Jénerson Alves - Obrigado, mamãe!


Beija-flor, como sempre, beija a flor
Cujo néctar lhe outorga nutrientes,
Semelhante ao amor de dois viventes
Que ornamentam o mundo em rara cor.
O meu nome primeiro foi amor,
Oriundo dum êxtase positivo.
No momento mais puro e emotivo,
Tu te abriste e em teu ser disseste “entre”.
Nove meses morei, mãe, em teu ventre,
Mas no teu coração pra sempre eu vivo.

Habitando em teu ser, tornei-me um ser,
Fruto sacro de ti, guerreira impávida,
Tu ficaste mais bela enquanto grávida,
Qual aurora em real resplandecer.
O instante sagrado de eu nascer
Foi marcado por dores e canseira.
Deus, o médico, a senhora, a enfermeira,
O meu pai, muito tenso, no hospital,
Mas ouvir o meu choro inicial
Foi teu sonho durante a vida inteira.

Logo após eu nascer, tu te esforçaste
Para dar-me o cuidado e o carinho.
Com lençóis esquentaste meu bercinho
E nas noites de pranto me amparaste;
Com teu leite foi que me alimentaste;
Foi teu beijo remédio para dor;
Teu abraço, o alívio no horror;
E teu colo, consolo, paz, guarida...
As melhores lições da minha vida
Aprendi no liceu do teu amor.

Me ensinaste a buscar sabedoria
Muito mais do que ouro, bronze ou prata,
Que o bom senso produz ação sensata
E sensatez traz conforto e calmaria,
Me acordar sendo grato pelo dia
E, à noite, ao deitar, agradecer,
Procurar subir sempre e não descer,
Ter cuidado pra não pisar ninguém,
Usar todos meus bens em prol do Bem,
Pois o ‘ser’ vale mais do que o ‘ter’.

Me ensinaste a guardar os Mandamentos:
Não fazer escultura pra louvor,
Não ter deuses diante do Senhor,
Nem chamar o Seu nome em vãos momentos,
Ter o dia sagrado em pensamentos,
Não matar, não furtar, não adulterar,
Contra alguém falsa história não contar,
Não prender-me às algemas da cobiça,
E, pra manter-me na fé pura e castiça,
Ao papai e a ti, mamãe, honrar.

A teus atos de amor sempre me ato,
Pois nas vias do afago te atavias.
Tuas frases são sacras melodias
Que me tratam no rumo do bom trato.
Um espelho de afeto, fé e fato
Teu olhar é agora e sempre foi.
Por dar tanto trabalho, me perdoe
(Eu bem sei que isso sempre irei pedir-te).
Não consigo dormir, mãe, sem ouvir-te
Me dizer: “Filho meu, Deus te abençoe”!

Me mostraste que devo ser honrado,
Ser honesto, ser sério, ser cristão,
Que um ‘não’ de mulher é sempre um ‘não’
E precisa ser sempre respeitado,
Que eu não sou objeto de mercado,
Não me vendo, por isso, nem me dou,
Pela estrada da luz andando vou,
Vislumbrando os reflexos de Elohim,
Se perguntam porque procedo assim,
Eu respondo: “Mamãe quem me ensinou”...

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