sábado, 26 de março de 2016

“Sou artista, sou humorista, sou palhaço, mas, antes de tudo isso, sou cristão”, declara o ator Erickson Canuto

Texto: Jénerson Alves
Fotos: Larissa Albuquerque e Divulgação



Ele se chama Erickson Canuto. Tem apenas 23 anos, mas um background capaz de 'encher os olhos'. O ator paraibano desenvolve trabalhos em diversas áreas artísticas, a exemplo de standup commedy, palhaçaria, teatro, artes circenses. Para se ter uma ideia, é graduando em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande-PB; formado em Circo pela Companhia Palco Del'arte (Campinas-SP); participou de 06 festivais e é professor no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande-PB e na Escola Alumiarte, em Santa Rita-PB. Além disso, está à frente de um espetáculo de circo-livre chamado 'A Fúria', que conta a história de um casal em confronto matrimonial por causa das redes sociais que se enfrentam em forma de acrobacias, e de outro espetáculo, chamado 'Contrastes de um Clown'.
Canuto foi um dos oficineiros do 40º Congresso da Juventude Batista do Agreste, ocorrido em Caruaru. Durante o evento, ele conversou com Presentia sobre a relação entre Cristianismo e Cultura, o papel da Igreja Evangélica na sociedade, e também narrou um pouco de sua trajetória artística. “O ser humano é criativo por ter sido feito por um Deus criativo. Tudo o que planejamos pode se tornar palpável”, comentou.



Você é evangélico e trabalha com stand up, artes circenses, teatro. Normalmente, o Evangelho tem uma característica de solenidade. Como conciliar o bom humor com a mensagem de Jesus?
Eu tenho tentado problematizar na cabeça do cristão algo que o salmista Davi fala: “Torna-me a dar a alegria da salvação”. Também falo como Deus e Jesus são figuras que transportam alegria no caminhar, no falar, no vivenciar. O Evangelho é vivo e traz alegria. Pensando assim, arrisco-me a transmitir o Evangelho através da arte, seja ela palhaçaria, teatro, dança, stand up commedy. A potencialidade é trazer as boas novas através do riso.



Você falou sobre o palhaço. Sabemos que o processo de formação do 'clown' é interessante. Todos temos um palhaço dentro de nós?
Exatamente. Costumo falar que o palhaço é a potencialidade ridícula de cada pessoa. Na maioria das vezes, não queremos que o palhaço dentro de nós se exponha, mas isso é impossível. A figura clownesca nasce do cotidiano e se aprofunda com a pesquisa. Esse trabalho acho parecido com o Evangelho, pois quando mais conhecemos o Evangelho, mais produzimos o ser de Cristo em nós, que se humilha e depende unicamente do Autor e Consumador da Salvação.



Fale-nos um pouco de sua história. Você primeiro foi palhaço ou crente?
Na verdade, fui criado na igreja protestante, na Primeira Igreja Batista de Campina Grande-PB. Aos 09 anos, tive o convite da minha irmã para trabalhar no departamento infantil. Eu era super tímido, não queria saber de estar à frente de alguma plateia. Era atleta, jogava na categoria mirim do Treze. Nesse momento, atendi ao convite, curti os momentos e gostei. Há oito anos, venho conhecendo esses elementos do palhaço e otimizei outros lados, como o teatro, a dança, a música, a poesia. O palhaço me fez investigar áreas teoricamente impossíveis. Há cerca de três anos, tenho trabalhado o standup commedy, o nome do meu show é 'Rir sem fuleiragem'. É um show que vai de igrejas a escolas, teatros, hospitais ou barzinhos, onde comento com humor o que Cristo fez na minha vida. São pedaços de humor em histórias da família.



