sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

AMANDO SEM SUICÍDIO

A coisa mais fascinante em Jesus quando se trata de alcançar pessoas, é que Ele morre por elas, vive para elas, porém, não as adula e não se sente incompleto se não tiver ao Seu lado grandes multidões ou mesmo gente que o ache simpático.

Jesus é cheio de amor, mas não é “simpático”.

Ele é empático até às vísceras do que Deus chama Bem e Bom, mas não se importa de deixar “o jovem rico” a quem amou e manifestou Seu amor, ir embora contrariado; e nem tampouco fez o Caminho mais largo do que a Verdade apenas para fazer com concessão sentimental.

Sim! Jesus não tinha “pupilos” ou “protegidos”.

Ele queria formar homens que amassem por amor e nada mais.

É por isso Ele sai de lugares dos quais não se deveria jamais perder a chance de estar até o fim; Ele não vai a festas que são consideradas imperdíveis; não se importa de que fiquem perguntando por que Ele não veio e por que não apareceu ainda; Ele some na hora de estar; Ele chega no fim de tudo e apenas diz algo e vai; Ele não fica apenas porque todos no lugar o querem; Ele não vai onde a lógica fraterna e relacional imporia Sua presença como condição do amor; Ele se atrasa deliberadamente na visita requisitada pela família de amigos íntimos; Ele se ausenta sem dizer onde está; Ele põe até um barco como interposição entre Ele e o povo quando o assédio era demais; Ele come com quem não deveria; deixa-se ver com aqueles que maculariam a Sua imagem — pois, Ele conhece a natureza humana e sabe que o amor e a devoção do povo mudam de Jesus para Barrabás num abrir e fechar de olhos...

Assim, aprende-se que para Jesus amor não é o cativeiro dos desejos de terceiros, e nem é feito de provas agendadas de amor, e nem tampouco se manifesta como escravidão fraterna.

Por isso, por causa do modo de Jesus, é que contradigo o “Pequeno Príncipe” e sempre declaro que eu não sou eternamente preso àqueles que dizem que foram cativados por mim.

Tem gente que só entende amor como passeio de mãos dadas no romance do caminho da existência.

Eu não sou assim.

Se as pessoas precisam efetivamente de mim e eu posso ajudar, dou tudo o que tenho. Se eu não posso, ou entendo que não devo [por razões diversas; por vezes até “pedagógicas”] — então, não faço nada que seja apenas para agradar ou adular a criancice de ninguém. 

Tive que aprender isto com Jesus e com a vida a fim de poder sobreviver a todos esses anos de intensa exposição ao desejo de milhões.
E assim mesmo tive que me arrebentar na tentativa da onipresença que agradava aos “irmãos”, a fim de poder aprender que se Jesus, em três anos, assim se tratou, quem sou eu para pretender que suportaria trinta, quarenta, cinqüenta ou sessenta anos sob pressão inumana?

Desse modo, hoje, quando ouço ou leio acerca da insatisfação que os que me amam manifestam em face de eu não estar ou não ir onde eles acham que eu deveria estar e ir, eu apenas lembro de como Jesus, Ele mesmo, sendo Ele próprio, se tratou; e, além disso, de como eu tentei ir além do respeito que Jesus teve por Ele mesmo, e, após décadas, minha alma estava quebrada e cansada — e, por tais vias, fico em paz; e entrego a Deus a verdade do que é.

E também neste Caminho que estou andando!

Nele, que podendo tudo decidiu poder apenas o que era sadio na intensa loucura da pregação,
Caio

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