terça-feira, 6 de maio de 2014

Dúvida.

Dúvida.
Do Diretor John Patrick Shanley o filme que trás Meryl Streep no papel de Aloysius, uma Irmã de uma ordem religiosa que governa com mãos de ferro uma escola para crianças e, Philip Seymour Hoffman; um Padre e Professor da mesma instituição que a confronta, é sem dúvida – sem forçar o trocadilho -, uma expressão clara do quão amargo pode ser todo o rigor com que trazemos todas as nossas “certezas” diante das tais dúvidas que nos “assolam” em nossa caminhada, se formos é claro, religiosos com um compromisso com a religiosidade.

Isso mesmo!

É exatamente isso: Eu, aqui novamente, falando contra essa raça a ser extinta;

O povo que nem Jesus deu conta de regenerar…

Também, não era pra ser… Os religiosos são o seu próprio “Juízo”; Se eles não percebem quando “o galo canta”, só o sofrimento por sua própria religiosidade poderá trazê-los à vida novamente, lamento…
 
Mas voltando ao filme…

Nele, a irredutível Irmã Aloysius persegue sem descanso um homem (Philip Seymour Hoffman) que, ao que tudo indica, é um padre com inclinações à pedofilia.

Baseada em sua própria experiência como líder na instituição e, traçando uma história adequada ao caso, Aloysius chega ao fim da história, contra tudo e contra todos, tomando a atitude mais correta a seus olhos, conseguindo o seu êxito:  A expulsão do tal padre pedófilo.

O filme termina e o espectador chega a se surpreender com a perspicácia da quase em vias de veneração, Irmã Aloysius; que, ao que tudo indica, abdicou de sua vida pessoal em prol do próximo, chegando ao ponto de ter que passar por tal “martírio”,  já que suas certezas como sempre, eram claras e quase  o “sustentáculo” da instituição.   Nesta posição, como todo religioso, ela também se embevecia.

Mas o filme caminha para o seu desfecho e o que parece acontecer, é uma conversa franca sobre as agruras dos que lutam até o fim por suas certezas…
Porém o que passamos a ver na película na última sequencia, é a figura interpretada por Meryl Streep, que, através de um choro compulsivo, relata a uma noviça (Amy Adams) a amarga dúvida que na verdade, a acompanharia pelo resto de sua vida: Estaria ela, certa ou não, na sua atitude em condenar sumariamente o tal Padre?

Talvez, fosse esta, apenas mais uma entre muitas outras dúvidas colecionadas pela pobre religiosa, que sonhava apenas em estender o reino dos céus à comunidade que lhe fora confiada.
 
Às vezes somos assim (e que Deus nos livre de continuarmos nisso)…
Em razão de nossas imperfeições e mazelas, tributamos à Deus a responsabilidade por nossos erros indesculpáveis na trajetória cristã.

Indesculpáveis, porque por mais que tenhamos o perdão por nossas imperfeições, não temos desculpa alguma de não saber quem é o Cristo, ou o que ele deixou de exemplo para que seguíssemos.
 
Teria sido a dúvida ou a certeza?

A dúvida sobre quem são os outros,  ou simplesmente a certeza de que não somos nada diante de quem quer que seja?
Há os que insistem em se basear por suas dúvidas… Morrerão sem desvendá-las.
 
No entanto, há os que preferem a certeza;

A certeza de que só saberemos de Deus o que precisamos saber…

Só decifraremos a verdade dos amigos, se também para eles, formos…

Só conseguiremos entender o pecado do outro, quando sem sombra de dúvida, nos revelarmos os nossos.
 
Para religiosos ou não…
 
Sem dúvida alguma, fica o texto.

Rogério Ribeiro
é Teólogo sem "ranços", Cineasta, roteirista e cronista. Semanalmente, escreve no blog "edição de amanhã"; blog secular de sucesso, onde faz da crítica, um alerta para os que o leem, além de outros sites. Observador atento, Rogério Ribeiro aceitou o dever alertar e, desde então, é um compromissado "atalaia" dos nossos dias, às ordens de um só Senhor: Jesus Cristo.

GOSPELMAIS

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