quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os elementos ardendo se fundirão! O Fim do Mundo não foi adiado!

A Bíblia diz que Deus constituiu aos descendentes de Abraão segundo a fé,herdeiros do mundo, e ao Seu próprio Filho, herdeiro de tudo. Não me parece razoável supor que Deus nos faria herdar algo destinado a ser destruído (Rm.4:13; Hb.1:2). 

Profetizando acerca da missão de Cristo, Isaías declara: "Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-lhes em herança as herdades assoladas" (Isaías 49:8). 

A herança que d'Ele recebemos encontra-se assolada por causa do pecado, porém, seu destino é ser restaurada, não destruída. E esta restauração deve ser empreendida pelos próprios herdeiros. Isaías profetiza que os que d'Ele procedessem edificariam "as antigas ruínas", e que assim, Ele mesmo levantaria "os fundamentos de geração em geração" (Is. 58:12). Portanto, trata-se de uma obra de tal envergadura que demandaria o envolvimento de muitas gerações. Onde uma geração parasse, a outra prosseguiria. E diz mais: "E edificarão os lugares antigamente assolados, erestaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração" (Is. 61:40). Custou muitas gerações para destruir, há de custar tantas outras para reconstruir. 

Esta restauração empreendida pelos que d'Ele procedem alcançará sua plenitude quando Ele vier em glória. Por isso, lemos que "convém que o céu o contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio" (At. 3:21). Portanto, não houve qualquer alteração no plano original de Deus. Desce o princípio Ele anuncia que jamais desistiria da criação, mas que reverteria o que o pecado danificou. Concluímos daí que a vinda de Cristo em glória não trará destruição, mas restauração. 

Quando a Escritura afirma que a terra e o céu passarão, está se referindo à ordem neles estabelecida. Por exemplo: o mundo dos tempos de Noé acabou quando Deus enviou o Seu julgamento através do dilúvio. De Adão a Noé foi estabelecida uma ordem no caos. Porém, em meio a essa ordem, o pecado se multiplicou, tomando proporções endêmicas. Por isso Jesus diz:

“Como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Pois assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos - assim será também a vinda do Filho do homem.” MATEUS 24:37-39

Quando Jesus diz que eles comiam e bebiam e se davam em casamento, Ele não está condenando esses costumes como se fossem pecaminosos. O que Jesus quer deixar claro é que havia uma ordem na sociedade daquela época. Eles não eram seres irracionais; em vez disso, eles se organizavam em uma sociedade bem estruturada, relativamente evoluída, mas que excluíra Deus e a Sua justiça. Tudo corria dentro de um padrão de normalidade, até que veio o dilúvio e destruiu aquele mundo. Nas palavras de Pedro, “Deus...não poupou o MUNDO ANTIGO, embora preservasse a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios” (II Pe. 2:5).

Repare nisso: Deus não destruiu o mundo (kosmos), e sim o “mundo dos ímpios”. Aquela ordem social precisava ser desfeita. Deus pretendia, através de Noé, estabelecer um novo mundo. Assim também, como foi nos dias de Noé, Deus enviou Seu Filho para destruir o velho sistema, e edificar, através da igreja, uma nova humanidade, uma nova civilização. 

Pedro prossegue pouco adiante:

“Sabei primeiro que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem COMO DESDE O PRINCÍPIO DA CRIAÇÃO. Eles, de propósito, ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a Antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água, e no meio da água subsiste. Por essas coisas também pereceu o MUNDO DE ENTÃO, coberto pelas águas do dilúvio. Mas os céus e a terra que existem agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo...” II PEDRO 3:3-7

O “mundo de então”, que foi destruído pelas águas do dilúvio, é uma referência à ordem social e espiritual vigente nos dias de Noé. Da mesma forma, o mundo dos dias de Pedro, e da igreja primitiva havia de perecer. Aquela ordem estabelecida pela Lei Mosaica já estava obsoleta, e por isso, prestes a findar. De acordo com Pedro, muitos escarnecedores não compreendiam isso, pois achavam que o fim daquela Era deveria ser acompanhado de uma espécie de cataclismo cósmico, envolvendo todo o mundo material. No afã de esclarecer os cristãos primitivos acerca disso, o apóstolo procurou mostrar que o fim daquela Era seria semelhante ao fim do mundo pré-diluviano.

