segunda-feira, 23 de junho de 2014

ESPECIAL DE SÃO JOÃO - JOÃO BATISTA E UMA DENÚNCIA À IGREJA DE HOJE

TEXTOS: Lucas 3.7-16 e Mateus 3.4-11

A. INTRODUÇÃO

João Batista era um homem sem barganhas a fazer com nada e com ninguém. Sua política era não ter qualquer política nas relações humanas que estabelecia, enquanto “preparava o caminho do Senhor”. Nem o Rei Herodes escapou de ver sua vida íntima cheia de mentira e traição exposta à luz do dia por João Batista. (Lucas 3.19) Enfim, João não era polido quando o assunto era cada um viver o arrependimento que dizia ter experimentado.

Veja suas palavras:

1. Aos militares (soldados e policiais): não pratiquem extorsão, subornos e ameaças (Lc 3.14)

2. Aos fiscais do poder econômico: não “superfaturem” a conta do contribuinte! (Lc. 3.12-13)

3. Aos líderes religiosos: Não se orgulhem do que vocês são, porque dessas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão! (Mat. 3.9) Isso porque nas filas que se formavam para os arrependidos serem lavados no batismo com água, João percebeu que os fariseus foram fazer uma média popular, um teatrinho santo, buscando também o batismo. Contra eles, João Batista afirmou: “Raça de víboras, quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto digno de arrependimento. Não pensem que podem dizer a si mesmos: Somos filhos de Abraão.”

B. QUAL ERA O PROBLEMA DOS RELIGIOSOS DA ÉPOCA DE JOÃO?

Achavam que possuíam salvação e aceitação divina como direito herdado e automático por serem descendentes de Abraão, de quem os judeus são filhos, segundo a carne.
Confiavam nessa herança religiosa: Entendiam sua filiação de Abraão como uma espécie de mérito, orgulhavam-se do seu "pedigree" religioso. Sentiam-se superiores aos demais seres humanos (vira-latas espirituais) por causa dessa tal herança genética escolhida. Não sentiam culpa ou arrependimento, já que eram “santos por nascimento”. Tudo isso, enquanto Romanos 9.7-8 nos diz: “Nem por serem descendentes de Abraão passaram todos a ser filhos de Abraão... Não são os filhos naturais (de Abraão) que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados filhos de Abraão.” Em outras palavras, o que João lhes disse foi o seguinte: De onde foi que vocês tiraram esse orgulho bobo? Qualquer um pode ser igual a vocês! Não há mérito nenhum em ser quem vocês são, se a vida de vocês não mostrar transformação intíma e pessoal. Sem arrependimento sua religião é NADA para Deus! Mudem!!! De modo que, toda essa introdução é a ponte para nosso assunto:

C. QUAL É O PROBLEMA DOS RELIGIOSOS DE HOJE?

Quero me basear na experiência de João Batista com os "crentes" de sua epóca para fazer uma denúncia contra a Igreja Evangélica no Brasil atual, da qual pertenço... da qual sou filho.

A IGREJA EVANGÉLICA NESSE PAÍS CRESCEU! MAS NO MEIO DESSE CAMINHO PERDEU SUA ESSÊNCIA E AGORA ESTÁ RETROCEDENDO!

O que isso significa?
  • A IGREJA EVANGÉLICA CRESCEU!
Mas, quando cresceu fez barganhas e acordos com os poderes e interesses desse mundo, pelos quais se apaixonou 'adolescentemente': as vantagens políticas, o acúmulo de dinheiro e o apego institucional.
  • A ESSÊNCIA PERDIDA.
A igreja perdeu a pregação! A essência perdida não é outra senão a própria pregação de João: O compromisso exclusivo com a Mensagem do Reino de Deus, que não está aqui ou ali, mas dentro de nós. E a mensagem do Reino não é outra senão a de João: Arrependam-se! Arrependam-se! E vivam como arrependidos! Ao contrário do orgulho auto-suficiente da religião institucionalizada e cheia de si mesmo, a mensagem de João no deserto era a GRAÇA, a dependência da salvação em Jesus, que batiza com o Espírito Santo quem não merece nada de Deus: Nós, os que cremos, e não os que cumprem as regras da Lei, porque os que crêem Naquele que João anunciava é que são os filhos de Deus (João 1.12). Logo, eu sou um perdoado, e devo viver com essa consciência que afirma a graça de Deus (Gálatas 2.21).
  • O RETROCESSO.
A igreja evangélica se aproxima dos mesmos conteúdos heréticos da instituição romana que abandonou na Reforma Protestante, como a porca lavada que volta a lama... como o cachorro que lambe o próprio vômito. E ainda consegue absorver misticismo, espiritismo, esoterismo e charlatanismo num caldo só, e como um animal no cio, sorve qualquer vento de doutrina que passa. E se esse vento for capaz de fazer uma média com o público e com o rebanho, então vira vento do Espírito na hora, vira moda; é incorporada às coisas santas e fica inquestionável.

