terça-feira, 9 de junho de 2015

Calvino Rocha - BÍBLIA X REVÓLVER


Em dias de violência nos quais o Brasil figura como um país onde morre mais gente assassinada do que em países que estão em conflitos, como é o caso da Síria, Egito e Iraque e onde, segundo um relatório da OMS – Organização Mundial da Saúde – com dados do ano de 2012, o Brasil encabeça a lista dos países mais violentos do mundo. “O relatório da OMS diz que o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios no mundo”, ou seja, segundo o referido relatório de cada 100 assassinatos no mundo 13 ocorrem no Brasil colocando o Brasil como líder do ranking mundial de homicídios.



Em dias quando o cidadão sai de casa para trabalhar e não sabe se chegará vivo, por causa da violência, um projeto de autoria de um o deputado federal vem causando muitas discussões. O PL 986/2015 proposto por Rogério Peninha Mendonça modifica o Estatuto do Desarmamento tornando mais flexível o porte de armas.



O chocante nesta história é saber que o nobre deputado federal é integrante da chamada “bancada evangélica” e que, no seu facebook postou a foto de um revólver sobre uma Bíblia e usando um texto bíblico, fora do contexto, diga-se de passagem, tem justificado a sua proposta cintando Êxodo 22.22: “Se o ladrão for achado roubando e for morto, o que o feriu não será culpado de sangue”, ou seja, o deputado afirma que “bandido bom é bandido morto”.

Segundo o deputado estadual Carlos Bezerra Jr, em matéria publicada na Folha de São Paulo do dia 26 de maio, o referido projeto “Aumenta de 6 para 9 o número de armas por cidadão e o número de munições de 50 por ano para 50 por mês”. Infelizmente, o nobre deputado esqueceu que mais armas nas mãos dos cidadãos não coíbe a violência. O que precisamos, nestes dias, não é de mais armas nas mãos da população, até porque está provado que, segundo o relatório da CPI do Tráfico de Armas, da Câmara Federal, em 2006, “55% das armas rastreadas a partir das informações de vendas das fábricas brasileiras foram legalmente vendidas antes de caírem na ilegalidade”.


O deputado federal, membro da “bancada evangélica” também esqueceu que a Igreja do Senhor Jesus foi chamada para promover a paz e não para, usando versículos fora do contexto, acentuar, ainda mais, a violência que tem dominado esta nação. Infelizmente, é possível perceber que indivíduos, dizendo-se evangélicos, usando versículos fora do contexto, têm defendido muitas causas que não têm respaldo na Palavra de Deus e que não glorificam o nome do Senhor. O que precisamos nestes dias não é de mais armas nas mãos da população, precisamos de uma nação quedada aos pés do Príncipe da Paz e de políticos íntegros que lutem pela vida para que a justiça vença a injustiça e a corrupção.


Pr. Calvino Rocha

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