· Elementos ardendo se fundirão!

Com efeito, jamais foi a intenção de Deus destruir o cosmos. Pelo contrário, Sua intenção sempre foi a de restaurá-lo. O que confunde muita gente são as interpretações equivocadas de algumas passagens bíblicas, como por exemplo a registrada em II Pedro 3:10-13, onde lemos:

“Mas o dia do Senhor virá como um ladrão. Os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nelas há, serão descobertas. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.”

Parece-me que este texto deve ter inspirado muitos filmes de Hollywood. São cenas realmente espetaculares e horripilantes! Imagine os céus se dissolvendo ao som de um grande estrondo! Os elementos ardendo e se desfazendo! Pena que os exegetas literalistas parecem não estar familiarizados com a literatura judaica apocalíptica. Por isso, argumentam que este texto seria a prova de que Deus prepara o mundo para um colapso. De fato, uma leitura superficial parece indicar isso. Porém, precisamos avançar, e descobrir o que realmente Pedro deseja transmitir-nos neste texto.

Primeiro, deve-se investigar o significado da palavra traduzida como “elementos”. Para os teólogos literalistas, o apóstolo está falando das partículas subatômicas que formam a matéria. Para estes, todo o universo físico vai simplesmente dissolver. Entretanto, a palavra “elementos” é a tradução do vocábulo grego stoicheia, que em nenhum texto bíblico é usado em conexão com o mundo físico. Em vez disso, sempre que surge nas páginas do Novo Testamento, é usado em conexão com a ordem da Antiga Aliança. Por exemplo: Paulo usa este termo quando escreve aos Gálatas em sua defesa da liberdade cristã oferecida pela Nova Aliança, refutando a ideia de que o cristão precisaria guardar a Lei a fim de ser justificado. Ali, ele escreve:

“...Quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão, debaixo dos rudimentos (stoicheia) do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei...Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos”. GÁLATAS 4:3-5a-9-10

Combatendo os mesmos princípios legalistas que sorrateiramente adentravam o arraial dos santos, Paulo escreve aos Colossenses:

“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos (stoicheia) do mundo, e não segundo Cristo...Se estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo(stoicheia), por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, como: não toques, não proves, não manuseies?” COLOSSENSES 2:8,20-21

Estes textos já são suficientes para comprovar que a palavra stoicheia, usada por Pedro, traduzida em nossa língua por elementos ou rudimentos, não tem nada a ver com o universo físico, e sim, com o sistema da Antiga Aliança, que teve seu fatídico fim com a destruição do templo em 70 d.C. Com a queda de Jerusalém, o juízo divino caiu sobre Israel. Aquele foi o fim da Era judaica. A Antiga Aliança havia ficado antiquada, obsoleta, e precisava dar lugar à Nova Aliança (Hb.8:13). O Velho Templo já não suportava mais reformas (a última havia sido feita por Herodes!). Agora, Deus havia edificado um novo templo, feito de pedras vivas, que jamais seria derrubado. Enfim, um novo céu, uma nova terra, uma nova criação.

“Se alguém está em Cristo”, diz o apóstolo Paulo, “nova criatura é; e as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação,  isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”(II Co.5:17-19a). Observe a ligação que há entre a reconciliação e a nova criação. Reconciliar é estabelecer a ordem, harmonizar, restaurar o que foi danificado. Pelo fato de Deus ter reconciliado todas as coisas consigo mesmo fazendo-as convergir em Cristo, Ele pôde estabelecer uma nova ordem. Os elementos da velha ordem foram dissolvidos pelo fogo do Juízo de Deus, e agora, uma nova criação emerge do caos. Portanto, para nós que estamos em Cristo, tudo se fez novo. Podemos ver o mundo de uma nova ótica: reconciliado com o Seu criador. O que era velho, já passou! Agora, cabe-nos anunciar isso ao mundo. Ele confiou-nos o ministério da reconciliação. Somos Seus embaixadores. Temos o dever de proclamar a obra realizada na cruz. Não recebemos o ministério da condenação, mas a incumbência de anunciar a reconciliação a todos os homens.

