terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ariovaldo Ramos - 2 Pe 1.1-11

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. 

Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (2 Pe 1:1-11) Simão vê  a si mesmo como escravo e missionário de Jesus. O único patrimônio que tem é a fé, que lhe foi dada, na justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo. Justiça é a satisfação que Jesus, o Cristo, ofereceu diante da Lei de Deus que a cobrava. Lei de Deus não é a lei mosaica - a lei mosaica é a Lei que Deus deu a Moisés - para que todos soubessem do pecado que os mantinha no inferno. Lei de Deus é ordem dada no Jardim: "mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Gn 2:17 - a quebra dessa Lei colocou a humanidade e toda a criação, excetuando os anjos eleitos (1Tm 5.21), no inferno. 

Para que a humanidade e tudo o que arrastou consigo pudesse escapar do inferno, ao qual foi condenada pela eternidade, um representante da unidade humana teria de morrer - nenhum ser humano o conseguiria, porque não havia nenhum ser humano, que, ao nascer, já não nascesse espiritualmente morto no inferno. Era preciso um ser humano que, embora nascendo no ambiente da condenação, nascesse espiritualmente vivo. Então, Deus, por meio do Filho, se fez homem, nascendo da mulher, com a morte no corpo, mas não do espírito - um ser humano com o corpo afetado pela condenação, mas espiritualmente, absolutamente vivo.  Logo, um ser humano que, embora, de corpo mortal, não precisava morrer, nada o obrigaria, e que, por andar com Deus, teria de, a exemplo de Enoque e Elias, ser tomado por Deus, a menos que desejasse se oferecer a Deus, frente a demanda da Lei de Deus, para a cumprir, satisfazendo-lhe a Justiça. E foi o que o Deus Filho, esvaziado desde antes da criação do mundo, e em carne, Jesus de Nazaré, o Cristo fez. 

Era nessa justiça que Pedro confiava para ser salvo, viver como salvo e ir dessa dimensão da existência como salvo, com a certeza na ressurreição para viver a eternidade, a ausência do tempo, no Novo Céu é Nova Terra. Esse esvaziamento, para cumprir a justiça de Deus, aconteceu de fato, antes da fundação do mundo, mas foi consumado na cruz e reconhecido na Ressurreição (1Pe 1.18-21). Essa salvação é o poder de Deus em salvar, que dá uma qualidade divina de vida para o dia-a-dia, porque dá acesso à graça (disposição favorável de Deus para com suas criaturas, a partir do ser humano), e à paz que, graças ao sacrifício de Deus, por meio do Filho, foi celebrada entre Deus e o ser humano, que permite obter o pleno conhecimento de Deus por Cristo e de Jesus como nosso Senhor, no exercício desse senhorio - conhecimento, este, que permite, ao salvo, usufruir, com, cada vez, maior profundidade, dessa graça e dessa paz. Por meio desse poder, que é a salvação, veio tudo o que produz a salvação para a vida e torna possível a vida como salvo. 

Deus oferece, por promessa, tudo que o salvo necessita para, como salvo, viver, isto é, tudo o que precisa para viver na santidade como Deus, liberto, portanto, das paixões mundanas, que, inexoravelmente, corrompem. Para que essas promessas se cumpram basta se queira, de fato, e insistentemente, que elas se manifestem, pois há promessa divina de que tal desejo será satisfeito, espera-se, portanto, do cristão, que busque insistentemente associar a fé obtida com a excelência ética e moral - quem crê tem de, no mínimo, ter ética com  comportamento coerente; a busca pela coerência passa, necessariamente, pelo conhecimento, por estar pronto para compreender a consequência de sua fé, assim como para dizer a razão de sua fé - a fé cristã tem conteúdo e doutrina - é preciso dedicação em estudá-la; além disso se espera que o cristão, por saber de sua fé, tenha pleno controle de si, não seja levado por paixões; até porque o cristão deve ser reconhecido por sua lealdade ao Senhor e fidelidade; essa lealdade tem de aparecer na reverência, no profundo respeito que se espera de um adorador do Cristo; e a adoração ao Cristo se manifesta, primeiro, na maneira como é visto e tratado o irmão em Cristo, que deve ser amado mesmo à custa do maior sacrifício; e para com todos, esse espírito fraterno deve manifestar-se na benevolência indiscriminada para com todo o ser humano. 

Com que força se adquire esse somatório de valores? Essa conquista depende da diligência, isto é, de um querer intenso. Como, pelo Espírito Santo, nos informou Paulo, “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”, e o faz por sua boa vontade, isto é, porque quer nos agraciar. Dessa forma, esse querer intenso, passa a ser elemento de fruto do Espírito Santo. A lógica nesse texto, portanto, é a de que o nascido de novo, espiritualmente, crescerá nessa direção. O Espírito Santo o levará a tal desejo. E este desejo será realizado, essa é a promessa. Se alguém há, que se dizendo cristão não é instado a esse anseio, de certo, padece de problema serio de comunhão com o Espírito Santo, pois é quem opera no cristão a vontade do Cristo, assim como o desejo pela vontade do Cristo, que pelos seus intercede sempre (Hb 7.25).


Ariovaldo Ramos

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