Paulo Nailson - Lições e reflexões de uma tragédia
Mais uma vez somos levados a refletir sobre a quantas anda o desmantelamento da família nos dias atuais.
Poderia ser num mês qualquer, mais foi exatamente em maio, chamado Mês da família.
Talvez ser noutro período, não na semana de aniversário da cidade.
Por que não noutro ambiente que não fosse um religioso?
E o contexto? desajuste familiar e intolerância religiosa.
O convite à reflexão está posto:
Na correria do dia-a-dia temos encontrado tempo para dedicar a nós mesmos e aos que amamos?
Esse tempo é apenas de "estar perto" ou existe de verdade atenção e dedicação?
Será válido mesmo descuidar de valores que nortearam nossos pais?
Um lar ou família desajustada, relacionamentos interpessoais doentios, busca desenfreada pelo possuir ciosas além do necessário para sobrevivência distancia-nos cada vez mais de uma vida saudável socialmente.
Não haverá um ponto de equilíbrio entre acompanhar as mudanças cada vez mais rápidas que a sociedade nos apresenta e preservar esses princípios?
O momento de celebração dos 156 anos não pode ofuscar os reais problemas que enfrentamos no cotidiano. Mais cidadania é ter mais consciencia de nossos direitos e deveres, se temos o dever de zelar pelo bem público, temos o direito de ter acesso a ele, se pagamos tributo, temos direito de receber de volta em serviço prestado, e isso se dá em boa educação, moradia digna, acesso a saúde e outros ítens descritos nos artigos 5 e 6 da Constituição. Segurança é um deles.
E o sentimento religioso? Muitos poderiam perguntar "onde estava o Deus daquele povo para permitir que a tragédia acontecesse"?
Como Ele pode ter desviado as balas de uns, evitado a fatalidade em outros e não servir de escudo para sua serva, até onde se sabe, dedicada e fiel seguidora?
Mas espere, estamos falando de quem mesmo?
Do deus que se importa mais com a instituição do que com a pessoa? Um deus que que castra nossos sonhos e sufoca com compromissos mesquinhos que atendem a estruturas egoístas e impérios de pseudos ministros que se auto-promovem? Quantos destes estão dispostos a entrar na prática da "transparência" tornando público seus ganhos e bens?
Religião que não serve, se serve, essa serve a quem e pra que?
O Eterno tem seus propósitos e muitos destes passam longe do que certos ambientes religiosos sustentam.
É difícil pra mim enxergar Deus em pessoas que ao se relacionarem com Ele parecem perder o sabor pela vida, principalmente vida social.
Penso que minha relação com Ele não me afasta nem das pessoas que gosto e muito menos das que formam comigo a "malha" social.
Ele não me brutaliza nem me faz odiar o outro, nem ter sentimentos de superioridade em relação aqueles que pensem o contrário de mim. Antes sou comovido pelo Seu amor e movido em direção aos carentes da Graça d'Ele e isso faço até mesmo para que o outro perceba a existência do Deus que eu creio nas minhas atitudes de aproximação e não de repelência.
Tragédias humanas acontecem e vão continuar acontecendo desde sempre, e há muitas implicações em torno disso que o espaço não me permite, no momento, explanar.
Creio que a proposta de Deus associe santidade com o serviço no mundo e não me aliena, me isola, me torna esquisito e figura indesejável.
Eu diria até, como numa resposta do pastor Caio a um pai em luto, oprimido pela religião e suas muitas burocracias pra que alguém seja salvo:
-"...esteja eu no inferno de Jesus, mas Deus me livre do céu dos crentes impiedosos e sádicos".
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