segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

#Basta - Ricardo Gondim

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Há momentos em que a gente tem vontade de gritar basta.
Basta de ouvir deputados, senadores e autoridades antecipando seus insultos com Vossa Excelência. O país não suporta a cretinice do decoro de afirmar: Vossa Excelência é bandido, patife e canalha.
Basta de desculpas, de explicações, de justificativas. A palavra “ilação” tornou-se insuportável. “Blindar o presidente”, “manter a governabilidade” e outros jargões sugerem armação, e só. Também, brasileiros dispensam paladinos de ficha suja. Réus, que juram ser imprescindíveis para assegurar o estado democrático e de direito, não têm crédito algum.
Basta de desmentidos. “Não devo nada”, “a justiça provará o contrário”, “isso é perseguição política” nos dão náusea. E a frequência com que probos personagens públicos se desculpam, só revela o buraco ético em que nos meteram.
Basta de propor “passar o Brasil a limpo”. Nenhum dos três poderes terá sucesso. Essa tal limpeza só acontece com cidadania. Não se lava a imundície de uma nação com uma imprensa refém de oligarquias. Não haverá justiça enquanto a distribuição da riqueza não for justa. Não existe integridade ética enquanto as cartas continuarem marcadas por quem manipula a propaganda, com capital ilimitado.
Basta de ações espetaculares da polícia. Pirotecnia policialesca gera a falsa sensação de que a impunidade vai acabar. A decomposição ética do país tem suas raízes desde eufemismos como “jeitinho”, “molhar a mão”, “vou falar com um amigo, e ele resolve essa parada”. Caráter vem de berço, da escola, dos verdes anos em que se aprende a não roubar bala no supermercado, a devolver o lápis da coleguinha, a não colar na prova, a não furar fila, a não trafegar no acostamento.
Chega de promessas. O país só vai respirar aliviado caso políticos, televangelistas e  padres-cantores parem de prometer milagre, bênçãos sem fim, salvamento divino. É intolerável continuar a esperar por intervenção sobrenatural, quando sabemos que a responsabilidade de mudar a realidade é nossa e não de Deus, do destino ou da Fortuna. Arregaçar as mangas tornou-se urgente.
Podemos começar uma campanha com a hashtag #Basta. Que tal espalhar outdoors com #Basta? Tomarmos as ruas de Brasília só com a palavra #Basta. Até as torcidas organizadas confeccionariam bandeiras. Quem sabe, depois de algum tempo, o país comece a reestruturar suas escolas, a consertar seus hospitais, a incluir marginalizados, a acolher discriminados, a reconhecer a dignidade dos índios, a preservar florestas, a cuidar das praias, a honrar idosos. Não sei se resolve. Mas a palavra #Basta serviria de catarse e a gente não sofreria tanto com a desfaçatez que nos agride.
Soli Deo Gloria

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