quinta-feira, 13 de abril de 2017

O pecado capital

A doutrina [cristã] tradicional alerta para um pecado contra Deus, um ato de desobediência, e não um pecado contra o próximo. E, se quisermos sustentar a doutrina da queda em qualquer sentido real, teremos de olhar para esse pecado central de forma mais profunda e mais eterna do que a da moralidade social.
Santo Agostinho se referia a esse pecado como o resultado do orgulho, processo pelo qual uma criatura (isto é, um ser essencialmente dependente, cujo princípio de existência não se encontra em si mesmo, e sim nos outros) tenta subsistir em si mesma, existir de forma totalmente autônoma. Um pecado assim não requer condições sociais complexas, nem alguma experiência prolongada, tampouco grande desenvolvimento intelectual. Quando uma criatura se torna consciente de Deus como sendo Deus e de si mesma como um “eu”, a terrível questão de escolher colocar Deus ou o seu próprio “eu” no centro passa a existir. Esse pecado é cometido diariamente tanto por criancinhas e camponeses quanto por gente sofisticada; tanto por pessoas solitárias quanto pelas que vivem em sociedade. Estamos falando da queda na vida de cada indivíduo e em cada dia da vida de cada pessoa, do pecado básico que está por trás de todos os outros pecados. Agora mesmo, neste momento, você e eu ou estamos cometendo este pecado, ou prestes a cometê-lo, ou nos arrependendo dele.
Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato.

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