espiritual dos membros.

O remédio mais eficaz para estas omissões da parte de alguns dos pastores depende de três passos: 

1) exegese cuidadosa do texto; 
2) busca e desenvolvimento textual do ensinamento central da passagem bíblica; 
3) Uma vez concluído este trabalho básico, organize uma aplicação o ensinamento às vidas dos ouvintes.

Talvez uma exposição resumida de Romanos 12.1,2 ajude.

Primeiro, Paulo apela aos irmãos de Roma a oferecerem, cada um, o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse sacrifício pode ser feito unicamente pelas misericórdias de Deus. Refere-se ao sacrifício do corpo de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Por meio do sacrifício dele, nós todos podemos receber a justificação pela fé. Como Deus aceitou o sacrifício e aplicou seus benefícios a nós, nossos corpos são santificados e aceitáveis a Deus.

Segundo, o verbo "ofereçam" se encontra no infinitivo aoristo, indicando uma oferta feita uma vez para sempre. É definitivo. O casamento bíblico também ilustra este relacionamento permanente ("Até a morte nos separar" – Rm 7.1-3). Uma vez sacrificado, pertence a Deus para sempre.

Terceiro, o corpo que oferecemos a Deus, agora não nos pertence mais. Como o escravo judeu que amava ao seu mestre e não queria deixá-lo, deveria ter a orelha furada (Dt 15.16,17), a vida sacrificada deve ser para sempre.

Quarto, aquele que sacrifica o seu corpo assim, descobre que tem um relacionamento agradável, prazeroso, porque agrada a Deus. Não há ninguém tão importante para agradar como ele.

Quinto, "culto racional ou espiritual" deve comunicar mais do que adoração. A palavra latreia fala de um compromisso de serviço (compare "idolatria").

Consideremos agora a conexão entre os dois versos.

1. Todos os cristãos sacrificados precisam passar por mudanças. A cultura do mundo tem como seu deus o próprio Satanás (2 Co 4.4). O estilo de vida de um escravo de Deus e o de um escravo do "senhor deste mundo" são incompatíveis. Tem de haver uma transformação de mentalidade que somente é possível pela poderosa ação do Espírito Santo. Constitui um novo padrão de pensamento (Fp 4.8). Tal como um homem pensa, ele é.

2. Essa metamorfose, de acordo com o ensino da Bíblia, confirma (dokimazein) para nós que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Esse processo de aprendizado e rejeição dos valores e práticas do mundo se chama santificação. O uso dos verbos na voz passiva e no tempo presente contínuo explica que, gramaticalmente, santificação é um processo que avança durante toda a vida.

Conclusão: Exposição da Palavra reconhece em primeiro lugar que a Bíblia é a Palavra de Deus. Explicar o que diz o texto deveria, portanto, ser obrigatório. Oferecer opiniões humanas, contar histórias e comentar eventos políticos do país e do cenário mundial não satisfazem as necessidades prementes dos cristãos sedentos para saberem se não há alguma palavra do Senhor. "Pregue a palavra" é a ordem de Paulo para Timóteo; não é menos necessário hoje do que no século primeiro.
Dr. Russell Shedd é Ph.D. em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia), pastor, professor, escritor e conferencista
cristianismohoje

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