quinta-feira, 6 de março de 2014

Marcos Quaresma - A HERANÇA ESPIRITUAL PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO

“Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” 3 Jo 4

“O melhor meio de fazer com que os filhos sejam bons é fazê-los felizes”
Oscar Wilde

“Não há família unida que uma herança não divida”, disse certa vez um advogado amigo meu. Aquela frase ficou gravada na minha mente até hoje. Pensei nos casos que conheço e outros que ouvi falar, situações nas quais os bens herdados pelos filhos foram motivos de disputas e até homicídios entre irmãos.

Sempre pergunto em minhas palestras qual a maior herança que os pais podem deixar para os filhos. As respostas são as mais variadas possíveis: Educação, fé, uma casa, dinheiro, o amor, caráter, e assim por diante. Em seu livro, Família Acima de Tudo, Stephen Kanitz diz que a maior herança é a autoestima. “uma vez que as crianças conquistam a sua autoestima, elas passam a se preocupar com a autoestima dos outros”. Charles Buxton diz que “o primeiro dever para com os filhos é fazê-los felizes... nenhum outro bem que eles venham a obter pode compensar aquele”. A isto chamamos de “mundo significativo”, ou seja, aquele tempo da construção da personalidade, no qual a criança precisa receber apoio e estímulo de seus pais, que são as pessoas mais importantes do mundo para ela naquele momento da vida. Se não se sentirem valorizadas por seus pais, nada que consigam, poderá lhes trazer alegria.

São inúmeras as histórias de pessoas infelizes, que herdam fortunas e desperdiçam em pouco tempo, porque não sabem distinguir entre o valor das coisas e o valor das pessoas. A parábola do Filho Pródigo, em Lc 15, ilustra muito bem esse princípio.

Por outro lado, Pv 31 descreve a história de uma família sadia, funcional. Naquele lar, todos eram satisfeitos, sem críticas constantes sobre o modo de ser do outro. Cada um vivia a sua vida e compartilhava suas habilidades com os demais membros da família. Assim, todos eram beneficiados pela singularidade de cada um dentro do sistema familiar.

O que chama a atenção é que aquela família, referendada pelos valores da mãe, chamada de Mulher Virtuosa, possuía como primeira característica a autoestima elevada, conforme o v.10. Sua consciência era de que seu valor não era medido por seus bens; seu valor excedia as “finas joias”. É interessante notar que o processo de desenvolvimento espiritual, que é o último a ser citado, no v.30, “a mulher que teme ao Senhor”, se inicia com o desenvolvimento da autoestima. Ou seja, a maturidade espiritual tem uma relação direta com maturidade emocional. Esse conceito é defendido por Peter Scazzero em seu livro Espiritualidade Emocionalmente Saudável, no qual afirma que “sem maturidade emocional, não há maturidade espiritual”.


Nossos filhos terão grandes possibilidades de se desenvolverem espiritualmente, sendo receptáculos da graça de Deus, se possuírem modelos de palavras e atitudes graciosas, de preferência dos pais. É possível herdar boa educação, religiosidade eclesiástica, móveis e imóveis, e até uma boa quantia em dinheiro. Mas se não conseguirmos contribuir para o desenvolvimento da autoestima de nossos filhos, teremos feito pouco em relação à herança espiritual deles.

Pr. Marcos Quaresma
É missionário da Sepal, atual líder da equipe Nordeste. Mestre em aconselhamento pastoral, pós graduando em psicopedagogia, assessor familiar e bacharel em teologia. Atua na área de aconselhamento familiar há 24 anos. Casado com Rosélia Nobre e tem 3 filhos: Thales (23), Tharsis (19) e Thaiane (10).

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