D. EVIDÊNCIAS DESSE RETROCESSO

1. Pegamos gosto pela herança, pelos costumes estabelecidos, pelo “pedigree evangélico”:

Ou seja, ser crente em Jesus virou ser evangélico. Ser evangélico virou ser salvo pela Fé. Logo, ser salvo é ser evangélico e, pensando assim, ser afastado da freqüência e do estilo, da moda, dos costumes e linguagem evangélica é estar perdido, é estar indo para o inferno. Como eu “não fumo, não bebo e não falo palavrão!” tenho méritos que me garantem o céu dos evangélicos, onde posso habitar em paz, sem ser julgado, lugar onde se aceita as piores formas de farisaísmo, de egoísmo, de cobiça, de ambição e de motivações malignas desde que eu vista a camisa, desde que eu compre o pacote pronto, o Kit-comportamento que sinaliza para os irmãos que eu estou firme! Desse jeito, já podemos colar adesivos nos carros: Sou feliz por ser evangélico!

Essa é a verdade, queiramos enxergar ou não: aceitar Jesus virou aceitar esse pacote! Aceitar Jesus é a mesma coisa que assumir o jeitão da igreja a qual se aceita, e para a qual se ajeita, mudando os detalhes exteriores, mas mantendo o mesmo inferno que carregava na alma. Aceitar Jesus é aceitar sem questionar a religião que Ele produziu, como se Dele tivesse partido essa iniciativa grotesca.

Ø O QUE PENSO DISSO? 
Veja Gálatas 2.15-21 Ora, crente evangélico qualquer um é! Qualquer pedra pode virar crente hoje! Ser evangélico não garante salvação. Se nosso evangelismo é uma propaganda da nossa igreja, então é qualquer coisa, menos evangelismo.

Ø EXEMPLO: Um ex-sócio de meu pai um dia teve uma idéia “genial” para ganhar dinheiro: Alugou um salão, ‘contratou’ um pastor, se auto-consagrou bispo, e assumiu a tesouraria da sua “igreja evangélica”, a sua igreja-bolso, a sua igreja-caixa 2. Com isso, não quero dizer que essa é a motivação com que se abrem igrejas hoje. Não. Acho que não. Somente quero dizer o que já disse: Qualquer coisa pode chamar-se Evangélico. E quem se orgulha disso, aceita qualquer coisa. Eu procuro falar de Jesus, e se me perguntam, eu respondo: "Sou evangélico." Vejo acontecer o contrário em nosso meio: Procuramos falar da igreja, e se perguntam, aí falamos de Jesus.

O perigo da liderança é parecer com os fariseus. Para manter a autoridade sobre o povo, precisavam fingir espiritualidade, exigir respeito e submissão até convencerem a si próprios que são melhores e maiores que os outros irmãos. Na relação com Deus, somos somente filhos amados e perdoados na Cruz. Não há Pastor, Líder, Bispo, apóstolo ou seja lá o que for. Para Deus há gente que, ao se arrepender, devem viver como arrependidos! A obediência é fruto da gratidão Àquele que o amou primeiro. Por isso, não devemos estimular na Corpo de Cristo a diferença entre um e outro. Todos são iguais e todos merecem respeito.

Ø O QUE EU PENSO DISSO?

