terça-feira, 24 de junho de 2014

Entrevista com Pedro Braconot


Pedro Braconnot é cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor musical e pastor. Atravessou várias décadas influenciando a história da música cristã nacional como integrante e posteriormente líder da banda Rebanhão. Já produziu grandes nomes da música cristã nacional, como Cristina Mel, Ozéias de Paula, Denise Cerqueira, João Alexandre e outros. Confira nossa entrevista com o músico.
O PROPAGADOR – Seu encontro com Jesus Cristo foi na juventude. Em sua conversão e, logo após amizade com Janires, quais foram os maiores desafios nos quais você vivenciou em sua caminhada de neófito?
Tive uma experiência com Jesus aos meus 19 anos. Exatamente no final de uma adolescência intensa como geralmente é com todo mundo né? Nesta época conheci o Janires que foi o meu primeiro discipulador. Andamos juntos e comecei a tocar com ele ainda novo na fé. Minha experiência com Deus foi muito forte e percebi que havia acontecido algo que seria para a minha vida toda. Eu passei por vários desafios, tendo sido exposto ao palco ainda muito novo na fé. Isto trouxe também desafios no meu amadurecimento espiritual, mas no final das contas o que havia acontecido comigo era para sempre e em meio às lutas de um jovem cristão eu sempre optei em lutar por minha fé. Hoje fazem 33 anos de caminhada, a vida com Deus é maravilhosa porque quanto mais perto dele mais nos conhecemos a nós mesmos e o realce nos ajuda a vencer tanto os obstáculos pessoais quanto os externos. Sem dúvida os maiores desafios são os que rolam dentro de nós mesmos. A maturidade é ganha pela luta consigo mesmo, ou seja, a reação que aprendemos a ter diante de cada passo que damos frente aos desafios da vida.

OP – Como lhe surgiu o interesse pelo teclado e o piano? Quais os músicos nos quais mais se inspirou?
Minha mãe estudou piano por anos e sempre tinha um piano em casa. Quando a ouvia tocar me dava vontade de aprender. Com 13 anos entrei finalmente numa aula particular de piano clássico no Rio de Janeiro, mas foi o Rebanhão que me ligou para sempre com a música me dando asas para continuar fazendo música a minha vida toda.

O PROPAGADOR – Sua primeira composição gravada foi “Refúgio”, um rock progressivo que permaneceu um bom tempo no repertório dos shows do Rebanhão. Como essa canção surgiu?
 
Foi realmente a primeira música que fiz. Simplesmente brotou falando um pouco da minha realidade de andar distante de Deus e ter recebido o brilho de sua luz sobre a minha vida que me fez mudar a direção radicalmente. Quando descobri o amor de Deus, mesmo que ainda jovem e sem um entendimento tão profundo, pois o amor de Deus é como um oceano insondável de tão profundo e imenso, pude ver que era isso que eu queria para sempre em minha vida. Essa música marcou o início da minha experiência com Deus.

OP – O senhor, conciliando a carreira no Rebanhão, também trabalhou como produtor musical, arranjador e músico convidado, tendo gravado com grandes nomes da música cristã, como Cristina Mel, Ozéias de Paula, Denise Cerqueira, Sinal de Alerta, Carlinhos Felix, João Alexandre, Altos Louvores e muitos outros. Emerson Pinheiro também já lhe indicou como grande influência. Qual a importância dessa multi utilidade musical na construção de sua carreira musical? Como é ser parte viva da história da música cristã nacional e referência para quem segue nos caminhos musicais que o senhor ajudou a abrir?

Me sinto muito feliz pelo trabalho que tive a oportunidade de realizar junto a tantos nomes da música cristã brasileira. Tudo começou porque eu era o tecladista do Rebanhão e começaram a me chamar para gravar. Eu sempre tive uma atração pela tecnologia e meu pai me deu um computador Apple em 1987, antes mesmo de a internet ser febre no Brasil eu me dedicava à gravação em computadores o que veio a ser o caminho nos estúdios do mundo inteiro. Cada vez que eu entrava em um estúdio de gravação queria aprender tudo e então parti para esta profissão como um meio de apoiar o ministério do Rebanhão financeiramente. Conheci muita gente boa neste tempo e fiz muitos amigos, mas também pude ver o lado frio e comercial que invadiu a música cristã que a meu ver em muitos casos deixou de ter uma mensagem forte e profética para se contentar com letras que agradassem a maioria. Uma mensagem mais lugar comum em prol do sucesso comercial.

OP – A importância do Rebanhão para a música cristã é inegável e inquestionável. Mas qual a importância da banda e dos integrantes na sua vida? Em algum momento, naquela época, o senhor seria capaz de supor a importância que o que faziam teria para o futuro da nossa música?
Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim como novo convertido era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época. No entanto com certeza o Rebanhão foi e continua sendo um fato marcante em minha vida. Tanto o trabalho do grupo quanto as amizades que fizemos. Além disso, hoje posso ver tantos testemunhos de pessoas que foram tocadas através deste trabalho que não tenho dúvida que foi um instrumento de benção, um vaso de honra. Sou muito feliz pelo que Deus fez com o Rebanhão durante todos estes anos.