Então, a igreja tem sido receptiva quanto ao humor ou ainda há barreiras a serem quebradas?
Há muitas barreiras, sim. Infelizmente (ou felizmente), temos uma igreja conservadora. Isso não atrapalha o Cristianismo. Porém, acredito que o conservadorismo não pode ir ao moralismo. Quando isso ocorre, o Cristianismo é prejudicado. Mesmo assim, as igrejas têm aprendido a essência de ser e fazer no Evangelho. Deus tem me chamado para o lado artístico, trabalhar a reflexão através do riso.
Canuto participou do 40º Congresso da
Juventude Batista do Agreste, em Caruaru-PE




Você tem viajado por vários estados brasileiros. Como tem sido essa experiência?
Deus tem me dado a oportunidade de frequentemente viajar através desse trabalho, capacitar pessoas através das oficinas, promover reflexões através do riso no standup commedy, palestras sobre cultura e Cristianismo. De maio do ano passado até agora, eu rodei 11 estados e tive as mais diversas experiências, desde o Centro-Oeste, no Mato Grosso do Sul, como em São Paulo, como grande parte dos estados nordestinos. Vejo pessoas que têm entendido o caráter de viver o Cristianismo nas ruas, na faculdade, no trabalho. Ter uma missão integral, não ser apenas em um lugar e se refugiar na igreja ou no espiritual pelo espiritual, mas de ser de Cristo em todos os lugares onde porem os pés. Também tenho experimentado viver o Cristianismo no teatro.



De que forma você entende o diálogo (ou não-diálogo) que o Cristianismo tem tratado com a cultura?
Quando entendemos o que é cultura, por meio da Antropologia e da Sociologia, construímos e desconstruímos paradigmas. Em um livro chamado 'Cultura e costumes', uma das autoras, a Barbara Burns, fala uma coisa muito interessante, comparando a diversidade do mundo cultural. Ela expande isso a todos os continentes, mas isso a gente percebe em nosso próprio estado. Se a gente entender que não é a força humana que muda determinada cultura, mas a mensagem de Cristo ilumina as culturas.



A presença da Igreja Evangélica no Brasil tem sido motivo para alguns questionamentos, sobretudo em questões como homossexualismo e aborto. Qual sua opinião sobre isso?
Eu, quando penso nesses temas tão fortemente bombardeados, apoio-me nas palavras do pastor Jonas Madureira. Ele diz que se tão somente o cristão fosse um excelente profissional, conseguiria mostrar a força do Cristianismo para mudar culturas. Ele comenta que se tivéssemos força midiática, jurídica e educacional, não teríamos tantos problemas quanto ao aborto, à homossexualidade e outras coisas. Digo que hoje, na mídia dita evangélica que debate esse assunto, ninguém me representa. Isso é triste, pois não temos uma pessoa que faça o que Cristo faria dentro dessa discussão. Vejo uma briga de minorias travada por um pastor ou por um ativista (gay, feminista ou do que for) e uma quer vencer a outra. Não creio que Cristianismo seja isso. Acredito muito na potência de uma geração que está se levantando para mostrar Cristo onde ela estiver. Isso não será fácil, mas não está muito longe. A gente precisa de professores, jornalistas e juristas cristãos que cumpram suas funções escorados em seus princípios. No campo artístico, há essa discussão muito forte, principalmente do ponto de vista da sexualidade. O homossexual vê o cristão como alguém que “o manda para o inferno” e o cristão vê o homossexual como alguém que “não o respeita em sua fé”. Eu acho que quando os dois se colocam nesses parâmetros, fecha-se a possibilidade de diálogo. Creio que o melhor seria o diálogo. Entendo que pessoas como Jean Wyllys, Silas Malafaia e Marco Feliciano não querem dialogar, mas querem fazer confrontos. Não entendo que o Cristianismo pensa assim. Entendo que a postura cristã é a do diálogo e da presença do Espírito Santo, que gera vida. Sem diálogo, há discussão e esterco é jogado para cima.



Como o público pode acompanhar teu trabalho?

Hoje tenho um site que fala metodicamente sobre meu trabalho, que é o ericksoncanuto.ics.com. Lá dá pra ver minhas ações, minha agenda mensal. Tem o Facebook – Erickson Canuto –, além do Instagram e o Snapchat, redes sociais utilizadas para potencializar nossos contatos. Costumo sempre dizer que sou artista, sou humorista, sou palhaço, mas, antes de tudo isso, sou cristão. Cristo anda comigo por onde quer que eu vá.


Peça 'Contrastes de um Clown' aborda as polaridades cômicas

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