domingo, 20 de dezembro de 2015

500 pastores concorrerão a cargos nas eleições americanas

500 pastores concorrerão a cargos nas eleições americanasDois anos atrás, Rob McCoy, pastor de uma megaigreja na Califórnia surpreendeu a congregação ao anunciar que estava concorrendo ao cargo de deputado estadual. Sua plataforma era a defesa dos valores cristãos. Declarou-se contrário ao aborto e ao casamento gay, além de defender a volta da oração nas escolas.
“Cada pessoa aqui foi ensinada a pensar que é errado quando um pastor abre a boca para falar sobre a política do púlpito”, afirmou McCoy, 51 anos. “Bem, vocês foram ensinados errado. Não há nenhum outro lugar onde seja mais necessário falar sobre isso que o púlpito”, afirmou na ocasião.
McCoy não foi eleito, mas com a ajuda de 650 voluntários, a maioria membros de sua igreja, posteriormente conseguiu se eleger como vereador na cidade de Thousand Oaks, onde fica sua igreja.
Tachado pela imprensa como “extrema direita”, McCoy representa uma mudança no cenário religioso nos Estados Unidos. País que sempre se orgulhou da sua tradição cristã, nos últimos anos os EUA viram as igrejas perderem várias grandes batalhas na chamada “guerra cultural”, incluindo a decisão da Suprema Corte de legalizar o casamento gay.
Uma retomada está sendo proposta por centenas de pastores que se preparam para as eleições de 2016. Sobretudo os evangélicos conservadores estão se dedicando a tentar mudar o cenário liberal que tomou conta do país na era Obama.
No centro do esforço está o Projeto de Renovação da América, uma rede que afirma contar com cerca de 100.000 pastores. Um dos seus líderes é o político evangélico David Lane, do Partido Republicano. Ele quer recrutar 1.000 pastores para concorrerem a um cargo eleito no ano que vem. Afirma que cerca de 500 já aceitaram o desafio.
Na corrida presidencial, que já teve início, diferentes pré-candidatos afirmaram publicamente que são cristãos e que isso influencia sua maneira de ver o mundo. Ted Cruz é batista, Bem Carson é adventista e Donal Trump se diz presbiteriano. Marco Rubio e Jeb Bush são católicos. Mas quem mais toca no assunto é Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, que durante muitos anos atuou como pastor.
E é Huckabee quem mais tem servido de exemplo para os pastores com aspirações políticas. Ele é um dos idealizadores dos “Treinamentos Issacar”, coordenados pelo pastor David Lane. A inspiração do nome veio da tribo judaica de mesmo nome. Segundo o texto de 1 Crônicas 12.32, seus líderes eram “entendidos na ciência dos tempos para saberem o que Israel devia fazer”.
Um dos seus maiores apoiadores é Beryl Amedee, que se elegeu deputado pela Louisiana. Ele explica: “Na década de 1970, nossa atitude era ‘Não somos deste mundo, Jesus está voltando, então por que se preocupar com o governo? Agora, nós sabemos que nós somos o governo.”
Os Treinamentos Issacar ocorrem em hotéis que hospedam encontros com duração de dois dias. Neles, os líderes cristãos recebem um treinamento intensivo sobre política, legislação e como se defender de ataques contra sua religião.
Para eles está claro que a liberdade religiosa está sendo atacada por forças seculares. Multiplicam-se os casos de cristãos sendo impedidos de se manifestar contra a agenda LGBT e proibidos de realizar cultos e orações em lugares públicos.
Questionados pela Reuters se toda essa movimentação não feriria o princípio de Estado laico, David Lane explica que a lógica da mídia acaba distorcendo as coisas. O princípio é que o governo não pode interferir na Igreja. Não existe nada que diga que a Igreja não possa fazer parte do governo, resume.
gospelprime

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