O PROPAGADOR – Após o fim do Rebanhão, o senhor decidiu dedicar-se ao ministério pastoral, sendo consagrado pastor. Hoje está à frente da IHOP (International House of Prayer) em Caratinga. Fale-nos um pouco deste projeto, sua experiência com o movimento das casas de oração e sua visão a respeito da igreja brasileira.
Quando parei de viajar com o Rebanhão no ano 2000, senti que precisava de um tempo maior para a família e me preparar para uma nova fase que estaria por vir. Eu e minha amada esposa Anya Braconnot fomos ordenados pastores em 2002 e hoje temos cinco filhos e nossa família é simplesmente a maior benção de todas que Deus já nos deu! Depois que nasceu nossa última filha chamada Victoria em 2006 nos Estados unidos, nos alistamos de corpo alma e espírito neste mover de oração que o Espírito está promovendo ao redor do mundo. Deus tem levado centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo a orar e adorar coletivamente em uma onda de avivamento que tem se espalhado cada vez mais. Como no modelo do tabernáculo de Davi a música era de vital importância, eu me sinto em casa quando passamos horas adorando e intercedendo no que chamamos de harpa e Taça (Ap 5:8). Voltamos para o Brasil e estamos liderando uma casa de oração em Caratinga, Minas Gerais. Durante a copa do mundo 2014 estaremos apoiando um ministério do IHOP-KC que vai levantar salas de oração nas doze capitais onde haverá jogos da copa. 32 dias de oração: 24 horas contra o tráfico humano, turismo sexual, pedofilia e tudo que tenha a ver com a injustiça social sobre o Brasil. Vai ser um tempo intenso, eu sou apaixonado pela oração da igreja, a noiva de Cristo precisa saber mais de sua autoridade como intercessora.

O PROPAGADOR – Janires, em suas canções apresentava um cristianismo que transcendia as clássicas quatro paredes que muitas vezes são impostas. Como compositor, várias de suas canções mantiveram essa característica, como as canções “Palácios” e “Elo Perdido”. Em sua opinião, qual é a importância da música cristã na abordagem social e de questões do cotidiano?
Às vezes o cristão é taxado de ignorante e alheio à sociedade porque evita tratar temas que transcendem o linguajar bíblico. É muito fácil não “errar” quando se canta os salmos de Davi e por assim em diante. Mais creio que como Davi falava do Egito e de seus cavaleiros nos seus salmos, porque não falar de realidades atuais em nossas músicas? Creio que precisamos manter nosso foco na Palavra, mas não podemos nos esquecer de fazer músicas que possam se comunicar com o mundo em uma linguagem mais atual. O trabalho do Rebanhão ficou conhecido por causa desta visão e isso é um objetivo que não pode ser esquecido. Fazíamos uma música para alcançar almas que não tinham nem coragem de entrar em uma igreja, mas conseguiam ouvir um “Baião”, por exemplo.

O PROPAGADOR – Uma de suas mais recentes composições de destaque no cenário nacional é “Ame mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel e escrita em parceria com Anderson Freire. Em um dos trechos da canção, a letra diz: “Se você marcar uma geração com o seu canto / Com o passar do tempo esquecerão a sua voz / Então, tente lembrar que o mundo não te dará honras”.  A canção, e principalmente este trecho tem algo autobiográfico? Considerando a vida, na qual passamos por várias fases, qual é a sua visão a respeito do sucesso já vivenciado?
Na verdade tudo passa nesta vida, mas podemos fazer coisas que tenham valor eterno. Essas coisas são as mais importantes. O sucesso dos homens é passageiro, por isso ser conhecido no céu é o que mais quero na minha vida. A única coisa que sobe com a gente depois desta vida são as almas que apresentamos diante do Senhor. Não por mérito nosso, mas por causa dEle. Precisamos fazer amigos eternos. (http://momentoprofetico.com.br/amigos-eternos/)

O PROPAGADOR – No final de 2013, foi lançado no iTunes a canção “Mais que Palavras” com a participação de sua filha Lídia nos vocais. Em março, foi divulgada no Soundcloud “Nada Mais”, dedicada a sua esposa Ayna Braconnot e mais recentemente “Amado da Minh’alma”. Essas canções podem se tornar um álbum solo?
Podem e devem rsrs. Tem muito mais para ser gravado se Deus quiser.

O PROPAGADOR – No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro de 2013, o senhor cantou ao lado dele canções do Rebanhão. O guitarrista Pablo Chies também estava presente. Como é a sua relação com os demais ex-integrantes do Rebanhão, especialmente Paulo Marotta e Carlinhos Felix?
Graças a Deus somos amigos e contamos com a presença dos dois em uma reunião para gravar um DVD Rebanhão 35 anos.

O PROPAGADOR – Em dezembro, completam 30 anos da gravação de Janires e Amigos, o primeiro álbum da música cristã nacional gravado ao vivo. O senhor possui alguma lembrança em especial desta gravação? Como foi encarar a saída de Janires, visto que além de “mentor” e líder, era grande amigo da banda?
O Janires foi um cara único, ele saiu talvez porque nós não conseguíamos seguir no ritmo dele. Deus o usou de maneira especial e o levou. No entanto tinha outros planos para o resto de nós. Foi um desafio quando ele disse que ia sair, mas conseguimos seguir em frente com a graça e misericórdia de Deus.

O PROPAGADOR – Agradecemos pela entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores?
Agradeço a oportunidade e quero convidar os leitores a participar deste movimento Rebanhão 35 anos na nossa página do Facebook e em breve no site www.rebanhao.com


http://www.opropagador.com/

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