“Vede, eu crio novos céus e nova terra. Não haverá lembranças das coisas passadas, nem mais se recordarão. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio, pois crio para Jerusalém alegria, e para o seu povo gozo”. ISAÍAS 65:17-18

“Então vi um novo céu e uma nova terra, pois já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe... Deus enxugará de seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado no trono disse: faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, pois estas palavras são verdadeiras e fiéis. Disse-me mais: ESTÁ CUMPRIDO. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”. APOCALÍPSE 21:1, 46a

Para quem está em Cristo, esta promessa já está cumprida! Para quem está em Cristo, acabou-se o pranto, a dor, a morte, e tudo o que pertencia ao velho mundo.

· ADEUS VELHO MUNDO!

Os céus e a terra já passaram! Tudo agora é novo. Pelo menos é o que diz Aquele que está no trono. Quando a Bíblia fala que os céus passarão, está se referindo ao sistema da Antiga Aliança, incapaz de renovar a consciência humana; e quando diz que a terra passará, está se referindo às estruturas de poder, incluindo governos, impérios, e etc. Com o fim da Velha Aliança, os céus se dissolveram para dar lugar a um novo céu, uma nova consciência, um novo e vivo caminho pelo qual nos achegamos a Deus.

Quanto ao sistema do mundo, ele jaz no maligno. Isto quer dizer que, para quem está em Cristo, o sistema do mundo já morreu, ou no mínimo, está agonizando para morrer. É como se ele estivesse condenado a uma morte lenta, uma morte de cruz. É por isso que Paulo ousa afirmar:“O mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl. 6:14a).

Uma das principais características da morte de cruz é a sua lentidão. O mundo está golpeado de morte, porém, ainda agoniza, cambaleia, tentando sobreviver. De nada adianta seus esforços, pois Deus já o julgou e o crucificou.

Se ele está crucificado para nós, já não devemos esperar nada dele. Tampouco ele deve esperar alguma coisa de nós. Tanto o mundo está crucificado para nós, quanto nós para ele. Quando falamos de “mundo” aqui, não estamos nos referindo às pessoas, nem mesmo ao planeta, e sim a um sistema edificado sobre o pecado, o engano, o egoísmo, a injustiça, a corrupção. É este “mundo” que não deve esperar que contribuamos pela sua manutenção. Este “mundo” é inimigo de Deus, e por isso, quem for seu amigo, estará declarando sua inimizade a Deus (Tg.4:4).

Ainda em Gálatas, Paulo nos informa que Jesus Cristo “se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso” (Gl.1:4). Portanto, já fomos desarraigados do mundo, isto é, arrancados pela raiz, para vivermos num mundo novo, criado por Deus para ser habitado pelos que foram feitos novas criaturas.

Nossa relação com os sistemas deste mundo é de uso, porém, sem abuso. Paulo aconselha aos que “usam deste mundo, como se dele não abusassem. Pois a aparência deste mundo passa” (I Co. 7:31). É legítimo usá-lo, mas com a devida moderação, sem colocar nele a nossa esperança.

Abusar do mundo é comprometer-se com sua estrutura, embaraçando-se com os seus negócios (injustiça, corrupção, amor ao poder), e amando as suas concupiscências (lascívia, promiscuidade, cobiça, avareza). Nós, porém, somos convocados a vencer o mundo pela nossa fé, pois somos nascidos de Deus, novas criaturas, para as quais as coisas velhas já passaram.

Adeus Mundo velho! Feliz Mundo novo!

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