sábado, 27 de agosto de 2016

“Todo mundo gosta de poesia, mas alguns não sabem que gostam”, declara Tourú

Por Jénerson Alves

Ele tem 23 anos. Conhecido como Tourú, Andrey Pereira Pedro é escritor e rapper cristão. Contudo, prefere se apresentar como um “maluco sonhador”. Autor do livro ‘LiTerapia’, ele tem conversado com a garotada sobre a importância da leitura, principalmente em escolas do interior paulista, onde reside. Aliado a isso, utiliza a música e a poesia para levar uma mensagem de fé e esperança ao coração das pessoas – ou, como ele mesmo diz, “protestando em forma de amor”. Nesta entrevista, exclusiva a Presentia, Tourú retrata um pouco do prazer em estar em contato com as palavras, escritas ou cantadas, que se encarnam na Palavra da Vida. Além disso, ele comenta sobre sua admiração pelo Nordeste e, principalmente, por Caruaru. Confira:


PRESENTIA – Recentemente, você publicou o livro ‘LiTerapia’. Qual o objetivo da obra?
TOURÚ – Sim. Há 3 meses eu publiquei o livro com o título de LiTerapia. O nome já traz em si o objetivo. Como sou quase psicólogo (faltam 3 meses), uni meu amor por literatura e terapia e criei o LiTerapia. A proposta é que o leitor faça uma terapia através da leitura.


PRESENTIA – A publicação é independente. Por que você adotou essa opção? É uma forma de remeter à poesia ‘marginal’ dos anos 70?
TOURÚ – Também. O livro é uma coleção de poemas, poesias e crônicas. Entre os escritos há também literatura marginal. O poder público me procurou para patrocinar meu livro. Mas para isso eu teria que retirar algumas poesias do livro por citar nomes de parecidos com o de políticos, mesmo sendo mera coincidência (risos). Pra eu entrar em alguma editora também teria que me adaptar a exigências das editoras, como o preço, por exemplo. Por se tratar de um livro de incentivo à leitura, eu sempre quis vendê-lo por um preço acessível a todo o público.


PRESENTIA – Você costuma ministrar palestras em escolas. Na sua opinião, as novas gerações têm abraçado a literatura ou estão aversas a ela?
TOURÚ – A nova geração, conhecida como geração Y, tem abraçado a literatura de uma forma que eu nem esperava. Todo mundo gosta de poesia, mas alguns não sabem que gostam. Acontece que as pessoas têm mais facilidade de amar aquilo que elas entendem. Com certeza é importante ter livros como “Dom Casmurro” ou “Memórias de Um Sargento de Milícia”, porém acaba ficando distante da realidade de alguns alunos (me incluo nesses alunos). A proposta da LiTerapia é mostrar aos alunos que há algo legal, próximo à realidade deles, que eles podem ler. Tem dado certo.


PRESENTIA – Além de escritor, você também é rapper. No entanto, seu trabalho musical é voltado principalmente para o aspecto religioso. O rap é uma linguagem eficiente para a pregação do Evangelho?
TOURÚ – Nas músicas, nós levamos sempre uma mensagem de fé, amor e esperança. Quando se fala em RAP, alguns pensam que já é fazendo críticas sociais ou religiosas, mas na verdade nós protestamos falando de amor. O que torna o RAP eficiente é o evangelho. O evangelho é eficiente. O RAP é apenas uma ferramenta que temos pra falar do verdadeiro Amor.


PRESENTIA – Atualmente, o meio evangélico é alvo de críticas por causa dos altos cachês recebidos por alguns cantores. Qual sua opinião sobre isso? Você cobra cachê para realizar suas apresentações?
TOURÚ – Esse assunto é bem polêmico. Aliás, um bom tema para escrever no meu blog também. Meus colegas de “profissão” recebem altos cachês para louvarem a Deus. Porém, se eles cobram é porque tem quem paga. Há pessoas que exigem entretenimento e pagam por isso. Vez ou outra, são os mesmos que criticam. Conheço cantores que não cobram (pedem apenas o valor do custo) pra ir em igrejas. Isso é legal. Eles cobram apenas quando é evento bilhetado. Pois muitas vezes o produtor do evento nem é cristão e quer apenas lucrar. Então eles lucram também. Os Levitas eram os responsáveis por cuidar do louvor e do templo. Eles ganhavam das outras tribos para isso. Porém, eles não tinham terra. Eles não exploravam o povo. É essa parte que entendo como errada. As outras tribos auxiliavam os da tribo de Levi. Porém, eles eram os únicos que não tinham terra pra plantar. Eles não cobravam pra enriquecer. Eles apenas ganhavam o necessário pra sobreviver, já que dedicavam sua vida inteiramente a Casa de Deus. Eles não exploravam o povo de Deus (como alguns cantores fazem com altos cachês). Eles não deixavam de louvar a Deus porque alguém não deu o tanto de trigo que eles pediram.
É nesse ponto que entra o meu cachê. Hoje, vivo apenas para o evangelho (pois o livro também é uma missão – quem compra entende). Não cobro pra falar do amor de Deus. Aliás, nem mesmo no nosso CD, nós colocamos preço. Cada um paga quanto quiser. Quando as pessoas nos procuram, eu sempre digo: - Marca a data e nós estaremos aí. Se a igreja puder ajudar com o custo e/ou oferta, amém. Se não puder estaremos aí do mesmo jeito. Deus nos abençoará e estaremos aí no dia combinado. Pra dormir, pode ser qualquer lugarzinho que não chova em nós. Se chover também, a gente dança na chuva. A ÚNICA COISA QUE NÃO DISPENSO, É UM FORTE ABRAÇO ANTES DE VOLTAR PRA CASA. O preço? Aaah... o preço já foi pago na cruz.


PRESENTIA – Como é sua relação com o Nordeste? Já esteve por aqui? Acredita que o rap também tem espaço no solo nordestino?
TOURÚ – É até interessante esse contato com o Nordeste. Sou membro da 1ª Igreja Batista em Urupês-SP, onde meu pai é pastor. 70% dos membros são nordestinos. Desde criança, sempre que chegava a escola alguém de outro estado, eu sempre procurava me aproximar. Sempre gostei de conhecer culturas diferentes e o nosso país é muito rico em diversidade de cultura. Na nossa região vem muitos nordestinos e eu sempre gosto de conversar. Até o sotaque de vocês é algo que me encanta. Infelizmente ainda não estive, mas quero conhecer logo esta
terra tão rica. Com certeza o RAP tem lugar. Vejo bastante semelhança no RAP com os repentistas. E sempre tem alguém que gosta. Em nossa página temos vários seguidores nordestinos.


PRESENTIA – Caruaru é uma cidade de vários escritores e poetas. Você tem vontade de vir a Caruaru?
TOURÚ – Tenho muita vontade de conhecer Caruaru e esses amigos que compartilham seus escritos em Caruaru. Estou só esperando o convite de alguém que esteja disposto a receber esse maluco sonhador em sua casa.
Quem quiser, pode entrar em contato com o Tourú através do e-mail contato@touru.com.br ou do telefone 179 9123 2444. Há, ainda, o endereço no Facebook (Facebook.com/tourufalando) e o site www.touru.com.br.

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