segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A compreensão da morte enquanto há vida

“Nós nos enganamos por considerar a morte como algo de futuro; uma grande parte dela já se passou. Todos os anos já vividos estão em poder da morte” (Sêneca).
Esta semana entra para história do nosso país com mais uma tragédia, e que atingiu mais particularmente nosso estado. Uma morte que atingiu todas as dimensões de nosso ser, pois nos fez refletir sobre valores de conduta pessoal e pública.
Primeiro a perda do homem público nos trouxe a lembrança de outros casos de políticos presidentes na história que não conseguiram completar o mandato ou assumir o mesmo: Afonso Pena, em 1909, Getulio Vargas, em 1954, Rodrigues Alves, em 1918, Tancredo Neves, em 1985. Nereu Ramos em 1958 e Castelo Branco em 1967 morreram também vítima de acidente de avião. O que dizer de Ulisses Guimarães em 1992 (Helicóptero), corpo desaparecido até hoje e Marcos Freyre em 1987. Agora, com Eduardo Campos deixando um vazio, que será posteriormente suprido, no campo do futuro político.
Outro fator é a questão familiar, pois as informações que temos é que ele relacionava-se bem com seus familiares, preservando vínculo entre sua esposa, filhos, irmão, etc.
Mas a morte, apesar de ser um destino natural de todos que vivem, é sempre uma surpresa quando chega.
Ela é universal, pois não considera posição social, nem raça ou idade, nem gênero ou religião. Quando ela chega não há quem fuja dela; É pessoal, pois pode até alguém morrer por minha causa, ou por mim, mas não me substituir quando ela me ceifar a vida; Podemos adiar, mas o golpe final sempre pertencerá a ela; Mesmo que queiramos viver ignorando-a, ela está presente e quando tem de acontecer não há nada que a impeça; Conversamos sobre ela sem conhecê-la, pois quem a conhece não volta para contar.
É a separação da alma e do corpo.
Para Platão, há uma vida própria ao espírito, independentemente do corpo. A nossa alma é eterna e imutável assim como as idéias. Aristóteles também vê na operação intelectiva um sinal de espiritualidade. Santo Agostinho a considerava imortal como a verdade. Feuerbach vê na imortalidade da alma uma consequência do desejo de sobrevivência. Freud considera a morte como um instinto próprio do ser vivo. Nietzsche via a morte liberdade humana. Na morte, o homem se demonstra vivo no mais alto grau. O niilismo diz que a morte é o fim total do homem; O não-niilista que a morte não é o fim total do homem; e o cristianismo afirma: “Sois pó e ao pó retornareis…” Significa separação de Deus, da vida eterna. Porém, o seguidor de Cristo sabe que nada lhe pode tirar a vida eterna que Deus lhe deu e que só Ele pode tirar.
Se a morte é uma realidade, precisamos aprender a ser mais atentos enquanto ainda temos vida. Seja em questões públicas ou nossa vida pessoal. Que o homem público seja cada vez mais responsável em suas ações, até porque delas dependem um povo, e enquanto pessoas, que nosso pensar e falar seja expresso no agir, estejamos atentos aos nossos relacionamentos e ao que vamos deixar de legado para os que ficam.
Isso não implica numa vida levado á sério demais, nem regada de normas que nos sufoquem a leveza da vida. O equilíbrio continua sendo a opção mais sadia. Cultivando hábitos e alimentação saudável, sendo solidário, aberto ao próximo, enfrentando a dor com certa serenidade, ser consciente de suas limitações e inclinações para o erro, mas também do aprendizado de amar.
Paulo Nailson

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