sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Jénerson Alves - Eternos janeiros...

Taças, pratos, luzes, roupas. Já soltaram os fogos. Dezembro foi embora, já é janeiro. A vida parece que vai voltar à rotina de sempre. É neste momento, parece-me, que nós conseguimos tirar os olhos do exterior e efetivamente olhamos para dentro de nós. Vislumbramos os porões da nossa existência. Em uma observação sincera, vemos a distância do ‘eu’ que gostaríamos de ser para o ‘eu’ que somos. Quantas feridas abertas, quantos sonhos não realizados, quantos hábitos não dominados...

Janeiro, a meu ver, representa isto: o momento de fazermos um balanço sobre nós mesmos. E, muitas vezes, o saldo é negativo. Quando não observamos se acumulamos mais fortuna ou se estamos em posições superiores na sociedade, mas quando olhamos para dentro de nós e vemos se a criança que fomos um dia ainda sorri alegre. Em uma análise fria, também podemos perceber que pecamos mais, que ferimos mais, que o mundo nos machucou mais ao longo da caminhada...

Essas conclusões podem nos conduzir a um estado de desesperança, de enfado, de apatia. É como se já não houvesse mais o que fazer. Tudo perdeu o sentido. A vida perdeu o sabor. A essência que impulsionava a existência dentro de nós se diluiu, como água que escorre durante a chuva.  O cansaço gera insegurança, solidão, tristeza, lágrimas, silêncio...

Quantos sonhos que se dissiparam? 
Quantos planos que já estão esquecidos? Cadê o sorriso que habitava no rosto?
Cadê a cama do repouso? 
Cadê o convite do Sol? 
Cadê a sombra necessária? Cadê? Tantos ‘cadês’...

A vida parece um eterno janeiro, pois nossos projetos não passam de retratos e ideias etéreas que se dissolvem mediante as contingências da vida...

É nesta hora que precisamos olhar para cima. É do Alto que vem a resposta. É dEle que provém a seiva nutritiva da existência. Afinal, Ele é a Fonte. Ele é o Magnânimo de todos os Supremos. É Ele quem, com voz mansa e suave, nos convida para uma caminhada – a qual, mesmo que não seja fácil, é boa, pois Ele estará conosco até o fim.

Sem Ele, nossa vida é um eterno janeiro. Com Ele, a vida se torna um janeiro eterno, uma renovação eterna, uma nova novidade a cada instante.

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