quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ver ou não ver: eis a questão


Sem querer ser chato, já sendo, eu bem que avisei. Em uma coluna anterior há algumas semanas, comentei sobre as reações desmedidas e incoerentes de muitos cristãos a respeito de filmes com temática bíblica. Cheguei mesmo a citar o filme “Noé”, que nem havia sido lançado ainda; não precisava ser “profeta” para imaginar o que iria acontecer…

Pois é, hoje, depois de três semanas do seu lançamento, e mais de 100 milhões de dólares de bilheteria, “Noé” é um dos assuntos preferidos pelos cinéfilos cristãos brasileiros. Cheguei mesmo a ver campanhas na internet, boicotando o filme, algumas até engraçadas, trocando o titulo por “Nãoé”. 

Eu até entendo os que se irritaram com o filme e os que acham que é melhor nem assisti-lo. Motivos não faltam. Mas, o que será que eles esperavam? Um filme evangelístico, bíblico, doutrinário saindo de Hollywood? Só mesmo os muito, muito ingênuos, ou os desinformados se surpreenderam. Não vou entrar em detalhes aqui sobre as heresias e inconsistências bíblicas, porque já falamos no assunto e como disse antes, os produtores não tem nenhum compromisso de fidelidade à narrativa bíblica; é um filme secular, épico de ação, feito para ganhar dinheiro e divertir o público em geral. Quem for vê-lo não espere nada diferente. 

Diante de tantas aberrações e incoerências, para mim o mais engraçado foi o figurino; Noé e companhia andando de calças em uma cultura primitiva, pré-diluviana? Onde é que o diretor Aronofsvy estava com a cabeça?

O astro Australiano Russell Crowe que encarna Noé na superprodução, esteve no Brasil recentemente para divulgar o filme. Deu até entrevista no Fantástico, que foi impagável, por sinal; quando perguntado sobre as condições dos aeroportos, trânsito, ciclovias e condições gerais do Brasil, ele não escondeu a insatisfação chegando mesmo a chamar o trânsito do Rio de Janeiro de “caos”. Não deixou de ser interessante ver a cara de bobo do repórter global, acostumado à “Pachecadas”e pronunciamentos politicamente corretos…

Apesar das reações negativas ao filme “Noé”, 2014 promete ser um dos anos com maior número de filmes bíblicos de todos os tempos. Além do épico com Russell Crowe, diversas outras produções estão à caminho. 

Semana passada começou a ser exibido em cinemas americanos o filme “God Is not Dead” (“Deus não Morreu”), que conta a estória de um estudante universitário que é confrontado por um professor sobre a existência de Deus. O filme já está em quarto lugar de bilheteria nos cinemas americanos. 

“Heaven is for Real” é baseado em um livro que em 2010 se tornou um best-seller, escrito por um pastor de uma pequena comunidade americana. No livro, o Pastor relata fatos reais ligados a uma experiência de quase morte de seu filho pequeno. O filme está previsto para ser lançado dia 16 de abril nos Estados Unidos. O roteirista e produtor Randy Wallace (“Coração Valente”, “Pearl Harbor” e “Seabiscuit”) esteve aqui na Liberty recentemente para promover o filme e responder a perguntas dos alunos. Após o debate houve uma sessão de “pre-screening” em um cinema local. Pena que não consegui um dos disputadíssimos ingressos; foram cerca de mil, que se esgotaram em minutos! 

O filme politico-cristão “Persecuted” deve estrear em julho e a aguardada nova versão de “Deixados para Trás” com Nicholas Cage, está marcada para outubro desse ano. Existem indícios de que uma superprodução de “Exodus-Gods and Kings” com Christian Bale (“O Cavaleiro das Trevas”, “Império do Sol”, “O exterminador do Futuro 4”e “O Lutador”) no papel de Moisés deve ir para as telas ainda esse ano. Isso sem falar de “O Filho de Deus”, filme baseado na minissérie “A Bíblia”, que já amealhou mais de 60 milhões de dólares, só nos EUA. 

Não deixa de ser interessante notar esse interesse crescente por filmes de temática cristã. O surgimento da indústria cinematográfica cristã independente, com filmes como “Desafiando os Gigantes” e “Prova de fogo” certamente reaproximou o público evangélico das salas de cinema e mostrou para Hollywood que esse é um filão rentável também para a indústria secular. O problema é que muitos ainda não conseguiram entender que há uma grande diferença entre um filme evangélico e um filme feito para o público evangélico. Sei que já falei sobre isso aqui na coluna, mas parece que a maioria ainda não entendeu. Se tivesse entendido, não estaria perdendo seu tempo fazendo campanha contra um filme bobo, até irrelevante como “Noé”…

Um abraço,

Leon Neto 
FOLHAGOSPEL

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