Leitura de Gálatas 3.26-29

Jesus vai se referir a João como o maior dentre os nascidos de mulher. No entanto, esse maior dentre os homens não era “digno de desamarrar as sandálias de Seus pés.” Ele dizia: importa que Ele cresça, e eu diminua. João, o homem que Jesus chamou de ‘maior’, nunca usou títulos e nem referência alguma de autoridade: Você é Elias? Não! É o profeta? Não! Ele era a Voz! Mais tarde, Jesus diria: O maior entre vós, seja o que mais serve! E essa atitude deve orientar a prática da liderança-serviço desta comunidade. Que as igrejas sejam lugar de gente anônima ter importância! 3. Pegamos gosto pela pregação comprometida com as expectativas do povo: a pregação do Evangelho atualmente é a pregação do aqui e agora, do "fast food espiritual" que usa fórmulas, campanhas e cita promessas que Deus não fez para conquistar o sucesso, a posição, os bens e todas as coisas que o mundo valoriza. E nesse esforço desesperado por vencer na vida o povo busca o apoio divino. Buscar o apoio de Deus não é o problema. O problema é que Deus agora tem dono. A gente precisa força-lo a abrir a mão. "Faça isso e aquilo, e Deus é obrigado a se mexer!" É um Deus domesticado (deus-totó). Essa é a pregação!. É a perversão da pregação de João, que “ com muitas outras palavras exortava o povo e lhe pregava a boa notícia” (Lucas 3.18). Para João, a boa notícia era o Reino: “o Reino é vindo!!! Preparem o caminho para o Senhor!!! Ele vem aí!!! Arrependam-se, e dêem fruto de verdadeiro arrependimento!”

Ø EXEMPLOS: Quero ilustrar os dois últimos itens: Num programa de TV, o bispo (não era da Universal, como todos pensariam) exigiu uma “oferta pela culpa” para uma irmã aflita que ligara arrependida de ter oferecido oferendas em encruzilhadas antes de ter aceitado a Cristo. Mandou que ela anotasse agência e conta corrente e “liberou” o perdão, baseado em sua “autoridade apostólica” pela TV mesmo, já que não havia uma igreja daquela denominação em seu bairro para que ela se confessasse ao sacerdote, segundo foi orientada pelo bispo. Eu vi isso! Veja: É preciso pagar pela culpa? Logo, não está pago!? Nesse programa evangélico, a graça foi anulada e Cristo morreu em vão pela vida da irmãzinha! (Efésios 4.14) Tem mais: Por acaso, somos católicos medievais que precisamos do clero para intermediar nossa relação de confissão com o Pai??? Esquecemos da orientação do autor de Hebreus de nos chegarmos com ousadia ao Trono da Graça para alcançar misericórdia em tempo oportuno. Porque para Deus não existe bispo, nem padre, nem pastor, nem apóstolo entre eu e ELE. O sacerdote é Cristo! Foi para isso que, na Cruz, tudo foi consumado! Meu pecado cabe na Cruz do Cordeiro de Deus, que segundo João Batista, tira o pecado do mundo!

E. CONCLUSÃO

A GENTE É SÓ GENTE!

Não há homem, mulher, rico ou pobre, estudado ou ignorante, patrão ou empregado, pastor ou ovelha, “todos são filhos de Deus mediante a fé em Cristo” Não corra atrás de currículo espiritual: Quem quiser se gloriar, glorie-se nisso: Em conhecer mais e mais o Senhor. Paulo não se gloriou, senão nas suas fraquezas, pelas quais o poder de Deus se aperfeiçoava em sua vida. 2 Coríntios 12.9-10 Não dê ouvidos a toda pregação evangélica só porque é evangélica. Precisa ser comprometida com a Palavra, com as causas do Reino de Deus, sem barganhas, sem meninices, ameaças e induções.
Saibam: Deus não é evangélico, não é pentecostal, tradicional, congregacional, nem batista, presbiteriano, nem metodista, nem qualquer outra coisa que diz representá-lo. Deus não cabe nessa coisinhas que inventamos!

Ouça a Voz! Mesmo que seja a única que prega o que prega! Não se iluda com multidões. As multidões são curiosas e seguem somente enquanto se sentem bem. Os discípulos seguem porque só Ele tem as palavras de vida eterna.
Há igrejas sérias, e essas igrejas vão continuar pregando as Boas Notícias do Reino que não é deste mundo.

Que essa igreja seja assim, mesmo que isso signifique ser uma Voz no meio do deserto. 
Afinal, quando o Filho do Homem vier, vai encontrar FÉ na Terra?

Caio
(2014)

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