sexta-feira, 10 de abril de 2015

Primeira igreja protestante de SP completa 150 anos

Foto: Márcio Fernandes/ Estadão
Foi em um casarão colonial na Rua Nova de São José, n.º 1, hoje Rua Líbero Badaró, que nasceu a primeira igreja protestante de São Paulo – há exatos 150 anos, em março de 1865. Ali morava o missionário presbiteriano norte-americano Alexander Latimer Blackford (1829-1890), que vivia no Brasil desde 1860, e em São Paulo desde 1863.

Blackford já tinha feito duas celebrações em sua residência antes daquela que é considerada o marco fundador da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo – depois rebatizada como Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Em 29 de maio de 1864, ministrou a Eucaristia para sete pessoas; em 8 de janeiro de 1865, foram oito participantes. Mas em 5 de março, além dos estrangeiros presbiterianos, a cerimônia teve a presença, pela primeira vez, de paulistanos – entre os 18 participantes da celebração, seis se convertiam à nova fé ali: Manoel Fernandes Lopes Braga, Miguel Gonçalves Torres, Antônio Trajano, José Maria Barbosa da Silva, Ana Luiza Barbosa da Silva e Olímpia Maria da Silva.

Para celebrar esta data, a catedral que sedia a igreja na cidade – da casa de Blackford, os cultos passaram a ser realizados em templo na Rua 24 de Maio; desde 1955, funciona a catedral na Rua Nestor Pestana – passou por reforma. Foi restaurada a pintura original, com marmorização das colunas e o dourado dos adornos arquitetônicos. Calhas acabaram substituídas, trincas foram corrigidas e a fiação elétrica, modernizada. O sistema de som também ganhou melhorias. No total, as obras consumiram R$ 1 milhão, viabilizados por doações e empréstimo bancário. “Também inauguramos uma cruz celta, símbolo do presbiterianismo, como memorial do sesquicentenário”, conta o pastor titular da catedral, Valdinei Aparecido Ferreira.
Foto: Márcio Fernandes/ Estadão
Fotos: Márcio Fernandes/ Estadão

História. Várias instituições hoje importantes para a cidade nasceram graças à iniciativa da Primeira Igreja. É o caso da Escola Americana, depois Instituto Presbiteriano Mackenzie. “Vale lembrar que isso ocorreu em uma época em que a tradição religiosa católica impunha uma visão bastante conservadora da sociedade. E o ponto de vista protestante, com a premissa de que até a autoridade tem de estar submetida à lei, era novidade em São Paulo”, contextualiza o pastor Davi Charles Gomes, chanceler do Mackenzie. Também foram criados pela Primeira Igreja a Associação Cristã de Moços de São Paulo, o Hospital Samaritano e a Associações Cemitério dos Protestantes, entre outras entidades.

Há 921 mil presbiterianos no Brasil, hoje

Pastor Ferreira lembra ainda a importância cultural. “Sem dúvida, a chegada do presbiterianismo para São Paulo teve um papel relevante para a pluralização da sociedade, pois quebrou a hegemonia do catolicismo, então igreja oficial do País”, pontua. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 921 mil presbiterianos no Brasil – 38 mil na capital paulista. “Das cerca de 600 igrejas espalhadas pelo País, 150 estão em São Paulo”, diz Ferreira.

O ESTADO DE SÃO PAULO

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