segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Nelson Bomilcar Adoração devocional e prática


Fomos criados à imagem e semelhança de Deus para adorá-lo e desfrutar de sua presença. Adoração é o estilo de vida do cristão. Adoração é a joia perdida da Igreja Evangélica, conforme o pastor e pensador cristão A.W. Tozer (1897 – 1963). Só que a Igreja tem confundido adoração com música, e isso tem sido uma tragédia, principalmente em nossos tempos de florescimento do mercado gospel que a tudo devora como cultura de massa. De fato, uma visão reducionista da adoração faz com que vários aspectos sejam ignorados, não vivenciados pelas igrejas locais. A adoração tem como alvo a exaltação de Cristo, isto é, todo cristão vivendo como Jesus aqui na terra. Para que isso aconteça, é necessário amar a Deus em primeiro lugar, e também temê-lo, levando o Senhor a sério e servindo a ele com integridade, abandonando os falsos deuses que teimamos em construir ao longo da caminhada.

Em Deuteronômio, capítulo 6, vemos essa descrição da adoração, e percebemos que ela deve ser fruto de nossa devoção. O escritor Rubem Amorese sugere que ela deve começar no secreto do quarto, prática sugerida por Jesus em seu Sermão do Monte. Na oração feita em secreto, abre-se espaço para um diálogo com coração transparente, sincero, sem testemunhas ou holofotes, palcos ou luzes. Ali é o lugar de solitude e meditação; lugar de encontro, de confissão e quebrantamento. E ao sair do quarto, influenciamos e abençoamos imediatamente a família com relacionamentos mais verdadeiros, onde perdão, misericórdia, reconciliação e amor doador são vivenciados de forma perseverante e paciente. O louvor sem incredulidade, com alegria e ações de graça – como Davi nos encoraja a fazer no Salmo 95 –, vai ganhando espaço e profundidade. Sem dúvida, essa dimensão da adoração repercute na comunidade local trazendo saúde e disposição para o serviço ao Senhor e ao próximo.

A adoração ganha espaço na vida cotidiana quando entendermos, como Pedro escreveu em sua primeira carta, que fomos criados para reconhecer as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Ela ganha esperança e consistência quando sabemos que Jesus concretizou e legitimou a adoração definitivamente na cruz do Calvário, e que é por meio dele que devemos oferecer sacrifícios de louvor, conforme o autor de Hebreus escreveu.
Como comunidade cristã que se reúne em tantos lugares, temos que dar uma pública profissão de fé coerente quando adoramos. Qualquer pessoa, cristã ou não, que participar de uma experiência de adoração congregacional deve sair de lá sabendo o que somos e cremos, e ainda quem é o Deus que estamos tentando exaltar e adorar. A adoração tem um aspecto de testemunho num mundo ainda perverso e corrupto. Jesus ampliou nossa compreensão, mostrando que a adoração nos desafia a amar a Deus amando também ao próximo. Tiago disse que estaríamos cumprindo a lei do Reino se assim o fizéssemos. Visitar órfãos e viúvas, exercendo ministérios de socorro, auxílio e misericórdia, vai balizar uma adoração prática no cotidiano, na qual vamos vivendo em boas obras com santidade – ainda mais que, como seres humanos, cristãos e adoradores, fomos de antemão separados para andar nelas.

Adoração terá sempre aspectos devocionais e verticais em direção ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Porém, ela terá, de igual modo, repercussões práticas e horizontais numa vida de amor e serviço constante e incansável. Neste sentido, a adoração, acompanhada de lutas e sofrimentos, terá enorme repercussão no Corpo de Cristo, em edificação; e na sociedade, em testemunho vivo e compromissado com pessoas, além de transformações sociais. Adorar ao Rei é servir no seu Reino em todo o tempo e o tempo todo. Adoração devocional e prática é fruto da construção de uma relação de amizade e intimidade com o Pai, do exercício contínuo de disciplinas espirituais e da comunhão com os irmãos em Cristo. Juntos, na experiência comunitária, desejamos manifestar a presença e a glória de Deus no mundo.

Adoração é, de fato, uma vida cotidiana litúrgica de serviço a Deus e ao próximo, como resultado de um amor que vai crescendo a cada dia; amor por ele, pela Igreja, pelo Reino, pela família e pelas pessoas que o Senhor desejou salvar e amar. Fomos criados e salvos por Deus para, em todas as nossas dimensões relacionais, refletirmos sua glória. Adorarmos como Jesus e por meio dele é, pois, desafio presente para cada um de nós.


cristianismohoje

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