segunda-feira, 11 de abril de 2016

Capacitação profissional nas igrejas? Por que não?

Certa feita, ouvi acerca de uma jovem evangélica, que participava de uma seleção para trabalhar em uma grande empresa. Em um determinado momento, a entrevistadora pediu para que ela falasse de suas habilidades, úteis para o trabalho que se candidatava.
A jovem, então, sem experiência e orientação disse que sabia, apenas, “reger”.
A entrevistadora, confusa, pediu para ela explicar melhor o que seria “reger”. A jovem levantou diante de todos e, mesmo constrangida, passou a simular que estava regendo um coral de jovens na igreja.
O fato gerou alguns risos disfarçados e embaraçou a recrutadora. Afinal, aquela habilidade não tinha utilidade para as atividades da empresa.
Eu continuo, até hoje, impressionado com a falta de orientação profissional de muitos jovens nas igrejas. Mas, este fato me abriu olhos para algumas questões, que espero compartilhar.
Alguém poderia argumentar que não é o papel da igreja em capacitar jovens para o mercado de trabalho. De fato não é. Mas, porque não fazer? Qual seria o prejuízo? Trata-se, na verdade, de poder fazer o bem e optar por não fazê-lo.
Se um líder de uma igreja reunisse seus jovens e buscasse alguém capacitado para ministrar uma palestra ou um curso básico acerca de qualificação ou recolocação profissional, aumentando suas chances no mercado de trabalho, estaria fazendo algo errado? Não. Aliás, muitos líderes evangélicos já estão fazendo trabalhos semelhantes, com variados temas e o efeito tem sido extremamente positivo, inclusive, para evangelização e integração dos membros.
Trabalhos como o mencionado acima possibilita aproximar os jovens não crentes da igreja. O visitante passa a criar vínculo com os jovens da igreja, com os líderes e, ainda, a desfazer eventuais preconceitos.
Há muito trabalho a se fazer; crianças, adolescentes, jovens e idosos tem inúmeras necessidades específicas. Bastaria identificar algumas necessidades e elaborar um projeto profissional ou educacional. Mas, infelizmente, alguns líderes tem um foco bastante limitado.
Aliás, este tipo de trabalho é explorado em larga escala por outros grupos religiosos. Como exemplo, os líderes espíritas e católicos alcançam a maioria de seus membros por obras assistenciais. A igreja evangélica, infelizmente, perde uma grande oportunidade.
Eu mesmo fui chamado para trabalhar como professor, em uma denominação católica, em um projeto organizado por um frei. Admiro o trabalho e a dedicação daquele líder, mas confesso que ficaria muito feliz em participar do mesmo trabalho em uma igreja evangélica. Mas, nunca tive a oportunidade de ver um trabalho igual em instituições evangélicas.
Como palestrante e escritor, tenho fomentado este tipo de trabalho. A igreja tem membros qualificados, como professores, psicólogos, analistas de recursos humanos, assistentes sociais etc. Basta haver uma mobilização e utilizar os dons profissionais em prol do reino de Deus. Caso haja interesse, é claro.
Na verdade, basta querer. Como advogado e professor de direito e legislação eu não tinha um tema específico para alguns trabalhos assistenciais. Assim, utilizei o conhecimento e a experiência em recursos humanos. Elaborei palestras intituladas “Como participar de uma entrevista de emprego” e “Como elaborar um bom currículo”. O tema é importantíssimo para jovens carentes.
Por fim, procuro fazer a minha parte, sendo voluntário em cursos livres gratuitos, ministrando palestras e escrevendo artigos em jornais e revistas, fomentando o tema. Espero que cada leitor deste texto sinta-se inspirado em levar esta ideia ao seu líder eclesiástico e que haja sabedoria, visão e amor ao próximo, para desenvolver projetos dessa natureza.

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